Fuvest 2006 · Segunda fase · Questão 2 · Discursiva

Português · Fatores semânticos e linguísticos da textualidade, Interpretação de textos

          Em um piano distante, alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. (...) Esses sons soltos, indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis.

Rubem Braga, O homem rouco.

  1. O autor estabelece uma associação poética entre a vida de muita gente e uma lição de piano. Esclareça o sentido que ganha, no contexto dessa associação, a frase “Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia”.
  2. “Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro.”

    Reescreva a frase acima, substituindo a expressão sublinhada por outra de sentido equivalente.

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