Fuvest 2016 · Primeira fase · Questão 63 · Objetiva

Português · Conjunções e relações entre orações, Semântica e sentido contextual, Leitura de textos literários

Texto para a questão 36.

CONFIDÊNCIAS DO ITABIRANO

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres
e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do Mundo

Na última estrofe, a expressão que justifica o uso da conjunção sublinhada no verso “Mas como dói!” é:

  1. “Hoje”.
  2. “funcionário público”.
  3. “apenas”.
  4. “fotografia”.
  5. “parede”.
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Alternativa C.

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Transcrição conferida com a prova original. Fonte da coletânea: Grupo Exatas. Revisada em 07/09/2026. Encontrou um erro? Reportar erro