Matemática I · Frente 2 · Capítulo 1 · p. 100-131 · Poliedro
Conjuntos numéricos
A princípio, a Matemática surge como a ciência que observa números nos mais diversos padrões da realidade. As técnicas de contagem, ordenação e mensuração, há tanto tempo estudadas na Matemática, mostraram-se tão úteis à humanidade que, hoje, centenas de anos depois, seus estudos continuam a proporcionar o surgimento de novas tecnologias. Por trás dos avanços tecnológicos, estão números e estruturas numéricas usadas para transmitir e proteger informações, como a biometria facial, disponível em celulares e utilizada para reduzir fraudes, autenticar documentos, confirmar identidades em aplicativos e controlar o acesso em diversos segmentos. E, para que possam ser processadas, essas informações precisam ser codificadas por meio de números e sequências numéricas.
Este capítulo pretende explorar os aspectos práticos e a variedade de interpretações de cada tipo de número.
Introdução
A teoria dos números estabelece alguns critérios para a construção dos significados do número. Dois desses critérios merecem destaque. Um deles é a relação de inclusão entre os conjuntos numéricos , em que:
- representa o conjunto dos números naturais;
- representa o conjunto dos números inteiros;
- representa o conjunto dos números racionais;
- representa o conjunto dos números reais;
- representa o conjunto dos números complexos.
O símbolo indica a relação de inclusão e pode ser lido como “está contido em”.
O outro critério é uma propriedade específica dessas relações de inclusão. Sendo X e Y dois desses conjuntos, se X está contido em Y, então todas as propriedades aritméticas válidas no conjunto X também são válidas no conjunto Y. Isso funciona como uma espécie de herança, pois o conjunto Y é construído a partir dos elementos do conjunto X.
Por outro lado, o conjunto Y deve possuir outras propriedades aritméticas que são impossíveis de serem enunciadas no conjunto X, de modo que o conjunto Y herda todas as propriedades de seu subconjunto X, mas também introduz novas propriedades e novas interpretações para os números que são seus elementos, sempre estendendo o significado do número.
Tipos de números
Da relação de ordem entre os conjuntos numéricos, pode-se entender que, se um número é natural, então ele também é inteiro, racional, real e complexo. Veja o número 10 (dez), por exemplo:
Em contrapartida, números que não são inteiros não podem ser naturais. Veja o exemplo do número 0,2 (dois décimos):
Mas o fato de 0,2 ser um número racional implica ele também ser um número real e complexo:
Além de pertencerem a pelo menos um dos cinco conjuntos numéricos (, , , e ), números podem ser classificados de muitas outras formas. Por exemplo, todo número inteiro pode ser classificado como número par ou ímpar.
Entre os números naturais há os que são primos, compostos, quadrados perfeitos, cubos perfeitos, triangulares etc.
Os números não inteiros podem ter quantidade finita ou infinita de casas decimais. Os números que admitem infinitas casas decimais em sua representação são separados em dízimas periódicas e números irracionais.
Pelo sinal, um número pode ser classificado como positivo ou negativo, havendo um único número que não é positivo nem negativo: o zero.
Operações com números
Os números são entidades matemáticas que interagem por meio de operações aritméticas, como a adição, produzindo um novo resultado numérico. Veja alguns exemplos:
Algumas operações são representadas por símbolos que se chamam operadores:
O operador de adição é principalmente representado pelo símbolo .
O operador de subtração é principalmente representado pelo símbolo .
O operador de multiplicação é tanto representado por quanto por , podendo ser omitido em alguns casos.
O operador de divisão pode ser representado por , e ainda pela barra de fração.
O operador de radiciação ou de extração de raízes é representado pelo símbolo .
Também há as operações aritméticas representadas por siglas:
A extração de logaritmos é representada pela sigla log.
O mínimo múltiplo comum, pela sigla mmc.
O máximo divisor comum, pela sigla mdc.
Entre essas operações, muitas são bem definidas em todos os conjuntos numéricos, desde os naturais até os complexos. Algumas não exatamente da mesma maneira, como a divisão, que nos conjuntos e produz quociente e resto, mas resulta apenas quociente nos demais conjuntos numéricos.
Fechamento de um conjunto em relação a uma operação
Considera-se um conjunto numérico K fechado em relação a uma operação aritmética se essa operação gera apenas resultados pertencentes a K, quando aplicada a seus elementos.
Representando por uma operação aritmética genérica, um conjunto K é fechado em relação a se, e somente se:
Nessa implicação lógica, e representam números do conjunto K e representa o resultado produzido pela operação aplicada aos números e .
O conjunto , por exemplo, é fechado em relação à adição, à multiplicação, à potenciação, ao mmc e ao mdc, mas não é fechado em relação à operação de subtração.
Quando um conjunto K não é fechado em relação a alguma operação , a concepção de número pode ser ampliada para abranger o significado dos resultados que escapam de K. E assim, a partir dos elementos de , podem ser construídos os demais conjuntos numéricos , , e .
Operações comutativas e associativas
As propriedades comutativa e associativa de uma operação aritmética dizem respeito à ordem ou posição dos números que participam da operação.
A comutatividade de uma operação pode ser observada nos resultados de sua aplicação aos pares de números. Uma operação é comutativa quando e produzem o mesmo resultado, quaisquer que sejam os números e .
Já a associatividade de uma operação precisa ser observada nos resultados de sua aplicação a uma sucessão de pelo menos três números. Uma operação é associativa quando e produzem o mesmo resultado, quaisquer que sejam os números , e . De modo que, se uma operação é associativa, não há necessidade de indicar por parênteses em qual ordem ela deve ocorrer, pois pode ser calculado tanto da direita para a esquerda quanto da esquerda para a direita sem modificação no resultado.
Os números como soluções de equações
Na linguagem matemática, muitas perguntas podem ser expressas por sentenças algébricas em que um valor desconhecido deve ser encontrado. Essas sentenças são chamadas de equações. Veja alguns exemplos no quadro a seguir.
| Pergunta | Equação |
|---|---|
| Qual número deve ser somado ao número 3 para se obter o número 9? | |
| Qual número deve ser multiplicado por 3 para se obter o número 15? | |
| Qual número deve ser elevado ao expoente 3 para se obter o número 64? |
Todas as equações do quadro foram enunciadas usando apenas números naturais (3, 9, 15 e 64) e possuem soluções que também são números naturais. Essas soluções resultam das aplicações das operações contrárias, respectivamente, à adição, multiplicação e potenciação, que são, nessa ordem, as operações de subtração, divisão e radiciação:
Mas nem toda equação enunciada com números naturais admite solução natural. Veja alguns exemplos no quadro a seguir.
| Pergunta | Equação |
|---|---|
| Qual número deve ser somado ao número 9 para se obter o número 4? | |
| Qual número deve ser multiplicado por 4 para se obter o número 9? | |
| Qual número deve ser multiplicado por 9 para se obter o número 4? | |
| Qual número deve ser elevado ao expoente 4 para se obter o número 9? |
Observe que os resultados destas equações não pertencem ao conjunto dos números naturais:
A solução da equação é um número negativo.
A solução da equação é um número que se escreve com apenas duas casas decimais.
A solução da equação é um número que, para ser escrito na forma decimal, precisa de uma quantidade infinita de casas decimais repetidas. Representações numéricas desse tipo são chamadas de dízimas periódicas.
A equação tem como solução um número que, para ser escrito na forma decimal, precisa de uma quantidade infinita de casas decimais em que não se observa padrão de repetição algum. Números desse tipo são chamados de irracionais.
De tais resultados, derivam-se novas formas de representações numéricas que estudaremos no decorrer do capítulo.
Os números naturais
O conjunto dos números naturais pode ser definido por duas teorias diferentes: a ordinal e a cardinal. As diferenças de interpretação desses tipos de números naturais são tão profundas que as palavras usadas na língua portuguesa para designar os numerais de cada tipo pertencem a classes gramaticais diferentes.
| Numeral ordinal |
|---|
| Primeiro (1º) |
| Segundo (2º) |
| Terceiro (3º) |
| Numeral cardinal |
|---|
| Zero (0) |
| Um (1) |
| Dois (2) |
| Três (3) |
Os números cardinais
A cardinalidade de um conjunto finito é a quantidade de elementos distintos que ele possui. Indica-se por a cardinalidade de um conjunto K.
Por exemplo, considere os conjuntos A dos meses do ano e J dos dias do mês de janeiro. Repare que, mesmo não tendo elementos numéricos, esses conjuntos definem números:
O número natural cardinal é aquele capaz de indicar a quantidade de elementos de um conjunto finito. Esse tipo de interpretação do número natural é o que há de comum entre dois conjuntos de elementos completamente diferentes, por exemplo, o conjunto dos gases nobres da tabela periódica e o conjunto das bandas do espectro luminoso estudado por Newton.
A construção formal do conjunto desses números naturais está fundamentada sobre dois conceitos da teoria dos conjuntos, que são o número zero e a relação de sucessão.
- O número zero indica a quantidade de elementos do conjunto vazio: .
- A relação de sucessão é a que existe entre as cardinalidades de um conjunto K e do conjunto que se obtém acrescentando-se um único elemento ao conjunto K.
Com base nesses conceitos, enunciam-se os seguintes postulados:
- Zero é um número natural.
- Todo número natural possui sucessor.
- Zero não é sucessor de nenhum número natural.
- Não há dois números naturais diferentes que possuam o mesmo sucessor.
- Se um conjunto numérico possui o número zero e o sucessor de qualquer um de seus elementos, então esse é exatamente o conjunto dos números naturais.
Este último postulado é conhecido como o Princípio da Indução Matemática.
Os números ordinais
Estes numerais servem de ferramenta para localização espacial, como na frase “Vire na 3ª rua à esquerda”, ou temporal, como em “Março é o 3º mês do ano”.
Observe que tanto a 3ª rua quanto o 3º mês são únicos em suas existências e que, nesses casos, o número 3 foi utilizado para indicar apenas uma unidade. Essa é a característica principal de um número natural ordinal.
Independentemente da interpretação, cardinal ou ordinal, dois números naturais são denominados consecutivos se diferem em apenas uma unidade.
Além disso, é um conjunto numérico discreto. Isso significa que, entre dois números naturais consecutivos, não há nenhum outro número natural. Considere a ordem de chegada dos atletas que participam de uma corrida e observe, por exemplo, que não existe colocação intermediária entre o 3º e o 4º lugar.
Em linguagem matemática:
Defasagem cardinal ordinal
Usamos o asterisco para diferenciar os conjuntos de números naturais cardinais e ordinais. Assim:
Em todos os demais conjuntos numéricos, o asterisco é usado para indicar que o número zero não é elemento do conjunto considerado.
É importante observar que há uma defasagem entre os elementos desse conjunto. Do fato de zero ser o primeiro número natural decorre que o número 12 é o 13º número natural, por exemplo.
A defasagem entre os elementos desses conjuntos é a responsável pelo ano de 2020 pertencer ao século 21, entre outros exemplos cotidianos.
Exercício resolvido 1
Responda às perguntas a seguir.
- Quantos números naturais podem ser contados a partir do número 10 até o número 100?
- Quantos números naturais existem entre os números 10 e 100?
Exercício resolvido 2
Uma corrida de rua disputada pelas crianças de um condomínio tinha as seguintes regras: na largada todas as crianças deveriam estar com uma das mãos encostadas no primeiro poste da calçada de um dos lados da rua, e a criança que encostasse primeiro a mão no oitavo poste dessa mesma calçada venceria a corrida.
A distância do primeiro para o segundo poste é de 50 metros, do segundo para o terceiro, 70 metros, do terceiro para o quarto, 90 metros, e assim por diante, ou seja, as distâncias entre dois postes consecutivos aumentam de vinte em vinte metros.
Com esses dados, podemos afirmar que a corrida toda tem:
- 190 metros.
- 210 metros.
- 770 metros.
- 960 metros.
- 1 170 metros.
Operações com números naturais
Como já foi mencionado, esse conjunto numérico é fechado em relação às operações de adição, multiplicação, potenciação, mínimo múltiplo comum e máximo divisor comum. Isso significa que, sendo e dois números naturais quaisquer:
Mas o conjunto não é fechado em relação às operações de subtração, divisão, radiciação e extração de logaritmos. Por isso devem ser estabelecidas condições de existência (CE) para a execução dessas operações, com os elementos de .
Adição em
A operação de adição pode ser aplicada a qualquer quantidade de números naturais. Os números que participam da adição são chamados de parcelas, e o resultado da operação é chamado de soma.
Representando por o sucessor de um número natural , a operação de adição começa a ser definida pelas seguintes proposições:
A primeira sentença define o número zero como o elemento neutro da operação, e da segunda sentença deve-se entender que não existe número natural maior que e menor que .
Representando por o sucessor de outro número natural , a operação de adição fica finalmente definida por:
Além das sentenças que a definem, a adição possui as propriedades comutativa e associativa:
Subtração em
A operação de subtração é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da subtração são o minuendo e o subtraendo, e o resultado é chamado de diferença ou de resto.
O minuendo designa o número que será reduzido de certa quantidade que, por sua vez, é indicada pelo subtraendo da operação.
Sendo e dois números naturais, a diferença só é possível nesse conjunto se o número for maior ou igual ao número .
A impossibilidade da subtração em outra ordem caracteriza essa operação como não sendo comutativa nem associativa. E como , algumas propriedades devem ser observadas.
Veja:
O número zero funciona como elemento neutro da subtração apenas no lugar do subtraendo:
O número zero também é o resultado da subtração de dois números iguais:
A subtração é a operação contrária da adição. Isso significa que, sendo , e números naturais:
Multiplicação em
A operação de multiplicação pode ser aplicada a qualquer quantidade de números naturais. Os números que participam da multiplicação são chamados de fatores, e o resultado da operação é chamado de produto.
A operação de multiplicação começa a ser definida pelas seguintes proposições:
A primeira sentença define o número 1 como o elemento neutro da operação, e a segunda mostra que a multiplicação de qualquer número por zero resulta no próprio zero.
Representando por o sucessor do natural , a operação de multiplicação fica finalmente definida por:
Dessa última expressão deduzem-se as propriedades distributivas da multiplicação em relação à adição e à subtração:
Além das sentenças que a definem, a multiplicação também possui as propriedades comutativa e associativa:
Divisão euclidiana em
A operação de divisão é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da divisão são o dividendo e o divisor, e os resultados são chamados de quociente e de resto.
No esquema a seguir, o dividendo designa a quantidade que será repartida em partes iguais, o divisor indica quantas são essas partes, o quociente indica o valor de cada uma delas e o resto indica quantas unidades sobram da partição.
Sendo e dois números naturais, a divisão por só é possível, nesse conjunto, se o número for diferente de zero. Neste caso, para garantir que os valores do quociente e o resto sejam corretamente obtidos, duas relações algébricas devem ser verificadas, uma de igualdade e outra de desigualdade:
Observe que a relação de desigualdade não pode ser verificada quando , pois não há número natural que satisfaça . Note também que, como , o valor de , que satisfaz a igualdade , deve ser máximo.
Exercício resolvido 3
Considere o maior número inteiro de dois algarismos que satisfaz às seguintes condições:
- dividindo-se o número por 5, obtém-se resto igual a 3;
- dividindo-se por 5 o número formado pelos mesmos algarismos de só que em ordem contrária, o resto obtido é igual a 2.
Nessas condições, a soma dos quadrados dos algarismos que formam o número é igual a:
- 113
- 100
- 85
- 29
- 14
Exercício resolvido 4
Qual é o 2 017º algarismo da forma decimal de ?
- 1
- 4
- 2
- 8
- 5
Múltiplos e divisores
Uma relação especial pode ser observada quando o resto da divisão de um número por um número é igual a zero. Ela é designada pelos termos múltiplo e divisor:
Quando isso acontece, escreve-se que pode ser lido como “ divide ”.
Dado um número natural qualquer , o conjunto dos múltiplos naturais desse número pode ser obtido multiplicando-o por todos os números naturais.
Observe que, com exceção de , todos os demais conjuntos M possuem infinitos elementos. Além disso, nota-se também que o zero pertence a todos , sendo o único elemento menor que o próprio .
Exercício resolvido 5
Bruno é um rapaz muito supersticioso. Um bom exemplo disso é a senha de quatro algarismos que ele escolheu para o seu cartão de crédito. Na senha de Bruno, não aparecem os algarismos 1 e 3, mas tanto o número formado pelos dois primeiros algarismos quanto o número formado pelos algarismos centrais e o número formado pelos dois últimos algarismos são múltiplos de 13.
Se os algarismos extremos da senha do cartão de Bruno são iguais, então, na senha do cartão de Bruno, a soma do maior algarismo com o menor algarismo deve ser igual a:
- 12
- 11
- 10
- 9
- 8
Vamos encontrar o conjunto dos divisores naturais de um número . Para isso, é necessário encontrar todos os valores de para os quais .
Observe que, exceto , todos os demais conjuntos D são finitos. Além disso, temos que a unidade e pertencem a todo e que não há no conjunto elemento maior que o próprio .
MDC
O máximo divisor comum de dois números naturais e é igual ao maior elemento positivo pertencente a ambos os conjuntos e .
Sejam e , por exemplo:
- o conjunto dos divisores de 12 é ;
- o conjunto dos divisores de 18 é ;
- o conjunto dos divisores comuns de 12 e 18 é ;
- o maior número positivo desse conjunto de divisores comuns é .
Essa operação possui as propriedades comutativa e associativa:
Além delas, é importante observar que, se , então:
No caso de o número ser múltiplo do número :
Quando o único divisor comum entre dois números naturais e é a unidade, dizemos que e são números primos entre si ou primos relativos um ao outro.
Sejam e , por exemplo:
- o conjunto dos divisores de 9 é ;
- o conjunto dos divisores de 10 é ;
- o conjunto dos divisores comuns de 9 e 10 é ;
- o único elemento desse conjunto de divisores comuns é .
Portanto, 9 e 10 são números primos entre si.
MMC
O mínimo múltiplo comum de dois números naturais e é igual ao menor elemento positivo pertencente a ambos os conjuntos e .
Sejam e , por exemplo:
- o conjunto dos múltiplos de 12 é ;
- o conjunto dos múltiplos de 18 é ;
- o conjunto dos múltiplos comuns de 12 e 18 é ;
- o menor número positivo desse conjunto de múltiplos comuns é .
Essa operação possui as propriedades comutativa e associativa:
Além delas, é importante observar que:
No caso de o número ser múltiplo do número :
No caso de e serem números primos entre si:
Exercício resolvido 6
Marcos pegou um caderno quadriculado e com uma régua uniu os vértices opostos de um retângulo de seis por quatro unidades, verificando que o segmento traçado passava sobre um único ponto da malha quadriculada situada no interior do retângulo, como mostra a figura:
Se Marcos tivesse unido os vértices opostos de um retângulo de quinze por vinte unidades, o segmento traçado passaria por exatamente quantos pontos da malha quadriculada situada no interior desse retângulo?
- 2
- 3
- 4
- 5
- 6
Exercício resolvido 7
Marina, irmã de Marcos, também tomou um retângulo de seis por quatro unidades do caderno quadriculado, mas fez um traçado diferente. Partindo do vértice inferior esquerdo do retângulo, ela traçou uma linha reta sobre as diagonais dos quadrados até que essa linha atingisse um dos limites laterais do retângulo. Quando isso aconteceu, ela mudou a direção de seu traçado, mantendo-o sempre sobre as diagonais dos quadrados no interior do retângulo, até atingir outro vértice desse retângulo, como mostra a figura:
Depois que Marina terminou seu desenho, ela verificou que havia traçado as diagonais de exatamente doze quadrados da malha. Se tivesse procedido dessa forma num retângulo de quinze por vinte unidades, ela teria traçado as diagonais de exatamente:
- 30 quadrados da malha.
- 40 quadrados da malha.
- 45 quadrados da malha.
- 50 quadrados da malha.
- 60 quadrados da malha.
Divisão sem resto em
Quando um número é múltiplo de um número , o resto da divisão de por é nulo. Nesse caso, pode-se representar o quociente da divisão como .
- é múltiplo de
- não é múltiplo de
Trata-se de uma operação não comutativa, pois, se , então não é múltiplo de , o que torna impossível o quociente no conjunto dos números naturais.
Também não é uma operação associativa, uma vez que .
As propriedades a seguir servem para contornar essa desigualdade:
A unidade funciona como elemento neutro dessa divisão apenas no lugar do divisor:
A unidade também é o resultado de um número positivo dividido por ele mesmo:
A divisão é a operação inversa da multiplicação. Isso significa que, sendo , e números naturais:
Números primos e números compostos
Um número natural é considerado primo absoluto ou simplesmente número primo se, e somente se, possuir exatamente dois divisores naturais distintos. Assim:
- O número 0 não é primo, pois possui infinitos divisores naturais. .
- O número 1 também não é primo, pois possui apenas um divisor natural. .
- O número 2 é primo, pois possui exatamente dois divisores naturais. .
- O número 3 também é primo, pois possui exatamente dois divisores naturais. .
- O número 4 não é primo, pois possui três divisores naturais. .
- O número 5 é primo, pois possui exatamente dois divisores naturais. .
- O número 6 não é primo, pois possui quatro divisores naturais. .
Os números naturais que possuem mais de dois divisores são chamados de compostos. Assim, de acordo com a quantidade de divisores, os números naturais podem ser classificados em três categorias:
- Números que não são primos nem são compostos: 0 e 1.
- Números primos: 2, 3, 5, 7, 11, 13, …
- Números compostos: 4, 6, 8, 9, 10, 12, 14, …
Se , então é primo ou composto.
Se um número natural é primo, então seus dois únicos divisores naturais são o número 1 e o próprio número :
- é primo
Se um número natural é resultado do produto de dois números primos diferentes e , então os divisores desse número são:
Essa e outras características dos números primos e compostos são de grande utilidade para a ciência da criptografia, tão necessária nos dias de hoje.
O teorema fundamental da Aritmética garante que todo número composto é resultado do produto de uma única combinação de números primos. É fácil perceber que e são as únicas combinações de fatores que resultam em 4 e 6, mas pense em um número maior, como 3 628 800. O fato de ser a única sucessão crescente de fatores primos que resulta em 3 628 800 é mais difícil de se verificar.
Critérios de divisibilidade
Em alguns casos, pode-se perceber que um número composto é divisível por um número primo, mesmo sem efetuar a divisão euclidiana.
Observando o valor do algarismo das unidades de um número natural, verifica-se se ele é divisível por 2 ou 5:
- Números cujo último algarismo é 2, 4, 6, 8 ou 0 são divisíveis por 2.
- Números cujo último algarismo é 5 ou 0 são divisíveis por 5.
Observando a soma dos algarismos de um número natural, verifica-se se ele é divisível por 3. Números cuja soma dos algarismos é 3, 6 ou 9 são divisíveis por 3. Se a soma dos algarismos for maior que 9, então, os algarismos do resultado devem ser somados novamente, e assim sucessivamente, até que o resultado tenha apenas um algarismo. Pode-se perceber que o número 3 628 800 é múltiplo de 3, por exemplo, pois:
Subtraindo e somando, alternadamente e nessa ordem, os algarismos de um número natural, verifica-se se ele é divisível por 11 quando o resultado final dessas operações é zero e, caso este resultado seja maior que 9, então as operações alternadas devem ser feitas novamente, até que o resultado tenha apenas um algarismo. Exemplos:
- 2 453 é múltiplo de 11, pois .
- 64 589 não é múltiplo de 11, pois .
- 7 092 954 é múltiplo de 11, pois e .
Também é possível perceber se um número composto é divisível por outro número composto, sem efetuar a divisão euclidiana. Exemplos:
- Números que terminam com 0 são sempre divisíveis por 10.
- Números cuja metade termina com 2, 4, 6, 8 ou 0 são sempre divisíveis por 4.
- Números cuja soma dos algarismos é igual a 9 são sempre divisíveis por 9. Se a soma dos algarismos for maior que 9, então os algarismos do resultado devem ser somados novamente, e assim sucessivamente, até que o resultado tenha apenas um algarismo.
Além disso, se um número natural é divisível por dois números e que são primos entre si, ou seja, tais que , então também é divisível pelo produto . Exemplos:
- Números que são divisíveis por 2 e por 3 também são divisíveis por .
- Números que são divisíveis por 3 e por 4 também são divisíveis por .
- Números que são divisíveis por 3 e por 5 também são divisíveis por .
- Números que são divisíveis por 2, por 3 e por 5 também são divisíveis por .
Nos casos em que , essa propriedade não se verifica. Veja o exemplo do número , que é divisível por e por , mas não é divisível por :
Decomposição em fatores primos
Todo número composto pode ser decomposto em fatores primos efetuando-se sucessivas divisões sem resto por cada número primo do qual seja múltiplo, tantas vezes quantas forem possíveis. O número 3 628 800, por exemplo, pode ser dividido por 2 oito vezes sucessivas. Depois, o resultado dessas divisões pode ser dividido por 5 duas vezes sucessivas, depois, por 3 mais quatro vezes e finalmente por 7, até que o quociente final seja unitário. Observe a decomposição do número 3 628 800:
Nessa decomposição, por exemplo, também pode-se efetuar as divisões por 3 antes das divisões por 5, mas o fato é que a ordem dos fatores primos não importa, pois a multiplicação é uma operação comutativa. Desse modo, podemos efetuar as divisões como preferirmos, considerando, por exemplo, uma identificação mais rápida dos critérios de divisibilidade.
O algoritmo da decomposição tem duas colunas. A coluna da esquerda começa com o número a ser decomposto e segue com os quocientes das divisões até que o resultado seja igual a 1, e na coluna da direita escrevem-se os números primos que são os divisores no algoritmo.
Como o penúltimo número da coluna da esquerda sempre será um número primo, e ele pode ser relativamente grande, é recomendável que se tenha um bom repertório de números primos memorizados.
Os números primos menores, que possuem apenas um algarismo, são 2, 3, 5 e 7.
O quadro a seguir mostra a distribuição dos números primos de dois algarismos:
| Unidade 1 | Unidade 3 | Unidade 7 | Unidade 9 | |
|---|---|---|---|---|
| Dezena 1 | 11 | 13 | 17 | 19 |
| Dezena 2 | 23 | 29 | ||
| Dezena 3 | 31 | 37 | ||
| Dezena 4 | 41 | 43 | 47 | |
| Dezena 5 | 53 | 59 | ||
| Dezena 6 | 61 | 67 | ||
| Dezena 7 | 71 | 73 | 79 | |
| Dezena 8 | 83 | 89 | ||
| Dezena 9 | 97 |
Exercício resolvido 8
Assinale a alternativa que apresenta um número que não pode ser obtido da soma dos algarismos de um número primo menor que 100.
- 5
- 7
- 11
- 13
- 15
Números fatoriais
Chamamos os números que resultam do produto entre os primeiros números naturais positivos de números fatoriais. Indica-se o fatorial de um número natural usando-se um ponto de exclamação (!).
Assim:
E para todo :
Os números fatoriais maiores que 2 tendem a possuir muitos divisores. Comparando-se dois números fatoriais diferentes, pode-se afirmar que, se , então:
- é múltiplo de
- é divisor de
Potenciação
A operação de potenciação é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da potenciação são a base e o expoente. O resultado é chamado de potência.
Sendo um número natural qualquer, a operação de potenciação começa a ser definida pelas seguintes proposições:
A primeira sentença define que toda base elevada ao expoente zero resulta no número 1, e a segunda define que o número 1 funciona como expoente neutro.
Representando por o sucessor de outro número natural , fica definido que:
Também é possível definir a potência de base e expoente como o resultado da multiplicação sucessiva do número 1 por fatores iguais a :
Exemplos:
Esses exemplos mostram que a potenciação não é uma operação comutativa, ou seja, com apenas uma exceção em : e .
A potenciação tem propriedade distributiva em relação às operações de multiplicação e divisão:
O produto de potências de mesma base é obtido conservando-se a base e adicionando-se os expoentes:
O quociente de potências de mesma base é obtido conservando-se a base e subtraindo-se os expoentes:
A potenciação é usada para abreviar a notação decomposta de um número natural, como 3 628 800, por exemplo, cujos fatores são . Na forma abreviada pela potenciação, esse número fica expresso por .
Exercício resolvido 9
Se a soma possui 2 021 parcelas, então o total é de:
Quadrados perfeitos e cubos perfeitos
Devido ao seu uso no cálculo de áreas e volumes, as potências de expoentes 2 e 3 são também chamadas de “quadrados” e “cubos”, respectivamente.
- A segunda potência de uma base é indicada por e pode ser lida como “ ao quadrado”.
- A terceira potência de uma base é indicada por e pode ser lida como “ ao cubo”.
Com estes termos podem ser definidos dois importantes subconjuntos dos números naturais:
- O conjunto dos quadrados perfeitos
- O conjunto dos cubos perfeitos
Exercício resolvido 10
O menor número inteiro que pode ser escrito como a soma de dois quadrados perfeitos, de duas formas diferentes, é o número 50.
Qual é o próximo?
- 58
- 64
- 85
- 89
- 92
Radiciação e logaritmos em
A operação de radiciação ou extração de raízes é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da radiciação são o índice do radical e o radicando. O resultado é chamado de raiz.
O índice do radical designa a ordem da radiciação, e o radicando, o número do qual será extraída a raiz.
Sendo e números naturais, a notação radical só é possível nesse conjunto se o número for a -ésima potência de algum número natural , de modo que a radiciação se presta como uma das operações contrárias da potenciação:
O número 1 funciona como elemento neutro no lugar do índice do radical, de modo que a primeira raiz de um número natural é igual a ele mesmo, ou seja, .
Quando o índice do radical é igual a 2, ele pode ser omitido, ou seja, . A segunda raiz de um número é denominada sua raiz quadrada, e os únicos números que possuem raiz quadrada natural são os quadrados perfeitos.
A terceira raiz de um número é denominada sua raiz cúbica, e os únicos números que possuem raiz cúbica natural são os cubos perfeitos.
A radiciação não é uma operação associativa e nem comutativa, mas possui propriedade distributiva em relação à multiplicação e à divisão:
Além dessas propriedades, também é fato que:
A extração de logaritmos é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam dessa operação são o logaritmando e a base. O resultado é chamado de logaritmo.
Dada uma base , os únicos números do conjunto que possuem logaritmos nessa base são as potências de , ou seja, os números do conjunto .
O logaritmo também se presta como operação inversa da potenciação:
A extração de logaritmos não é uma operação associativa nem comutativa, mas possui uma série de propriedades importantes, que serão estudadas em outra ocasião. Veja alguns exemplos comparando resultados de potenciações às suas duas operações contrárias: a extração de raízes e de logaritmos.
Exercício resolvido 11
Se e , então os índices e das raízes são tais que:
Os números inteiros
O conjunto dos números inteiros extrapola o conceito de número natural admitindo a existência de números cardinais menores que zero, denominados inteiros negativos. Com isso, os números naturais maiores que zero passam a ser chamados de inteiros positivos.
Nesse conjunto, o zero é o único número que não é positivo nem negativo. Os números inteiros negativos são obrigatoriamente precedidos pelo sinal , e os números positivos podem ser precedidos pelo sinal ou sem sinal algum.
Um dos principais subconjuntos de é o conjunto dos números inteiros não nulos:
Esse subconjunto dos números inteiros também apresenta características ordinais, pois não possui o zero. Desse modo, pode-se contar em dois sentidos opostos, como se faz no ocidente para numerar os séculos da história, por exemplo. Os séculos negativos são indicados por a.C., os positivos, por d.C., e não há o século zero.
Além dos inteiros não nulos, outros quatro subconjuntos de merecem atenção.
O conjunto dos números inteiros positivos:
O conjunto dos números inteiros negativos:
O conjunto dos números inteiros não negativos:
O conjunto dos números inteiros não positivos:
Exercício resolvido 12
A expansão da República Romana para além da península Itálica teve seu início no século III a.C. e término em meados do século IV d.C. Em quantos séculos da nossa história podemos afirmar que houve tal expansão?
- 2
- 3
- 5
- 7
- 8
Oposto do número natural
Cada número inteiro negativo é concebido como o oposto, ou simétrico, de um número natural e o sinal indica essa oposição. Assim:
- indica o oposto do número 1;
- indica o oposto do número 2;
- indica o oposto do número 3;
- indica o oposto do número .
Em , o único número que não possui oposto é o número zero.
A relação de oposição é dual. Isso significa não haver uma terceira opção para essa relação, de modo que os opostos dos números inteiros negativos sejam os números positivos. Assim:
- 1 indica o oposto do número ;
- 2 indica o oposto do número ;
- 3 indica o oposto do número ;
- indica o oposto do número .
Portanto, o oposto do oposto de um número deve ser o próprio número , ou seja, . Perceba que todas essas afirmações são válidas para qualquer sinal de .
Orientação ordinal
Entre as contribuições proporcionadas pelo advento dos números negativos está a ampliação do aspecto ordinal do número que adquire dupla orientação em relação a uma referência original, que pode ser espacial, temporal etc.
Veja o exemplo da escala Celsius de temperatura, em que o número zero é fixado como a temperatura de congelamento da água e as temperaturas mais frias são designadas por graus negativos, enquanto as mais quentes, por graus positivos, de modo que cada grau negativo corresponda à mesma variação de temperatura que cada grau positivo, mas em outro sentido.
No conjunto , o número zero é sucessor do número que, por sua vez, é o sucessor do número , e assim por diante. Nesse conjunto todo elemento possui um sucessor e um antecessor.
Módulo de um número inteiro
Todo número ordinal está associado a dois números inteiros distintos, e , de modo que entre eles esteja o número zero e exatamente a mesma quantidade de números positivos e negativos.
| Natural ordinal (nº) | Inteiro positivo () | Inteiro negativo () | Inteiros entre e |
|---|---|---|---|
| 1º | 0 | ||
| 2º | |||
| 3º | |||
| 4º | |||
Em contrapartida, eliminando a orientação positiva/negativa de dois números inteiros opostos, obtém-se sempre o mesmo número ordinal. Chamamos de módulo de um número inteiro, ou valor absoluto de um número inteiro, o número natural que se obtém ao eliminar o sinal de um número inteiro. O módulo é representado por duas barras verticais, assim, o módulo do número é indicado por .
Operações com números inteiros
O conjunto é fechado em relação às operações de adição, subtração e multiplicação. Assim, sendo e dois números inteiros quaisquer:
Outras operações entre números inteiros, como a potenciação, por exemplo, podem gerar resultados que escapam desse conjunto.
Adição em
No conjunto , a adição admite todas as propriedades que a definem no conjunto . A novidade é a existência de opostos aditivos, ou seja, pares de números cuja soma resulte no elemento neutro da operação: o número zero.
A soma de dois números inteiros e de mesmo sinal tem o mesmo sinal das parcelas.
A soma de dois números positivos equivale à soma de dois números naturais. Exemplo:
A soma de dois números negativos é negativa, sendo que seu módulo é igual à soma dos módulos das parcelas. Exemplo:
Para efetuar a adição de dois números inteiros com sinais diferentes, é necessário verificar qual deles possui o maior módulo. O sinal do número de maior módulo será o sinal da soma, e o módulo da soma será igual à diferença absoluta dos módulos das parcelas. Observe:
Eliminando o sinal das parcelas, ficamos com os números 3 e 5, cuja diferença absoluta é de 2 unidades. Então, como , o resultado final fica com o mesmo sinal da parcela 5.
Subtração em
Cada número negativo em si pode ser tomado como o resultado da subtração de minuendo zero e algum subtraendo natural. Observe que:
Mas, de forma prática, no conjunto a subtração também pode ser interpretada como uma adição, desde que se tome para a segunda parcela o valor oposto ao subtraendo.
A subtração não é uma operação comutativa, por isso é diferente de quando e são números inteiros diferentes um do outro. Os valores de e são opostos, ou seja, .
Observando o fato de esses valores terem o mesmo módulo, pode-se concluir que a diferença absoluta de dois números inteiros é uma operação comutativa:
Multiplicação em
A operação de multiplicação de números inteiros admite todas as propriedades que a definiram no conjunto , além das seguintes regras de sinal:
Efetuando a multiplicação de números inteiros, observa-se que o módulo do produto é igual ao produto dos módulos dos fatores:
E, além disso, que:
- O produto de dois números inteiros de mesmo sinal é sempre positivo.
- O produto de dois números inteiros de sinais contrários é sempre negativo.
Divisão sem resto em
Neste conjunto numérico também acontece de um número ser múltiplo de um número . Nesse caso, o resto da divisão é nulo e pode-se representar o quociente da divisão como , em que vale a mesma regra de sinais da multiplicação:
Máximo divisor comum (mdc) e mínimo múltiplo comum (mmc)
Com a inclusão dos números negativos, os conjuntos dos múltiplos e dos divisores de um número adquirem novos elementos.
O conjunto dos divisores de 12, por exemplo, é igual ao conjunto dos divisores de :
Assim como o conjunto dos divisores de 18 é igual ao conjunto dos divisores de :
O conjunto dos múltiplos de é igual ao conjunto dos múltiplos de 12:
Assim como o conjunto dos múltiplos de é igual ao conjunto dos múltiplos de 18:
O máximo divisor comum de dois números inteiros segue a mesma definição dada no conjunto dos números naturais, pois os números positivos são maiores que os negativos.
Por conveniência, toma-se o mínimo múltiplo comum de números inteiros como um valor positivo, quaisquer que sejam os sinais dos números envolvidos. Observe que, se os múltiplos negativos fossem incluídos como possibilidade para o mmc, a definição desta operação não encontraria resultado algum, pois o conjunto dos múltiplos inteiros de qualquer número diferente de zero decresce infinitamente.
Potenciação em
A potenciação não é uma operação fechada em , porque as potências de bases inteiras e expoentes negativos escapam desse conjunto.
Em relação às potências de base negativa e expoente positivo, aplica-se a regra de sinais da multiplicação, que dependerá exclusivamente da quantidade de fatores envolvidos, indicada pelo expoente da potenciação.
Assim, se o expoente for par, então a potência será positiva, mas se o expoente for ímpar a potência será negativa. Exemplos:
As bases negativas devem ser indicadas entre parênteses, caso contrário o sinal que antecede a potenciação também será o sinal do resultado, pois, nesse caso, tem-se o inverso de uma potência de base positiva. Exemplos:
Exercício resolvido 13
O número de soluções inteiras da equação é:
- 6
- 5
- 4
- 3
- 2
Radiciação em
A radiciação também não é uma operação fechada no conjunto dos números inteiros, exceto quando o radicando é unitário. Os radicais de índices negativos não pertencem a este conjunto.
- e
Além disso, se o radicando for negativo, as únicas raízes que podem gerar um resultado inteiro são aquelas cujos índices naturais não são divisíveis por 2, desde que o radicando seja uma potência adequada. Nesse caso, a raiz também será um número negativo. Exemplos:
Como a radiciação é uma das operações contrárias da potenciação, para resolver algumas equações também é necessário observar se o expoente é, ou não, múltiplo de 2.
| Pergunta | Equação | Solução |
|---|---|---|
| Qual número inteiro deve ser elevado à segunda potência para se obter o número ? | ||
| Qual número inteiro deve ser elevado à segunda potência para se obter o número ? | Não há solução. | |
| Qual número inteiro deve ser elevado à terceira potência para se obter o número ? | ||
| Qual número inteiro deve ser elevado à terceira potência para se obter o número ? |
Assim, se a segunda potência de um número inteiro for um quadrado perfeito, por exemplo, então o valor de pode ser positivo ou negativo.
Divisão com resto em
Neste conjunto numérico, o algoritmo da divisão euclidiana também deve produzir quociente e resto. O sinal do quociente obedece à mesma regra de sinais da multiplicação, mas o resto produzido não pode ser negativo, ele independe dos sinais do dividendo e do divisor.
É necessário observar que o resto deve representar quanto o dividendo ultrapassa o maior múltiplo do divisor que seja inferior a . Veja os exemplos a seguir.
Dividendo e divisor positivos:
Dividendo positivo e divisor negativo:
Dividendo negativo e divisor positivo:
Dividendo e divisor negativos:
Ideais e laterais
Todo número natural está associado a um conjunto de números inteiros cujos elementos são os resultados das multiplicações de todos os números inteiros por . Trata-se do conjunto dos múltiplos inteiros do número , que podemos indicar por .
Assim, se o conjunto possui todos os múltiplos de 13, por exemplo, esse conjunto fica representado por .
O único conjunto finito que pode ser obtido dessa forma ocorre quando , pois .
Se , o conjunto resultante desse processo é o próprio conjunto dos números inteiros, .
Todos os outros valores de geram conjuntos com uma infinidade de elementos denominados múltiplos de :
Sendo um número natural, os conjuntos do tipo são chamados de “ideais” por serem fechados às operações de adição, subtração e multiplicação. Assim, sendo e dois elementos de um mesmo ideal , tem-se que:
Vamos demonstrar essas afirmações:
Considerando o ideal , se e são seus elementos, então devem existir inteiros e de modo que:
O conjunto é fechado em relação às operações de adição e subtração, pois:
O conjunto é fechado em relação à multiplicação, pois:
Além dessas propriedades de fechamento dos conjuntos ideais, toda potência de expoente ordinal de um elemento de também é elemento de e, em relação à divisão euclidiana, embora o quociente da divisão de por não seja, necessariamente, elemento do ideal , o resto da divisão certamente será elemento desse conjunto.
Vamos demonstrar a última afirmação.
Sendo o quociente da divisão de por e o resto dessa divisão:
Atenção
Considerando o conjunto com , por exemplo, as propriedades dos ideais, vistas até aqui, garantem que:
- Somando múltiplos de 13 obtêm-se múltiplos de 13.
- A diferença de dois múltiplos de 13 também é múltipla de 13.
- Multiplicando múltiplos de 13 obtêm-se múltiplos de 13.
- O resto da divisão de dois múltiplos de 13 também é múltiplo de 13.
Cada ideal , com está associado a exatamente subconjuntos de , denominados conjuntos “laterais”.
Particularmente, designa o conjunto dos números pares, cujo único conjunto lateral associado é o conjunto dos números ímpares, formado por todos os inteiros que deixam resto 1 quando divididos pelo número 2.
Os números ímpares podem ser definidos pela expressão , com , e trata-se do único lateral do conjunto dos números pares, porque o número 1 também é o único resto diferente de zero que pode ser obtido da divisão de um número inteiro pelo número 2.
- O conjunto dos números pares é .
- O conjunto dos números ímpares é .
Quando um número inteiro é dividido por 3, os possíveis restos da divisão são os números 1 e 2, por isso o ideal pode ser associado a dois conjuntos laterais diferentes:
- o conjunto dos números da forma , que deixam resto 1 quando divididos por 3;
- o conjunto dos números da forma , que deixam resto 2 quando divididos por 3.
Quando um número inteiro é dividido por 4, os possíveis restos da divisão são os números 1, 2 e 3, por isso o ideal pode ser associado a três conjuntos laterais diferentes:
- o conjunto dos números da forma ;
- o conjunto dos números da forma ;
- o conjunto dos números da forma .
Exercício resolvido 14
Determine o menor inteiro positivo que deixa resto 7 ao ser dividido por 12 e ao ser dividido por 15.
Resolução
Sendo tal número, do enunciado temos que e , ou seja, pertence a dois laterais distintos com defasagem de 7 unidades dos ideais e . Portanto:
Como tem-se que .
O menor elemento positivo desse conjunto é o número 60:
Exercício resolvido 15
Determine o menor número inteiro positivo de três algarismos N tais que:
- N dividido por 17 deixa resto 5; e
- N dividido por 27 deixa resto 22.
Resolução
Do enunciado, existem números inteiros positivos , e tais que:
Portanto, da igualdade pode-se concluir que é múltiplo de 17. Então:
Com , tem-se .
Com , tem-se .
Os números racionais
O conjunto dos números racionais vem suprir a necessidade de se anotarem quantidades intermediárias entre dois números inteiros consecutivos. Os termos “dois terços”, “três quartos” e “um quinto” são alguns exemplos de numerais que designam quantidades entre zero e um.
Como entre dois números racionais e distintos quaisquer existe uma infinidade de outros números racionais, este não é um conjunto numérico discreto, pois nenhum número racional possui sucessor ou antecessor no conjunto . Dizemos que o conjunto dos números racionais é “denso”.
Notação fracionária de um número racional
Juntando os sinais e aos dez algarismos do sistema decimal , obtém-se símbolos suficientes para representar qualquer número inteiro. Acrescentando-se a vírgula (,) e as reticências (...) a essa coleção de símbolos, torna-se possível representar os números que não são inteiros.
Em relação à representação decimal dos números racionais, eles podem ser separados em três categorias: a dos números inteiros, que não precisam ser escritos com o uso da vírgula, a dos números que possuem quantidade finita de casas decimais após a vírgula e a dos números que apresentam infinitas casas decimais após a vírgula. Estes últimos são conhecidos como dízimas periódicas.
- 3
- 3,3
- 3,3333...
Sendo X o conjunto dos números não inteiros que são representados com quantidade finita de casas decimais, e Y o conjunto das dízimas periódicas, o conjunto pode ser definido como a seguinte reunião de conjuntos: .
A forma de representação, o que todos os números racionais têm em comum, é chamada de fracionária. Todo número racional pode ser representado por uma fração de dois inteiros: o numerador e o denominador.
Por poderem ser representados dessa forma, o conjunto dos números racionais fica definido pela sentença .
O denominador de uma fração indica em quantas partes deve-se dividir a unidade, seja essa unidade positiva, seja negativa. O numerador indica quantas dessas partes de unidade devem ser tomadas, para se compreender o número racional que a fração expressa. Exemplos:
- A fração indica a quinta parte de uma unidade, ou seja, o valor que resulta da divisão do número 1 pelo número 5. Sua forma decimal é 0,2.
- A fração compreende duas das três partes iguais em que se divide uma unidade. Sua forma decimal é a dízima 0,6666....
- A fração é equivalente ao número inteiro 1, pois compreende todas as cinco partes iguais de uma única unidade.
Tipos de frações
Existem muitas frações , de diferentes numeradores e diferentes denominadores , que representam o mesmo número racional. Observe que:
Para verificar que todas essas frações representam o mesmo número, basta efetuar a divisão sem resto do numerador pelo denominador de cada uma e encontrar o quociente decimal 0,6.
Frações unitárias
Chama-se fração unitária toda fração cujo numerador é o número 1. Cada uma dessas frações representa um número denominado de recíproco ou inverso de algum número natural. Exemplos:
| Número | Fração unitária | Representação decimal |
|---|---|---|
| Recíproco de 2 | 0,5 | |
| Recíproco de 3 | 0,3333333333333333... | |
| Recíproco de 4 | 0,25 | |
| Recíproco de 5 | 0,2 | |
| Recíproco de 6 | 0,1666666666666666... | |
| Recíproco de 7 | 0,1428571428571428... | |
| Recíproco de 8 | 0,125 | |
| Recíproco de 9 | 0,1111111111111111... | |
| Recíproco de 10 | 0,1 | |
| Recíproco de 11 | 0,0909090909090909... | |
| Recíproco de 12 | 0,0833333333333333... | |
| Recíproco de 13 | 0,0769230769230769... | |
Frações decimais
São aquelas com denominadores que são potências de 10.
Exemplos: , , .
Frações próprias
São frações que apresentam o numerador menor que o denominador.
Exemplos: , , , , .
Frações impróprias
São frações que apresentam o numerador maior que o denominador.
Exemplos: , , , , .
Frações aparentes
São frações em que o numerador é múltiplo do denominador. Frações aparentes representam números inteiros.
Exemplos: , , , .
Frações redutíveis
São frações que indicam razões entre múltiplos de um mesmo número natural .
Exemplos:
O numerador e o denominador da fração são múltiplos de 2 ().
O numerador e o denominador da fração são múltiplos de 6 ().
O numerador e o denominador da fração são múltiplos de 25 ().
Frações irredutíveis
São frações formadas por dois números primos entre si, ou seja, números cujo maior divisor comum é 1.
Exemplos: ; ; .
As frações redutíveis podem ser simplificadas, até sua forma irredutível, dividindo-se ambos os seus termos pelo maior divisor comum entre eles. Veja:
Outras notações para os números racionais
A forma fracionária de um número racional deixa bem claro como a parte desejada deve ser obtida da unidade, porém não é muito eficiente quando se deseja comparar números racionais diferentes, a fim de decidir qual deles é o maior, por exemplo. Para isso, recomendam-se as formas decimais.
Forma decimal
Para encontrar a forma decimal, partindo da fracionária, basta que se execute a divisão do numerador da fração pelo denominador dela até que o resto final seja igual a zero, ou até que os restos parciais da divisão comecem a se repetir.
Se a divisão gerar resto zero, então o quociente obtido será o representante decimal da fração, mas se o resto começar a se repetir, então o quociente terá uma infinidade de algarismos que se repetirão periodicamente.
Exercício resolvido 16
Coloque os elementos do conjunto em ordem crescente.
Resolução
Efetuando as divisões indicadas por cada fração:
Como , a ordem crescente das frações será , , , e .
Mesmo não sendo necessário, na representação de um número decimal podemos escrever zeros à direita do último algarismo após a vírgula. A visualização da ordem crescente pode ficar mais clara se todos os números forem escritos com a mesma quantidade de casas decimais. Compare as colunas do seguinte quadro:
| Número mínimo de casas decimais | Mesmo número de casas decimais |
|---|---|
| 0,6 | 0,600 |
| 0,62 | 0,620 |
| 0,625 | 0,625 |
| 0,65 | 0,650 |
| 0,7 | 0,700 |
A notação monetária, por exemplo, padroniza a representação dos valores com duas casas decimais após a vírgula. Nos estudos da física e da química, muitos valores aproximados são representados com o uso de algarismos significativos. Nesse contexto, a representação 0,620 transmite uma aproximação mais precisa do que, por exemplo, a representação 0,62.
Em relação às representações periódicas dos números decimais, o uso de uma barra horizontal sobre os algarismos que se repetem à direita da vírgula é mais preciso do que o simples uso das reticências à direita do número.
Veja, por exemplo, como a cifra 0,4324... não deixa claro qual é o período da dízima que está sendo representada.
- Período: 4 (1 algarismo)
- Período: 24 (2 algarismos)
- Período: 432 (3 algarismos)
Mas, com o uso da barra horizontal, elimina-se esse tipo de ambiguidade:
- Período: 4
- Período: 24
- Período: 432
Frações geratrizes
Memorizar as dízimas periódicas oriundas de frações unitárias pode agilizar o processo de obtenção das frações geratrizes de outras dízimas periódicas. Assim:
- Saber que permite concluir, por exemplo, que .
- Saber que permite concluir, por exemplo, que .
- Saber que permite concluir, por exemplo, que .
Mas também existe um processo algébrico eficiente para se encontrar as frações geratrizes de dízimas periódicas.
Sendo o número de algarismos do período da dízima gerada por uma fração F, o primeiro passo do processo é multiplicar a dízima por .
O segundo passo consiste em subtrair a dízima original do resultado obtido no primeiro passo, obtendo um resultado sem a infinidade de casas decimais da dízima.
O terceiro passo é resolver a equação obtida no segundo passo.
Observe os exemplos a seguir:
1)
Primeiro passo:
Segundo passo:
Terceiro passo:
2)
Primeiro passo:
Segundo passo:
Terceiro passo:
3)
Primeiro passo:
Segundo passo:
Terceiro passo:
Forma percentual
As frações decimais cujos denominadores são iguais a 100 também podem ser representadas na forma de porcentagem. Por exemplo, pode ser representado por 75%.
Forma mista
As frações impróprias também podem ser expressas na forma de números mistos. Para isso, basta efetuar a divisão com resto do numerador pelo denominador e apresentar o quociente ao lado de uma fração própria, que deve ser escrita como se fosse um algarismo à direita do quociente. O numerador dessa fração própria é o resto da divisão efetuada, e o denominador é o mesmo da fração imprópria original. Observe:
Operações com números racionais
O conjunto dos números racionais é fechado em relação às quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação e divisão, com exceção da divisão por zero. Assim, sendo e dois números racionais quaisquer:
Além disso, nos casos em que , tem-se:
Adição e subtração em
Na forma fracionária, as adições e subtrações de números racionais são executadas entre os numeradores das frações apenas quando todas as frações possuírem o mesmo denominador.
Se as frações não tiverem o mesmo denominador, elas devem ser substituídas por frações equivalentes que tenham um mesmo denominador. Para facilitar os cálculos, recomenda-se que esse denominador comum seja o mínimo múltiplo comum (mmc) dos denominadores das frações originais.
Assim, sendo , , e números inteiros tais que , tem-se:
, em que:
Exercício resolvido 17
Considere todos os números racionais entre 3 e 6 que são representados por frações irredutíveis com denominador igual a 6 e assinale a alternativa que apresenta o valor da soma desses números.
- 25
- 26
- 27
- 28
- 29
Resolução
Sendo uma menor fração irredutível entre 3 e 6, temos que e . Logo, os possíveis valores de são: 19, 23, 25, 29, 31 e 35.
Resposta: alternativa C.
Exercício resolvido 18
Unisinos-RS Uma fração unitária é uma fração da forma , onde é um número natural.
Uma fração escrita como soma de frações unitárias é denominada fração egípcia.
Por exemplo: e .
A soma é a representação egípcia de qual fração?
- .
- .
- .
- .
- .
Resolução
Resposta: alternativa D.
Multiplicação em
Na forma fracionária, o produto de números racionais é obtido multiplicando-se numerador por numerador e denominador por denominador de cada fração multiplicada.
Assim, sendo , , e números inteiros tais que , tem-se:
Divisão em
A operação inversa da multiplicação é chamada de divisão, seus termos são o dividendo e o divisor. No conjunto dos números inteiros, a divisão pode produzir dois resultados: o quociente e o resto, mas no conjunto dos números racionais a divisão produz apenas um resultado: o quociente, que também costuma ser chamado de razão.
A divisão não é uma operação comutativa, como se pode observar nos exemplos a seguir:
- A razão entre os números 3 e 5 é representada pelo número decimal 0,6.
- A razão entre os números 5 e 3 é representada pela dízima periódica .
Na forma fracionária, o numerador do quociente de dois números racionais é obtido multiplicando o numerador da primeira fração pelo denominador da segunda fração, e o denominador do quociente é obtido multiplicando o denominador da primeira fração pelo numerador da segunda fração.
Assim, sendo , , e números inteiros tais que , tem-se:
Exercício resolvido 19
Multiplicar um número por 0,0125 equivale a dividi-lo por:
- 8
- 80
- 1,25
- 12,5
- 125
Resolução
Sendo N um número qualquer:
Portanto, a multiplicação mencionada equivale à divisão pelo número 80.
Resposta: alternativa B.
Potenciação em
A potenciação não é uma operação fechada no conjunto , pois bases inteiras, diferentes de , 0 e 1, com expoentes negativos geram resultados que não são inteiros.
Os resultados dessas potências formam um subconjunto de ao qual pertencem todos os inversos multiplicativos ou recíprocos dos números inteiros, de modo que, para todo inteiro e natural, temos:
Se a base for um número racional , com e inteiros:
A potenciação é uma operação distributiva em relação ao numerador e ao denominador de um número racional.
Se a base for positiva e o expoente for um número racional não inteiro, as potências também poderão ser expressas como radiciações, como veremos a seguir.
Radiciação em
A radiciação também é uma operação distributiva em relação ao numerador e ao denominador de um número racional.
Potências de bases positivas e expoentes que são frações unitárias exprimem radiciações, cujo índice do radical coincide com o denominador do expoente. Exemplos:
Assim, sendo e :
Quando o expoente de uma potência de base positiva é um número racional , com , então o numerador do expoente permanece como expoente da raiz:
Com , não importa a ordem de execução entre a potenciação e a radiciação. Assim, o expoente pode ser escrito dentro ou fora do símbolo radical:
Exercício resolvido 20
Se o volume de um cubo, em litros, é igual ao triplo da raiz quadrada de , então a medida, em centímetros, da aresta desse cubo é igual a:
- 0,02
- 0,2
- 2
- 20
- 200
Resolução
Sendo , e , tem-se:
Portanto, o volume desse cubo é igual a:
Como 8 litros equivalem a 8 000 cm, temos que a medida da aresta desse cubo é igual a cm.
Resposta: alternativa D.
Logaritmo em
Sendo e duas potências racionais de um mesmo número natural , então existem inteiros e tais que e .
Nessas condições, se , o logaritmo de na base será o número racional .
Exemplo: .
Os números reais
Por muito tempo, pensou-se que o conceito de número racional era suficiente para representar qualquer quantidade, mas as grandezas métricas da Geometria Euclidiana mostraram a insuficiência desse conceito. Para a escola pitagórica tudo era número e, dessa forma, todos os comprimentos poderiam ser expressos por números.
Tudo ia bem com os números racionais até que tentaram exprimir, em alguma unidade, os comprimentos das diagonais de quadrados e cubos. Nesse ponto, os pitagóricos encontraram dificuldades. Muita tinta se gastou até verificarem ser impossível representar essas medidas por razões entre números inteiros, ou seja, por números racionais. Conclusão: existem muitos números além dos elementos do conjunto .
Assim, o conjunto dos números reais vem da necessidade geométrica de admitir, por hipótese, a continuidade numérica em suas medidas.
O conjunto é construído acrescentando-se, ao conjunto dos números racionais, todos os números que tenham representação decimal infinita, mas não periódica. Esses números são denominados irracionais.
Números irracionais
Os números irracionais foram descobertos pela escola pitagórica pouco antes do século IV a.C. Muito tempo depois, o matemático escocês John Napier descobriu outros números irracionais estudando os logaritmos.
Embora não seja possível representar o valor exato de um número irracional usando-se apenas os algarismos e a vírgula, algumas aproximações podem ser feitas de acordo com a necessidade de se compreender a grandeza da resposta de um problema. Os números irracionais podem ser definidos como limites para sucessões de números racionais, com número cada vez maior de casas decimais.
No quadro a seguir, vemos séries decrescentes de números racionais que definem e :
| 2 | 4 |
| 1,5 | 2,25 |
| 1,42 | 2,0164 |
| 1,415 | 2,002225 |
| 1,4143 | 2,00024449 |
| 1,41422 | 2,0000182084 |
| 1,414214 | 2,000001237796 |
| 2,00000000000000... |
| 1 | 10 |
| 0,4 | 2,511886431509... |
| 0,31 | 2,041737944669... |
| 0,302 | 2,004472027365... |
| 0,3011 | 2,000322407865... |
| 0,30103 | 2,000000019968... |
| 0,301029996 | 2,000000001547... |
| 2,000000000000... |
No próximo quadro, vemos séries crescentes que definem o mesmo número:
| 1 | 1 |
| 1,4 | 1,96 |
| 1,41 | 1,9881 |
| 1,414 | 1,999396 |
| 1,4142 | 1,99996164 |
| 1,41421 | 1,9999899241 |
| 1,414213 | 1,999998409369 |
| 2,00000000000000... |
| 0 | 1 |
| 0,3 | 1,995262314968... |
| 0,301 | 1,999861869632... |
| 0,30102 | 1,999953968795... |
| 0,301029 | 1,999995414803... |
| 0,3010299 | 1,999999559451... |
| 0,30102999 | 1,999999973916... |
| 2,000000000000... |
Comparando as duas tabelas, é possível garantir que 1,414213 são os primeiros algarismos do número representado por e que 0,30102999 são os primeiros algarismos do número representado por .
A lista a seguir apresenta aproximações com dois algarismos decimais para alguns números irracionais importantes:
Exercício resolvido 21
Assinale a alternativa que apresenta o número inteiro mais próximo do valor da expressão:
- 20
- 15
- 10
- 5
- 2
Resolução
Dividindo-se o número 61 por 3, obtemos quociente igual à dízima .
Aproximando-se para a fração , usada no desenho geométrico, temos que é, aproximadamente, igual a 2. Finalmente, usando-se o decimal 1,4 para aproximar a raiz quadrada de 2, temos que a fração também é, aproximadamente, igual a 2. Portanto, .
Resposta: alternativa A.
Irracionais algébricos
Chamamos de algébricos a todos os números que são soluções de equações polinomiais com coeficientes inteiros.
Todos os irracionais algébricos oriundos de equações polinomiais de grau menor ou igual a 4 podem ser expressos por somas e produtos entre radicais e números racionais.
Exemplos:
- O número racional é algébrico, por ser a solução da equação .
- Os números irracionais e são algébricos, por serem as soluções de .
- O número irracional é algébrico, por ser uma das soluções de .
- O número irracional é algébrico, por ser uma das soluções de .
Do quinto grau em diante há muitas equações polinomiais cujas soluções não admitem representações por meio de radicais.
Radicais simples e radicais duplos
Um radical simples é um número irracional algébrico que pode ser expresso por uma única operação de radiciação, em que o índice do radical é um número natural e o radicando é um número racional. São exemplos de radicais simples: , , .
Radicais duplos são números irracionais, também algébricos, que precisam ser expressos por uma radiciação cujo radicando seja a soma de um número racional com um radical simples. São exemplos de radicais duplos: , , .
Os irracionais algébricos também podem ser representados por radicais triplos, quádruplos etc.
Operações com radicais simples
Em relação às operações aritméticas de adição e subtração, multiplicação e divisão, o conjunto dos números reais herda todas as propriedades que são válidas para essas operações no conjunto dos números racionais. Mas como os irracionais não podem ser expressos por frações de números inteiros nem por números decimais com precisão, os resultados das operações entre números racionais e números irracionais, como os radicais simples, ficam simplesmente indicados pelas próprias operações. Exemplos:
- A soma do número racional 2 com o número irracional é simplesmente .
- O produto do número racional pelo número irracional é simplesmente .
Atenção
O resultado da adição de um número racional com um número irracional é sempre um número irracional.
O resultado da multiplicação de um número racional diferente de zero por um número irracional é sempre um número irracional.
Simplificações de radicais
Como a radiciação possui propriedade distributiva em relação à multiplicação, se o radicando de uma raiz -ésima puder ser escrito como o produto de dois números de modo que um deles seja uma -ésima potência, a representação do número irracional pode ser simplificada.
Simplificam-se raízes quadradas de números que são múltiplos de algum quadrado perfeito, como o número 18 que, por exemplo, é múltiplo de 9 (o quadrado do número 3).
Simplificam-se raízes cúbicas de números que são múltiplos de algum cubo perfeito, como o número 40 que, por exemplo, é múltiplo de 8 (o cubo do número 2).
Outro tipo de simplificação ocorre quando o radicando é uma potência cujo expoente possui fator comum com o índice do radical.
Todo radical pode ser expresso por uma potência de expoente racional e, quando os termos de uma fração racional são múltiplos de um mesmo número natural , essa fração pode ser simplificada dividindo-se os termos da fração pelo número .
Ou seja, como , para , e , também é correto afirmar que:
Exemplos:
Adição de radicais simples
Os radicais simples são somados apenas se possuírem o mesmo índice e o mesmo radicando. Exemplos:
Multiplicação de radicais simples
Multiplicamos radicais simples de mesmo índice , conservando o radical e multiplicando os radicandos.
Exemplos:
Quando os índices e dos radicais são diferentes, reescrevemos esses radicais usando o mínimo múltiplo comum dos índices e . Observe o exemplo:
No exemplo anterior: , e .
Escrever radicais sempre com o mesmo índice permite não apenas efetuar a multiplicação, como também facilitar a comparação entre números irracionais, para saber qual é o maior ou menor.
Exercício resolvido 22
Simplificando-se corretamente a expressão , pode-se obter:
Resolução
Resposta: alternativa D.
Exercício resolvido 23
Considere os números irracionais , e . Assinale a alternativa que apresenta a correta relação de ordem crescente entre esses números:
Resolução
Portanto, .
Resposta: alternativa E.
Racionalização de denominadores
Frações que apresentam denominadores do tipo podem ter o numerador e o denominador multiplicados pelo termo , de modo que . Esse termo é denominado fator racionalizante. Observe:
Ao se fazer isso, o valor da fração não é alterado, mas sim a forma de escrevê-la, de modo que o denominador da fração equivalente obtida não é um número irracional.
Exemplos:
Irracionais transcendentes
Se um número irracional não é algébrico, então esse número é denominado transcendente. Assim, se é um número real e não existe equação polinomial de coeficientes inteiros tal que seja uma de suas soluções, então é um número transcendente.
Em 1844, o matemático francês Joseph Liouville encontrou o primeiro número irracional transcendente e, em 1974, o matemático alemão Georg Cantor descobriu que o conjunto dos números transcendentes é infinitamente mais amplo que o conjunto dos números algébricos.
Os principais números transcendentes estudados no Ensino Médio são a constante geométrica e a constante de Euler (e) usada como base para os logaritmos naturais. Os algarismos das casas decimais desses dois números podem ser obtidos efetuando-se as adições de séries específicas de números racionais.
O eixo real
O conjunto dos números reais pode ser representado pelos pontos de uma única reta denominada reta real, ou eixo real. Para isso, basta tomar dois pontos distintos de uma reta e associá-los aos números zero e um. O ponto zero é denominado origem da reta real, e a distância do ponto zero (0) ao ponto um (1) é tomada como unidade de medida para todos os demais segmentos contidos na reta. Dessa forma, cada ponto da reta real fica associado a um único número do conjunto .
Quando o eixo real é representado na horizontal, é comum que a unidade fique localizada à direita da origem e, assim, os pontos localizados à esquerda da origem representam os números negativos.
Propriedades das potências em
Quando a base de uma potenciação é negativa e o expoente é uma fração própria de denominador par, a potência resultante não pertence ao conjunto dos números reais. Por exemplo .
Assim, as propriedades a seguir são válidas apenas quando as bases das potências são não negativas e os denominadores das frações não são nulos.
Para potências de mesma base e diferentes expoentes e reais:
Para potências de mesmo expoente real , bases não negativas e denominadores diferentes de zero:
Atenção
A potenciação não admite propriedade distributiva em relação à adição ou à subtração. Assim, para todo , tem-se que:
Particularmente, para potências de base e expoentes no conjunto , temos:
Para potências de base e expoentes negativos e fracionários:
Exercício resolvido 24
Escreva o número em notação científica.
Resolução
Portanto, .
Exercício resolvido 25
Classifique as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):
- O produto entre dois números naturais é um número natural.
- O produto entre dois números inteiros negativos é um número natural.
- Uma potência de base e expoente naturais é um número natural.
- A diferença entre dois números naturais é um número natural.
- A razão entre dois números inteiros não nulos é um número inteiro.
- A razão entre dois números racionais não nulos é um número racional.
- A diferença entre dois números racionais pode ser um número irracional.
- A soma de dois números irracionais é um número irracional.
- Uma potência de base inteira e expoente racional é necessariamente um número real.
- O quociente entre dois números reais é sempre um número real.
- Uma potência de base real positiva e expoente real é necessariamente um número positivo.
- A soma de um número racional com um número irracional é sempre um número irracional.
- O produto entre um número racional não nulo e um número irracional é sempre um número irracional.
Resolução
Afirmação A: verdadeira. O conjunto é fechado em relação à operação de multiplicação.
Afirmação B: verdadeira. O produto de dois inteiros negativos é um inteiro positivo, portanto natural.
Afirmação C: falsa. O conjunto é fechado em relação à operação de potenciação.
Afirmação D: falsa. O conjunto não é fechado em relação à operação de subtração: .
Afirmação E: falsa. O conjunto não é fechado em relação à operação de divisão: .
Afirmação F: verdadeira. Com exceção da divisão por zero, o conjunto é fechado em relação à operação de divisão.
Afirmação G: falsa. O conjunto é fechado em relação à operação de subtração.
Afirmação H: falsa. A soma de dois irracionais opostos é zero, por exemplo: .
Afirmação I: falsa. Uma potência de base negativa e expoente fracionário pode não ser um número real.
Afirmação J: falsa. Não existe divisão por zero.
Afirmação K: verdadeira. Apenas potências de base negativa podem ser negativas ou não reais.
Afirmação L: verdadeira. Caso contrário, o conjunto dos racionais não seria fechado em relação à subtração.
Afirmação M: verdadeira. Caso contrário, o conjunto dos racionais não seria fechado em relação à divisão.
Teorema fundamental da Aritmética
Um enunciado possível para o teorema fundamental da Aritmética (TFA) é que, desconsiderando as permutações dos fatores de um produto, todo número natural maior que 1 possui decomposição única em fatores primos.
Para expressar algebricamente esse teorema, consideram-se duas sequências numéricas:
- a sequência dos números primos positivos em ordem crescente.
- uma série de números naturais tal que existe para o qual , sempre que .
Assim, para todo tal que , tem-se:
Nessa expressão, cada expoente indica quantas vezes o número é divisível pelo número primo de mesmo índice . Também é importante observar a existência de uma constante que indica, em cada sequência de expoentes , a posição a partir da qual todos os termos são nulos.
O número 180, por exemplo, pode ser dividido pelo número:
- 2, duas vezes sucessivas
- 3, duas vezes sucessivas
- 5, apenas uma vez
Além disso, o número 180 não é divisível por nenhum outro número primo maior ou igual a 7 e, como esse é o 4º termo da sequência dos números primos positivos, tem-se que , ou seja, .
Portanto, pelo teorema fundamental da Aritmética, a forma decomposta do número 180 é:
Ou, de forma abreviada: .
Veja outro exemplo com o número 280, que:
- Pode ser dividido por 2, três vezes sucessivas
- Não pode ser dividido por 3
- Pode ser dividido por 5, apenas uma vez
- Pode ser dividido por 7, apenas uma vez
Além disso, o número 280 não é divisível por nenhum outro número primo maior ou igual a 11 e, como esse é o 5º termo da sequência dos números primos positivos, tem-se que , ou seja, .
Portanto, pelo TFA, a forma decomposta do número 280 é:
Ou, de forma abreviada: .
Observe um terceiro exemplo com o número 91, que só pode ser dividido pelos números primos 7 e 13, ambos apenas uma vez. Então, como esses são, respectivamente, o 4º e o 6º números primos, temos:
Portanto, pelo TFA, a forma decomposta do número 91 é:
Como último exemplo, veja o número 17, que é o 7º número primo. Assim:
Portanto, pelo TFA, a forma decomposta do número 17 é:
Demonstrado em diversos períodos da história, de Euclides a Gauss, esse teorema permite afirmar que:
- Cada número natural positivo está associado a uma única sequência .
- Não há dois números naturais que estejam associados à mesma sequência .
Assim, esse teorema estabelece uma correspondência biunívoca entre cada número natural positivo e uma específica série de números naturais:
O número 1 fica associado a uma sequência nula:
Recorrendo à notação de produtória (), pode-se escrever a expressão do TFA de maneira mais resumida:
Exercício resolvido 26
Para todo número inteiro positivo , indicamos por o produto de todos os números inteiros positivos menores ou iguais a . Assim, por exemplo, temos que .
Qual é o menor número natural pelo qual devemos dividir a fim de obter um quociente que seja quadrado perfeito?
- 5
- 6
- 7
- 8
- 9
Resolução
Como o número 1 é o elemento neutro da multiplicação e os números 4, 6, 8, 9 e 10 não são primos, temos:
Assim, a decomposição em fatores primos do número é .
Como , e são quadrados perfeitos, pode-se concluir que 7 é o menor número pelo qual se deve dividir a fim de se obter um quociente que seja quadrado perfeito.
Resposta: alternativa C.
Exercício resolvido 27
A decomposição em fatores primos do produto dos 19 primeiros números naturais positivos é uma expressão do tipo , em que os expoentes , , e são todos naturais. Nela, o valor de é:
- 17
- 21
- 27
- 31
- 37
Resolução
Entre os 19 primeiros números inteiros positivos há 9 números pares, sendo que entre eles há 4 números que são múltiplos de quatro, 2 que são múltiplos de oito e 1 que é múltiplo de 16.
Portanto, .
Também entre os 19 números, há 6 múltiplos de três, sendo que 2 são múltiplos de nove.
Portanto, .
Finalmente, como há apenas 3 números múltiplos de cinco entre os 19 primeiros inteiros positivos e nenhum deles é múltiplo de vinte e cinco, temos que .
Logo, .
Resposta: alternativa C.
Aplicações da forma decomposta
Sendo e dois números inteiros, do TFA, têm-se que:
Comparando-se apenas as formas decompostas desses dois números, pode-se afirmar, por exemplo, que um número é múltiplo de outro se, e somente se, todos os expoentes da forma decomposta de um deles são menores ou iguais aos respectivos expoentes da forma decomposta do outro número. Assim:
- é múltiplo de para todo .
- é divisor de para todo .
Além disso, há muitas outras vantagens na observação das formas decompostas dos números naturais, como a possibilidade de simplificação de radicais simples, encontro de fatores para racionalização de denominadores, busca da quantidade de divisores, cálculo do mmc e do mdc, entre outras aplicações.
MMC e MDC
É possível obter o mínimo múltiplo comum de dois ou mais números de acordo com o algoritmo da decomposição em fatores primos.
Veja o exemplo do :
Observe nessa decomposição que:
- Se o fator primo na última coluna não divide algum dos números de sua linha, esse número apenas é repetido na linha posterior.
- A decomposição é feita até que a última linha das primeiras colunas seja unitária.
- O mmc é dado pelo produto dos números primos postos na última coluna. Cada um deles foi posto para decompor pelo menos um dos números em sua linha.
Seguindo outras regras, também é possível obter o máximo divisor comum de dois ou mais números de acordo com o algoritmo da decomposição em fatores primos.
Veja o exemplo do :
Observe nessa decomposição que:
- Todo fator primo na última coluna deve dividir ambos os números de sua linha, nenhum número é repetido na linha posterior.
- A decomposição é feita somente enquanto houver número primo que seja divisor de todos os números de sua linha.
- O mdc é dado pelo produto dos números primos postos na última coluna. Cada um deles foi posto para decompor todos os números em sua linha.
Também é possível encontrar o mmc e o mdc de dois ou mais números naturais decompondo-os separadamente e comparando as sequências de expoentes de cada decomposição.
Assim, sendo e , para todo considera-se:
- como o maior valor entre e ;
- como o menor valor entre e .
De modo que:
Este procedimento seleciona os maiores expoentes para a série de expoentes do mínimo múltiplo comum entre os números e :
Seleciona também os menores expoentes para a série de expoentes do máximo divisor comum entre os números e :
Veja o método aplicado no cálculo do mmc e do mdc dos números 280 e 180:
Observando que para os expoentes e das decomposições são todos iguais a zero, conclui-se que:
Atenção
Sendo e dois números inteiros diferentes de zero, é correto afirmar que:
Exercício resolvido 28
Calcule o mmc e o mdc dos números 8 400 e 1 500.
Resolução
Exercício resolvido 29
Em uma estação rodoviária, partem ônibus para a cidade A de 20 em 20 minutos, para a cidade B, de meia em meia hora, e para a cidade C, de 45 em 45 minutos. Se ao meio-dia de hoje partiram ônibus para as três cidades, a que horas isto acontecerá novamente?
Resolução
As partidas para a cidade A ocorrem após 20 min, 40 min, 60 min, ou seja, em tempos que, em minutos, são múltiplos de 20. As partidas para a cidade B ocorrem após 30 min, 60 min, 90 min, ou seja, em tempos que, em minutos, são múltiplos de 30. As partidas para a cidade C ocorrem após 45 min, 90 min, 135 min, ou seja, em tempos que, em minutos, são múltiplos de 45.
O tempo que levará até saírem ônibus para as três cidades será o min.
Como 180 minutos equivalem a 3 horas, temos que o próximo horário em que os três ônibus partirão simultaneamente será às 3 da tarde ou às 15 horas.
Quantidade de divisores
O conjunto dos múltiplos de um número inteiro é infinito, por isso não faz sentido determinar a quantidade de múltiplos de um número. Mas o conjunto dos divisores de um número inteiro não nulo é sempre finito, e a quantidade de divisores desse número pode ser facilmente expressa pelo produto dos sucessores dos termos da série de expoentes associada ao número pelo TFA.
Assim, a quantidade de divisores positivos de um número inteiro é dada pela expressão:
E a quantidade de divisores inteiros de um número inteiro , pela expressão:
Veja, por exemplo, como obter a quantidade de divisores do número 600 a partir da sua forma decomposta em fatores primos:
- A série de expoentes dessa decomposição é .
- A série dos sucessores desses expoentes é .
- O produto dos termos dessa última série é .
Assim, pode-se concluir que o número 600 possui 24 divisores positivos ou 48 divisores inteiros.
Uma vez determinada a quantidade de divisores de um número inteiro, o conjunto de todos esses divisores pode ser obtido multiplicando-se combinações desses fatores de todas as maneiras possíveis.
Colocando em ordem crescente o conjunto dos divisores de um número inteiro , pode-se observar que o produto dos termos equidistantes dos extremos desse conjunto é sempre igual a .
Com o auxílio dessa propriedade, uma vez encontrada a primeira metade dos divisores positivos de um número inteiro , a segunda metade pode ser obtida pelos quocientes de dividido por cada valor encontrado na primeira metade.
Se for um quadrado perfeito, então a quantidade de divisores positivos de será ímpar, sendo a raiz quadrada de o termo central do conjunto de seus divisores positivos.
Atenção
O número 1 possui apenas dois divisores inteiros:
Todos os números primos, e apenas eles, possuem exatamente quatro divisores inteiros:
Os quadrados dos números primos possuem apenas seis divisores inteiros:
Sistema de numeração decimal
O sistema de numeração decimal é usado corriqueiramente para indicar quantidades. O nome decimal vem do fato de que o sistema é dotado de dez algarismos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.
Cada algarismo sozinho representa uma quantidade de zero a nove, e os números maiores do que nove são representados por dois ou mais desses algarismos, de modo que os valores representados por cada algarismo dependem da posição que eles ocupam nas cifras numéricas.
Veja que, por exemplo, o número quinhentos e cinquenta e cinco é escrito com três algarismos iguais, mas cada algarismo 5 representa uma quantidade diferente desse número.
Da esquerda para a direita, na cifra 555, o primeiro algarismo 5 representa quinhentas unidades, o segundo algarismo 5 representa cinquenta unidades, e o terceiro e último algarismo 5 representa apenas cinco unidades.
Há uma conexão entre a posição ocupada pelo algarismo e a quantidade de unidades que ele representa. Essa conexão combina os aspectos ordinal e cardinal dos números naturais, e relaciona esses valores por meio das operações de adição, multiplicação e potenciação.
Toda cifra numérica decimal com dois ou mais algarismos representa uma sentença aritmética formada pelas operações de adição, multiplicação e potenciação, na qual os símbolos e bem como os expoentes das potências são todos omitidos. As normas da leitura do número cifrado já consideram essas operações.
Nessas representações decimais, todo algarismo que não ocupa a posição final de uma cifra numérica deve ser lido como um múltiplo de uma potência de base 10. Veja a nomenclatura das posições dos algarismos de uma cifra numérica decimal:
Cifras numéricas
Toda sequência de algarismos com representa o número natural obtido pelas seguintes operações:
O sistema decimal tem a base , que pode ser omitida no final da cifra:
Assim, quando um número como, por exemplo, 2 345 é lido em voz alta, ouve-se “dois mil trezentos e quarenta e cinco”, o que indica a adição dos números 2 000, 300, 40 e 5, pois a conjunção “e” é aditiva.
No sistema decimal, pode-se usar um recurso mnemônico para cifrar números de até quatro algarismos, que é bastante útil.
As letras , , e , iniciais das palavras unidade, dezena, centena e milhar, são colocadas nos lugares dos respectivos algarismos desconhecidos na cifra de um número.
Exemplos:
Assim, tem-se, por exemplo:
Exercício resolvido 30
Dividindo-se um número natural N, de dois algarismos distintos, pelo número , obtemos quociente e resto 1. Invertendo-se a ordem dos algarismos de N, formamos um número que dividido por gera quociente e resto . Nessas condições, pode-se afirmar que o resto da divisão do número pelo número 9 é igual a:
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
Resolução
Sendo e os dois algarismos que formam o número N, temos:
Subtraindo-se essas relações, obtemos:
Logo, dividindo-se o número por 9, obtemos resto igual a 1.
Resposta: alternativa A.
Exercício resolvido 31
Determine todos os pares (X, Y) tais que X é o algarismo das centenas e Y o algarismo das unidades do número 5X4Y, sabendo que esse número é múltiplo de 19.
Resolução
Como , com e , efetuando-se a divisão parcial, temos:
Então, para que 5X4Y seja múltiplo de 19, é necessário que também seja múltiplo de 19.
Como X e Y variam de 0 a 9, temos que:
Portanto:
As soluções (X, Y) de são (2, 4) e (1, 9).
As soluções (X, Y) de são (6, 3) e (5, 8).
A única solução (X, Y) de é (9, 7).
Os pares que são soluções da questão são (1, 9), (2, 4), (5, 8), (6, 3) e (9, 7).
Em um sistema de base , por exemplo, a mesma cifra representa um número bem diferente:
Para representar os naturais, os babilônios usavam um sistema de cifras sexagesimais. Imagine ter que memorizar 59 algarismos diferentes de zero e distintos entre si. Atualmente, além do sistema decimal, o estudo da computação faz uso do sistema hexadecimal, em que a base é , para a representação de valores em linguagem de máquina.
Com 16 algarismos, esse sistema usa as letras A, B, C, D, E e F como respectivos representantes dos números dez, onze, doze, treze, quatorze e quinze.
Assim é uma cifra na qual , e são algarismos hexadecimais.
Outro sistema muito utilizado na linguagem de computadores é o sistema binário, em que a base determina que existem apenas dois algarismos para se representar em todos os números naturais. Esses algarismos são 0 e 1. Assim:
Algarismo das unidades
Na sua forma decimal, o algarismo das unidades de cada inteiro informa diretamente se o número pertence ao ideal ou a qualquer dos seus conjuntos laterais.
O número 280, por exemplo, pertence ao ideal , pois termina com zero. Já o número 2 345, por exemplo, pertence ao conjunto lateral de , cujos números são da forma , com inteiro, pois termina com 5.
Então, sendo o algarismo das unidades de um número inteiro qualquer, tem-se que:
Duas propriedades importantes podem ser enunciadas para o algarismo das unidades da soma e do produto de números naturais:
A unidade da soma depende apenas da soma das unidades das parcelas.
A unidade do produto depende apenas do produto das unidades dos fatores.
Questões para praticar
Questões de vestibular dos assuntos deste capítulo.
Transcrição conferida com a obra original (Matemática I, Poliedro, p. 100-131). Revisada em 07/09/2026. Encontrou um erro? Reportar erro