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Fuvest 2015 · Primeira fase · Objetiva

Português · Leitura de textos literários, Romantismo, Literatura comparada

TEXTO PARA As QUESTÕES 36 e 37

Tornando da malograda espera do tigre, alcançou o
capanga um casal de velhinhos, que seguiam diante dele o
mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios
particulares. Das poucas palavras que apanhara, percebeu
Jão Fera que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo
quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer
um moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça.
- Mas chegará, homem? perguntou a velha.
- Há de se espichar bem, mulher!
Uma voz os interrompeu:
- Por este preço dou eu conta da roça!
- Ah! É nhô Jão!
Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham
por homem de palavra, e de fazer o que prometia.
Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que
estava destinado para o roçado.
Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus olhos
descobriram entre os utensílios a enxada, a qual ele
esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa,
que sem mais deu costas ao par de velhinhos e foi-se
deixando-os embasbacados.

José de Alencar, Til.

* moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito).

As práticas de Jão Fera que permitem ao narrador classificá-lo como “capanga” assemelham-se, sobretudo, às da personagem citadina do

  1. valentão Chico-Juca, nas Memórias de um sargento de milícias.
  2. malandro Prudêncio, nas Memórias póstumas de Brás Cubas.
  3. arrivista Miranda, em O cortiço.
  4. agregado Zé Fernandes, em A cidade e as serras.
  5. soldado amarelo, em Vidas secas.

Rascunho

Gabarito

Alternativa A.

Gabarito conforme a coletânea de origem (Grupo Exatas).