Fuvest 2005 · Primeira fase · Objetiva
Português · Intertextualidade, Interpretação de textos, Variação linguística e norma-padrão
Texto para a questão 58
ESCREVO-LHE ESTA CARTA...
Um ano depois, programa de alfabetização no Acre apresenta resultados acima da média e, como prova final, bilhetes comoventes
Repleto de adultos recém-alfabetizados, o Teatro Plácido de Castro, na capital do Acre, Rio Branco, quase veio abaixo com a leitura do bilhete escrito pela dona de casa Sebastiana Costa para o marido: “Manoel, eu fui para aula. Se quiser comida esquente. Foi eu que escrevi.” Atordoada com os aplausos, a franzina Sebastiana desceu do palco com a cabeça baixa e os ombros encurvados.
Casada há trinta anos e mãe de oito filhos, ela só descontraiu um pouco quando a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, comentou que o bilhete não precisava ser interpretado como um desaforo, embora passasse um sentimento de libertação. Alfabetizada apenas aos dezessete anos, a ministra Marina conhece como poucos o drama daqueles que não são capazes de decifrar o letreiro de um ônibus ou de rabiscar uma simples mensagem.
(Revista ISTOÉ)
O título “Escrevo-lhe esta carta...”
- contém ironia, uma vez que o bilhete citado no texto não é propriamente uma carta.
- resulta de um procedimento intertextual, pois retoma uma expressão freqüente na linguagem das cartas.
- refere-se também ao texto do autor da reportagem, redigido por ele como se fosse uma carta.
- termina com reticências para deixar subentendido o sarcasmo do autor da reportagem.
- imita a variedade lingüística que caracteriza o bilhete reproduzido na reportagem.
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Resolução completa, com o raciocínio de cada etapa.
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Transcrição conferida com a prova original. Fonte da coletânea: Grupo Exatas. Revisada em 07/09/2026. Encontrou um erro? Reportar erro