Fuvest 2009 · Primeira fase · Questão 17 · Objetiva

Português · Interpretação de textos

Texto para as questões.

Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha de se enqueixar para o alto, a salvar também de fora o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-áa! Chu-áa... — ruge o rio, como chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e depois o pasto: sombra, capim e sossego... Nenhuma pressa. Aqui, por ora, este poço doido, que barulha como um fogo, e faz medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no caminho: como os homens e os seus modos, costumeira confusão. É só fechar os olhos. Como sempre. Outra passada, na massa fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da água, bem com o escuro, filho do fundo, poupando forças para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um arranco, fora de hora. Assim.

João Guimarães Rosa. O burrinho pedrês, Sagarana.

Em trecho anterior do mesmo conto, o narrador chama Sete-de-Ouros de “sábio”. No excerto, a sabedoria do burrinho consiste, principalmente, em

  1. procurar adaptar-se o melhor possível às forças adversas, que busca utilizar em benefício próprio.
  2. b) firmar um pacto com as potências mágicas que se ocultam atrás das aparências do mundo natural.
  3. combater frontalmente e sem concessões as atitudes dos homens, que considera confusas e desarrazoadas.
  4. ignorar os perigos que o mundo apresenta, agindo como se eles não existissem.
  5. escolher a inação e a inércia, confiando inteiramente seu destino às forças do puro acaso e da sorte.
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Alternativa A.

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