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Data: ___/___/______
Fuvest 2001 · Primeira fase · Objetiva
Português · Figuras de linguagem, Gradação, Leitura de textos literários
Texto para a questão 22
(...) e tudo ficou sob a guarda de Dona Plácida, suposta, e, a certos respeitos, verdadeira dona da casa.
Custou-lhe muito a aceitar a casa; farejara a intenção, e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, a princípio: tinha nojo de si mesma. Ao menos, é certo que não levantou os olhos para mim durante os primeiros dois meses; falava-me com eles baixos, séria, carrancuda, às vezes triste. Eu queria angariá-la, e não me dava por ofendido, tratava-a com carinho e respeito; forcejava por obter-lhe a benevolência, depois a confiança. Quando obtive a confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília, um caso anterior ao casamento, a resistência do pai, a dureza do marido, e não sei que outros toques de novela. Dona Plácida não rejeitou uma só página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis meses quem nos visse a todos três juntos diria que Dona Plácida era minha sogra.
Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, - os cinco contos achados em Botafogo, - como um pão para a velhice. Dona Plácida agradeceu-me com lágrimas nos olhos, e nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante de uma imagem da Virgem, que tinha no quarto. Foi assim que lhe acabou o nojo.
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)
O recurso da gradação, presente em “obter-lhe a benevolência, depois a confiança”, também ocorre em:
- “A ostentação da riqueza e da elegância se torna mais do que vulgar: obscena”.
- “Sentindo a deslocação do ar e a crepitação dos gravetos, Baleia despertou”.
- “(...) o passado de Rezende era só imitação do passado, uma espécie de carbono (...)”.
- “Um caso desses pode acontecer em qualquer ambiente de trabalho, num banco, numa repartição, numa igreja, num time de futebol”.
- “Não admiro os envolvidos, nem os desdenho”.
Rascunho