Matemática I · Frente 2 · Capítulo 1 · p. 100-131 · Poliedro

Conjuntos numéricos

A princípio, a Matemática surge como a ciência que observa números nos mais diversos padrões da realidade. As técnicas de contagem, ordenação e mensuração, há tanto tempo estudadas na Matemática, mostraram-se tão úteis à humanidade que, hoje, centenas de anos depois, seus estudos continuam a proporcionar o surgimento de novas tecnologias. Por trás dos avanços tecnológicos, estão números e estruturas numéricas usadas para transmitir e proteger informações, como a biometria facial, disponível em celulares e utilizada para reduzir fraudes, autenticar documentos, confirmar identidades em aplicativos e controlar o acesso em diversos segmentos. E, para que possam ser processadas, essas informações precisam ser codificadas por meio de números e sequências numéricas.

Este capítulo pretende explorar os aspectos práticos e a variedade de interpretações de cada tipo de número.

Introdução

A teoria dos números estabelece alguns critérios para a construção dos significados do número. Dois desses critérios merecem destaque. Um deles é a relação de inclusão entre os conjuntos numéricos NZQRC\mathbb{N} \subset \mathbb{Z} \subset \mathbb{Q} \subset \mathbb{R} \subset \mathbb{C}, em que:

  • N\mathbb{N} representa o conjunto dos números naturais;
  • Z\mathbb{Z} representa o conjunto dos números inteiros;
  • Q\mathbb{Q} representa o conjunto dos números racionais;
  • R\mathbb{R} representa o conjunto dos números reais;
  • C\mathbb{C} representa o conjunto dos números complexos.

O símbolo \subset indica a relação de inclusão e pode ser lido como “está contido em”.

O outro critério é uma propriedade específica dessas relações de inclusão. Sendo X e Y dois desses conjuntos, se X está contido em Y, então todas as propriedades aritméticas válidas no conjunto X também são válidas no conjunto Y. Isso funciona como uma espécie de herança, pois o conjunto Y é construído a partir dos elementos do conjunto X.

Por outro lado, o conjunto Y deve possuir outras propriedades aritméticas que são impossíveis de serem enunciadas no conjunto X, de modo que o conjunto Y herda todas as propriedades de seu subconjunto X, mas também introduz novas propriedades e novas interpretações para os números que são seus elementos, sempre estendendo o significado do número.

Tipos de números

Da relação de ordem entre os conjuntos numéricos, pode-se entender que, se um número é natural, então ele também é inteiro, racional, real e complexo. Veja o número 10 (dez), por exemplo:

10N10Z10Q10R10C10 \in \mathbb{N} \Rightarrow 10 \in \mathbb{Z} \Rightarrow 10 \in \mathbb{Q} \Rightarrow 10 \in \mathbb{R} \Rightarrow 10 \in \mathbb{C}

Em contrapartida, números que não são inteiros não podem ser naturais. Veja o exemplo do número 0,2 (dois décimos):

0,2Z0,2N0{,}2 \notin \mathbb{Z} \Rightarrow 0{,}2 \notin \mathbb{N}

Mas o fato de 0,2 ser um número racional implica ele também ser um número real e complexo:

0,2Q0,2R0,2C0{,}2 \in \mathbb{Q} \Rightarrow 0{,}2 \in \mathbb{R} \Rightarrow 0{,}2 \in \mathbb{C}

Além de pertencerem a pelo menos um dos cinco conjuntos numéricos (N\mathbb{N}, Z\mathbb{Z}, Q\mathbb{Q}, R\mathbb{R} e C\mathbb{C}), números podem ser classificados de muitas outras formas. Por exemplo, todo número inteiro pode ser classificado como número par ou ímpar.

Entre os números naturais há os que são primos, compostos, quadrados perfeitos, cubos perfeitos, triangulares etc.

Os números não inteiros podem ter quantidade finita ou infinita de casas decimais. Os números que admitem infinitas casas decimais em sua representação são separados em dízimas periódicas e números irracionais.

Pelo sinal, um número pode ser classificado como positivo ou negativo, havendo um único número que não é positivo nem negativo: o zero.

Operações com números

Os números são entidades matemáticas que interagem por meio de operações aritméticas, como a adição, produzindo um novo resultado numérico. Veja alguns exemplos:

3+7=102+8=1810+10=0log(2)+log(5)=10,25+0,5=0,750+π=π12+13=56\begin{align*} 3 + 7 &= 10 & \sqrt{2} + \sqrt{8} &= \sqrt{18} \\ -10 + 10 &= 0 & \log(2) + \log(5) &= 1 \\ 0{,}25 + 0{,}5 &= 0{,}75 & 0 + \pi &= \pi \\ \frac{1}{2} + \frac{1}{3} &= \frac{5}{6} \end{align*}

Algumas operações são representadas por símbolos que se chamam operadores:

  • O operador de adição é principalmente representado pelo símbolo (+)(+).

    1+2=31 + 2 = 3
  • O operador de subtração é principalmente representado pelo símbolo ()(-).

    32=13 - 2 = 1
  • O operador de multiplicação é tanto representado por (×)(\times) quanto por ()(\cdot), podendo ser omitido em alguns casos.

    23=62 \cdot 3 = 6
    4×5=204 \times 5 = 20
  • O operador de divisão pode ser representado por (:)(:), e ainda pela barra de fração.

    6:3=26 : 3 = 2
    20/5=205=420/5 = \frac{20}{5} = 4
  • O operador de radiciação ou de extração de raízes é representado pelo símbolo (x)\left(\sqrt{\phantom{x}}\right).

    83=2\sqrt[3]{8} = 2

Também há as operações aritméticas representadas por siglas:

  • A extração de logaritmos é representada pela sigla log.

    log2(8)=3\log_2(8) = 3
  • O mínimo múltiplo comum, pela sigla mmc.

    mmc(4,6)=12\operatorname{mmc}(4, 6) = 12
  • O máximo divisor comum, pela sigla mdc.

    mdc(4,6)=2\operatorname{mdc}(4, 6) = 2

Entre essas operações, muitas são bem definidas em todos os conjuntos numéricos, desde os naturais até os complexos. Algumas não exatamente da mesma maneira, como a divisão, que nos conjuntos N\mathbb{N} e Z\mathbb{Z} produz quociente e resto, mas resulta apenas quociente nos demais conjuntos numéricos.

Fechamento de um conjunto em relação a uma operação

Considera-se um conjunto numérico K fechado em relação a uma operação aritmética se essa operação gera apenas resultados pertencentes a K, quando aplicada a seus elementos.

Representando por * uma operação aritmética genérica, um conjunto K é fechado em relação a * se, e somente se:

aKbK}(ab)K\left.\begin{array}{l} a \in \mathrm{K} \\ b \in \mathrm{K} \end{array}\right\} \Rightarrow (a * b) \in \mathrm{K}

Nessa implicação lógica, aa e bb representam números do conjunto K e (ab)(a * b) representa o resultado produzido pela operação * aplicada aos números aa e bb.

O conjunto N\mathbb{N}, por exemplo, é fechado em relação à adição, à multiplicação, à potenciação, ao mmc e ao mdc, mas não é fechado em relação à operação de subtração.

Quando um conjunto K não é fechado em relação a alguma operação *, a concepção de número pode ser ampliada para abranger o significado dos resultados que escapam de K. E assim, a partir dos elementos de N\mathbb{N}, podem ser construídos os demais conjuntos numéricos Z\mathbb{Z}, Q\mathbb{Q}, R\mathbb{R} e C\mathbb{C}.

Operações comutativas e associativas

As propriedades comutativa e associativa de uma operação aritmética dizem respeito à ordem ou posição dos números que participam da operação.

A comutatividade de uma operação pode ser observada nos resultados de sua aplicação aos pares de números. Uma operação * é comutativa quando aba * b e bab * a produzem o mesmo resultado, quaisquer que sejam os números aa e bb.

Já a associatividade de uma operação precisa ser observada nos resultados de sua aplicação a uma sucessão de pelo menos três números. Uma operação * é associativa quando (ab)c(a * b) * c e a(bc)a * (b * c) produzem o mesmo resultado, quaisquer que sejam os números aa, bb e cc. De modo que, se uma operação é associativa, não há necessidade de indicar por parênteses em qual ordem ela deve ocorrer, pois abca * b * c pode ser calculado tanto da direita para a esquerda quanto da esquerda para a direita sem modificação no resultado.

Os números como soluções de equações

Na linguagem matemática, muitas perguntas podem ser expressas por sentenças algébricas em que um valor desconhecido xx deve ser encontrado. Essas sentenças são chamadas de equações. Veja alguns exemplos no quadro a seguir.

PerguntaEquação
Qual número deve ser somado ao número 3 para se obter o número 9?x+3=9x + 3 = 9
Qual número deve ser multiplicado por 3 para se obter o número 15?3x=153 \cdot x = 15
Qual número deve ser elevado ao expoente 3 para se obter o número 64?x3=64x^3 = 64

Todas as equações do quadro foram enunciadas usando apenas números naturais (3, 9, 15 e 64) e possuem soluções que também são números naturais. Essas soluções resultam das aplicações das operações contrárias, respectivamente, à adição, multiplicação e potenciação, que são, nessa ordem, as operações de subtração, divisão e radiciação:

  • x+3=9x=93=6x + 3 = 9 \Rightarrow x = 9 - 3 = 6
  • 3x=15x=15:3=53 \cdot x = 15 \Rightarrow x = 15 : 3 = 5
  • x3=64x=643=4x^3 = 64 \Rightarrow x = \sqrt[3]{64} = 4

Mas nem toda equação enunciada com números naturais admite solução natural. Veja alguns exemplos no quadro a seguir.

PerguntaEquação
Qual número deve ser somado ao número 9 para se obter o número 4?x+9=4x + 9 = 4
Qual número deve ser multiplicado por 4 para se obter o número 9?4x=94 \cdot x = 9
Qual número deve ser multiplicado por 9 para se obter o número 4?9x=49 \cdot x = 4
Qual número deve ser elevado ao expoente 4 para se obter o número 9?x4=9x^4 = 9

Observe que os resultados destas equações não pertencem ao conjunto dos números naturais:

  • A solução da equação x+9=4x + 9 = 4 é um número negativo.

    x+9=4x=49=5x + 9 = 4 \Rightarrow x = 4 - 9 = -5
  • A solução da equação 4x=94 \cdot x = 9 é um número que se escreve com apenas duas casas decimais.

    4x=9x=9:4=2,254 \cdot x = 9 \Rightarrow x = 9 : 4 = 2{,}25
  • A solução da equação 9x=49 \cdot x = 4 é um número que, para ser escrito na forma decimal, precisa de uma quantidade infinita de casas decimais repetidas. Representações numéricas desse tipo são chamadas de dízimas periódicas.

    9x=4x=4:9=0,4444444449 \cdot x = 4 \Rightarrow x = 4 : 9 = 0{,}444444444\ldots
  • A equação x4=9x^4 = 9 tem como solução um número que, para ser escrito na forma decimal, precisa de uma quantidade infinita de casas decimais em que não se observa padrão de repetição algum. Números desse tipo são chamados de irracionais.

    x4=9x=94=1,7320508075x^4 = 9 \Rightarrow x = \sqrt[4]{9} = 1{,}7320508075\ldots

De tais resultados, derivam-se novas formas de representações numéricas que estudaremos no decorrer do capítulo.

Os números naturais

O conjunto dos números naturais pode ser definido por duas teorias diferentes: a ordinal e a cardinal. As diferenças de interpretação desses tipos de números naturais são tão profundas que as palavras usadas na língua portuguesa para designar os numerais de cada tipo pertencem a classes gramaticais diferentes.

Numeral ordinal
Primeiro (1º)
Segundo (2º)
Terceiro (3º)
\vdots

  

Numeral cardinal
Zero (0)
Um (1)
Dois (2)
Três (3)
\vdots

Os números cardinais

A cardinalidade de um conjunto finito é a quantidade de elementos distintos que ele possui. Indica-se por n(K)n(\mathrm{K}) a cardinalidade de um conjunto K.

Por exemplo, considere os conjuntos A dos meses do ano e J dos dias do mês de janeiro. Repare que, mesmo não tendo elementos numéricos, esses conjuntos definem números:

  • n(A)=12n(\mathrm{A}) = 12
  • n(J)=31n(\mathrm{J}) = 31

O número natural cardinal é aquele capaz de indicar a quantidade de elementos de um conjunto finito. Esse tipo de interpretação do número natural é o que há de comum entre dois conjuntos de elementos completamente diferentes, por exemplo, o conjunto dos gases nobres da tabela periódica e o conjunto das bandas do espectro luminoso estudado por Newton.

A construção formal do conjunto desses números naturais está fundamentada sobre dois conceitos da teoria dos conjuntos, que são o número zero e a relação de sucessão.

  • O número zero indica a quantidade de elementos do conjunto vazio: 0=n()0 = n(\varnothing).
  • A relação de sucessão é a que existe entre as cardinalidades de um conjunto K e do conjunto que se obtém acrescentando-se um único elemento ao conjunto K.

Com base nesses conceitos, enunciam-se os seguintes postulados:

  1. Zero é um número natural.
  2. Todo número natural possui sucessor.
  3. Zero não é sucessor de nenhum número natural.
  4. Não há dois números naturais diferentes que possuam o mesmo sucessor.
  5. Se um conjunto numérico possui o número zero e o sucessor de qualquer um de seus elementos, então esse é exatamente o conjunto dos números naturais.

Este último postulado é conhecido como o Princípio da Indução Matemática.

Os números ordinais

Estes numerais servem de ferramenta para localização espacial, como na frase “Vire na 3ª rua à esquerda”, ou temporal, como em “Março é o 3º mês do ano”.

Observe que tanto a 3ª rua quanto o 3º mês são únicos em suas existências e que, nesses casos, o número 3 foi utilizado para indicar apenas uma unidade. Essa é a característica principal de um número natural ordinal.

Independentemente da interpretação, cardinal ou ordinal, dois números naturais são denominados consecutivos se diferem em apenas uma unidade.

Além disso, N\mathbb{N} é um conjunto numérico discreto. Isso significa que, entre dois números naturais consecutivos, não há nenhum outro número natural. Considere a ordem de chegada dos atletas que participam de uma corrida e observe, por exemplo, que não existe colocação intermediária entre o 3º e o 4º lugar.

Em linguagem matemática:

nNn<m<n+1}mN\left.\begin{array}{r} n \in \mathbb{N} \\ n < m < n + 1 \end{array}\right\} \Rightarrow m \notin \mathbb{N}

Defasagem cardinal ordinal

Usamos o asterisco para diferenciar os conjuntos de números naturais cardinais e ordinais. Assim:

  • N={0,1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,}\mathbb{N} = \{0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, \ldots\}
  • N={1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,}\mathbb{N}^* = \{1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, \ldots\}

Em todos os demais conjuntos numéricos, o asterisco é usado para indicar que o número zero não é elemento do conjunto considerado.

É importante observar que há uma defasagem entre os elementos desse conjunto. Do fato de zero ser o primeiro número natural decorre que o número 12 é o 13º número natural, por exemplo.

A defasagem entre os elementos desses conjuntos é a responsável pelo ano de 2020 pertencer ao século 21, entre outros exemplos cotidianos.

Exercício resolvido 1

Responda às perguntas a seguir.

  1. Quantos números naturais podem ser contados a partir do número 10 até o número 100?
  2. Quantos números naturais existem entre os números 10 e 100?

Exercício resolvido 2

Uma corrida de rua disputada pelas crianças de um condomínio tinha as seguintes regras: na largada todas as crianças deveriam estar com uma das mãos encostadas no primeiro poste da calçada de um dos lados da rua, e a criança que encostasse primeiro a mão no oitavo poste dessa mesma calçada venceria a corrida.

A distância do primeiro para o segundo poste é de 50 metros, do segundo para o terceiro, 70 metros, do terceiro para o quarto, 90 metros, e assim por diante, ou seja, as distâncias entre dois postes consecutivos aumentam de vinte em vinte metros.

Com esses dados, podemos afirmar que a corrida toda tem:

  1. 190 metros.
  2. 210 metros.
  3. 770 metros.
  4. 960 metros.
  5. 1 170 metros.

Operações com números naturais

Como já foi mencionado, esse conjunto numérico é fechado em relação às operações de adição, multiplicação, potenciação, mínimo múltiplo comum e máximo divisor comum. Isso significa que, sendo aa e bb dois números naturais quaisquer:

Mas o conjunto N\mathbb{N} não é fechado em relação às operações de subtração, divisão, radiciação e extração de logaritmos. Por isso devem ser estabelecidas condições de existência (CE) para a execução dessas operações, com os elementos de N\mathbb{N}.

Adição em N\mathbb{N}

A operação de adição pode ser aplicada a qualquer quantidade de números naturais. Os números que participam da adição são chamados de parcelas, e o resultado da operação é chamado de soma.

Representando por nn' o sucessor de um número natural nn, a operação de adição começa a ser definida pelas seguintes proposições:

  • n+0=nn + 0 = n
  • n+1=nn + 1 = n'

A primeira sentença define o número zero como o elemento neutro da operação, e da segunda sentença deve-se entender que não existe número natural maior que nn e menor que nn'.

Representando por mm' o sucessor de outro número natural mm, a operação de adição fica finalmente definida por:

  • n+m=(n+m)n + m' = (n + m)'

Além das sentenças que a definem, a adição possui as propriedades comutativa e associativa:

  • n+m=m+nn + m = m + n
  • (n+m)+p=n+(m+p)(n + m) + p = n + (m + p)

Subtração em N\mathbb{N}

A operação de subtração é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da subtração são o minuendo e o subtraendo, e o resultado é chamado de diferença ou de resto.

O minuendo designa o número que será reduzido de certa quantidade que, por sua vez, é indicada pelo subtraendo da operação.

Sendo aa e bb dois números naturais, a diferença (ab)(a - b) só é possível nesse conjunto se o número aa for maior ou igual ao número bb.

  • ab(ab)Na \geq b \Rightarrow (a - b) \in \mathbb{N}
  • a<b(ab)Na < b \Rightarrow (a - b) \notin \mathbb{N}

A impossibilidade da subtração em outra ordem caracteriza essa operação como não sendo comutativa nem associativa. E como (ab)ca(bc)(a - b) - c \neq a - (b - c), algumas propriedades devem ser observadas.

Veja:

  • abc=(ab)c=a(b+c)a - b - c = (a - b) - c = a - (b + c)
  • a(bc)=ab+c=a+cba - (b - c) = a - b + c = a + c - b

O número zero funciona como elemento neutro da subtração apenas no lugar do subtraendo:

  • a0=aa - 0 = a

O número zero também é o resultado da subtração de dois números iguais:

  • aa=0a - a = 0

A subtração é a operação contrária da adição. Isso significa que, sendo aa, bb e cc números naturais:

a+b=c{a=cbb=caa + b = c \Rightarrow \begin{cases} a = c - b \\ b = c - a \end{cases}

Multiplicação em N\mathbb{N}

A operação de multiplicação pode ser aplicada a qualquer quantidade de números naturais. Os números que participam da multiplicação são chamados de fatores, e o resultado da operação é chamado de produto.

A operação de multiplicação começa a ser definida pelas seguintes proposições:

  • 1n=n1 \cdot n = n
  • 0n=00 \cdot n = 0

A primeira sentença define o número 1 como o elemento neutro da operação, e a segunda mostra que a multiplicação de qualquer número por zero resulta no próprio zero.

Representando por mm' o sucessor do natural mm, a operação de multiplicação fica finalmente definida por:

  • nm=nm+nn \cdot m' = n \cdot m + n

Dessa última expressão deduzem-se as propriedades distributivas da multiplicação em relação à adição e à subtração:

  • n(m+p)=nm+npn \cdot (m + p) = n \cdot m + n \cdot p
  • n(mp)=nmnpn \cdot (m - p) = n \cdot m - n \cdot p

Além das sentenças que a definem, a multiplicação também possui as propriedades comutativa e associativa:

  • nm=mnn \cdot m = m \cdot n
  • (nm)p=m(np)(n \cdot m) \cdot p = m \cdot (n \cdot p)

Divisão euclidiana em N\mathbb{N}

A operação de divisão é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da divisão são o dividendo e o divisor, e os resultados são chamados de quociente e de resto.

No esquema a seguir, o dividendo nn designa a quantidade que será repartida em partes iguais, o divisor dd indica quantas são essas partes, o quociente qq indica o valor de cada uma delas e o resto rr indica quantas unidades sobram da partição.

ndrq\begin{array}{r|l} n & d \\ \hline r & q \end{array}

Sendo nn e dd dois números naturais, a divisão nn por dd só é possível, nesse conjunto, se o número dd for diferente de zero. Neste caso, para garantir que os valores do quociente e o resto sejam corretamente obtidos, duas relações algébricas devem ser verificadas, uma de igualdade e outra de desigualdade:

  • n=qd+rn = q \cdot d + r
  • 0r<d0 \leq r < d

Observe que a relação de desigualdade não pode ser verificada quando d=0d = 0, pois não há número natural rr que satisfaça 0r<00 \leq r < 0. Note também que, como 0r<d0 \leq r < d, o valor de qq, que satisfaz a igualdade n=qd+rn = q \cdot d + r, deve ser máximo.

Exercício resolvido 3

Considere nn o maior número inteiro de dois algarismos que satisfaz às seguintes condições:

  1. dividindo-se o número nn por 5, obtém-se resto igual a 3;
  2. dividindo-se por 5 o número formado pelos mesmos algarismos de nn só que em ordem contrária, o resto obtido é igual a 2.

Nessas condições, a soma dos quadrados dos algarismos que formam o número nn é igual a:

  1. 113
  2. 100
  3. 85
  4. 29
  5. 14

Exercício resolvido 4

Qual é o 2 017º algarismo da forma decimal de 20177\dfrac{2\,017}{7}?

  1. 1
  2. 4
  3. 2
  4. 8
  5. 5

Múltiplos e divisores

Uma relação especial pode ser observada quando o resto da divisão de um número aa por um número bb é igual a zero. Ela é designada pelos termos múltiplo e divisor:

Quando isso acontece, escreve-se bab \mid a que pode ser lido como “bb divide aa”.

Dado um número natural qualquer kk, o conjunto M(k)\mathrm{M}(k) dos múltiplos naturais desse número kk pode ser obtido multiplicando-o por todos os números naturais.

  • M(0)={0}\mathrm{M}(0) = \{0\}
  • M(1)=N\mathrm{M}(1) = \mathbb{N}
  • M(2)={0,2,4,6,8,10,12,14,16,18,20,22,24,}\mathrm{M}(2) = \{0, 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, \ldots\}
  • M(3)={0,3,6,9,12,15,18,21,24,27,30,33,36,}\mathrm{M}(3) = \{0, 3, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24, 27, 30, 33, 36, \ldots\}
  • \vdots
  • M(k)={0,k,2k,3k,4k,5k,6k,7k,8k,9k,10k,11k,12k,}\mathrm{M}(k) = \{0, k, 2 \cdot k, 3 \cdot k, 4 \cdot k, 5 \cdot k, 6 \cdot k, 7 \cdot k, 8 \cdot k, 9 \cdot k, 10 \cdot k, 11 \cdot k, 12 \cdot k, \ldots\}
  • \vdots

Observe que, com exceção de M(0)\mathrm{M}(0), todos os demais conjuntos M possuem infinitos elementos. Além disso, nota-se também que o zero pertence a todos M(k)\mathrm{M}(k), sendo o único elemento menor que o próprio kk.

  • 0M(k)0 \in \mathrm{M}(k)
  • kM(k)k \in \mathrm{M}(k)

Exercício resolvido 5

Bruno é um rapaz muito supersticioso. Um bom exemplo disso é a senha de quatro algarismos que ele escolheu para o seu cartão de crédito. Na senha de Bruno, não aparecem os algarismos 1 e 3, mas tanto o número formado pelos dois primeiros algarismos quanto o número formado pelos algarismos centrais e o número formado pelos dois últimos algarismos são múltiplos de 13.

Se os algarismos extremos da senha do cartão de Bruno são iguais, então, na senha do cartão de Bruno, a soma do maior algarismo com o menor algarismo deve ser igual a:

  1. 12
  2. 11
  3. 10
  4. 9
  5. 8

Vamos encontrar o conjunto D(n)\mathrm{D}(n) dos divisores naturais de um número nn. Para isso, é necessário encontrar todos os valores de kk para os quais nM(k)n \in \mathrm{M}(k).

  • D(0)=N\mathrm{D}(0) = \mathbb{N}
  • D(1)={1}\mathrm{D}(1) = \{1\}
  • D(2)={1,2}\mathrm{D}(2) = \{1, 2\}
  • D(3)={1,3}\mathrm{D}(3) = \{1, 3\}
  • D(4)={1,2,4}\mathrm{D}(4) = \{1, 2, 4\}
  • D(5)={1,5}\mathrm{D}(5) = \{1, 5\}
  • D(6)={1,2,3,6}\mathrm{D}(6) = \{1, 2, 3, 6\}
  • D(7)={1,7}\mathrm{D}(7) = \{1, 7\}
  • D(8)={1,2,4,8}\mathrm{D}(8) = \{1, 2, 4, 8\}
  • D(9)={1,3,9}\mathrm{D}(9) = \{1, 3, 9\}
  • D(10)={1,2,5,10}\mathrm{D}(10) = \{1, 2, 5, 10\}
  • D(11)={1,11}\mathrm{D}(11) = \{1, 11\}
  • D(12)={1,2,3,4,6,12}\mathrm{D}(12) = \{1, 2, 3, 4, 6, 12\}
  • \vdots

Observe que, exceto D(0)\mathrm{D}(0), todos os demais conjuntos D são finitos. Além disso, temos que a unidade e nn pertencem a todo D(n)\mathrm{D}(n) e que não há no conjunto elemento maior que o próprio nn.

  • 1D(n)1 \in \mathrm{D}(n)
  • nD(n)n \in \mathrm{D}(n)

MDC

O máximo divisor comum de dois números naturais aa e bb é igual ao maior elemento positivo pertencente a ambos os conjuntos D(a)\mathrm{D}(a) e D(b)\mathrm{D}(b).

Sejam a=12a = 12 e b=18b = 18, por exemplo:

  • o conjunto dos divisores de 12 é D(12)={1,2,3,4,6,12}\mathrm{D}(12) = \{1, 2, 3, 4, 6, 12\};
  • o conjunto dos divisores de 18 é D(18)={1,2,3,6,9,18}\mathrm{D}(18) = \{1, 2, 3, 6, 9, 18\};
  • o conjunto dos divisores comuns de 12 e 18 é D(12)D(18)={1,2,3,6}\mathrm{D}(12) \cap \mathrm{D}(18) = \{1, 2, 3, 6\};
  • o maior número positivo desse conjunto de divisores comuns é mdc(12,18)=6\operatorname{mdc}(12, 18) = 6.

Essa operação possui as propriedades comutativa e associativa:

mdc(a,b)=mdc(b,a)mdc(a,mdc(b,c))=mdc(mdc(a,b),c)\begin{gather*} \operatorname{mdc}(a, b) = \operatorname{mdc}(b, a) \\ \operatorname{mdc}(a, \operatorname{mdc}(b, c)) = \operatorname{mdc}(\operatorname{mdc}(a, b), c) \end{gather*}

Além delas, é importante observar que, se a0a \neq 0, então:

mdc(0,a)=amdc(1,a)=1\begin{gather*} \operatorname{mdc}(0, a) = a \\ \operatorname{mdc}(1, a) = 1 \end{gather*}

No caso de o número aa ser múltiplo do número bb:

mdc(a,b)=b\operatorname{mdc}(a, b) = b

Quando o único divisor comum entre dois números naturais aa e bb é a unidade, dizemos que aa e bb são números primos entre si ou primos relativos um ao outro.

Sejam a=9a = 9 e b=10b = 10, por exemplo:

  • o conjunto dos divisores de 9 é D(9)={1,3,9}\mathrm{D}(9) = \{1, 3, 9\};
  • o conjunto dos divisores de 10 é D(10)={1,2,5,10}\mathrm{D}(10) = \{1, 2, 5, 10\};
  • o conjunto dos divisores comuns de 9 e 10 é D(9)D(10)={1}\mathrm{D}(9) \cap \mathrm{D}(10) = \{1\};
  • o único elemento desse conjunto de divisores comuns é mdc(9,10)=1\operatorname{mdc}(9, 10) = 1.

Portanto, 9 e 10 são números primos entre si.

MMC

O mínimo múltiplo comum de dois números naturais aa e bb é igual ao menor elemento positivo pertencente a ambos os conjuntos M(a)\mathrm{M}(a) e M(b)\mathrm{M}(b).

Sejam a=12a = 12 e b=18b = 18, por exemplo:

  • o conjunto dos múltiplos de 12 é M(12)={0,12,24,36,48,60,72,84,96,108,}\mathrm{M}(12) = \{0, 12, 24, 36, 48, 60, 72, 84, 96, 108, \ldots\};
  • o conjunto dos múltiplos de 18 é M(18)={0,18,36,54,72,90,108,126,}\mathrm{M}(18) = \{0, 18, 36, 54, 72, 90, 108, 126, \ldots\};
  • o conjunto dos múltiplos comuns de 12 e 18 é M(12)M(18)={0,36,72,108,}\mathrm{M}(12) \cap \mathrm{M}(18) = \{0, 36, 72, 108, \ldots\};
  • o menor número positivo desse conjunto de múltiplos comuns é mmc(12,18)=36\operatorname{mmc}(12, 18) = 36.

Essa operação possui as propriedades comutativa e associativa:

mmc(a,b)=mmc(b,a)mmc(a,mmc(b,c))=mmc(mmc(a,b),c)\begin{gather*} \operatorname{mmc}(a, b) = \operatorname{mmc}(b, a) \\ \operatorname{mmc}(a, \operatorname{mmc}(b, c)) = \operatorname{mmc}(\operatorname{mmc}(a, b), c) \end{gather*}

Além delas, é importante observar que:

mmc(0,a)=0a0mmc(1,a)=a\begin{gather*} \operatorname{mmc}(0, a) = 0 \\ a \neq 0 \Rightarrow \operatorname{mmc}(1, a) = a \end{gather*}

No caso de o número aa ser múltiplo do número bb:

mmc(a,b)=a\operatorname{mmc}(a, b) = a

No caso de aa e bb serem números primos entre si:

mmc(a,b)=ab\operatorname{mmc}(a, b) = a \cdot b

Exercício resolvido 6

Marcos pegou um caderno quadriculado e com uma régua uniu os vértices opostos de um retângulo de seis por quatro unidades, verificando que o segmento traçado passava sobre um único ponto da malha quadriculada situada no interior do retângulo, como mostra a figura:

Se Marcos tivesse unido os vértices opostos de um retângulo de quinze por vinte unidades, o segmento traçado passaria por exatamente quantos pontos da malha quadriculada situada no interior desse retângulo?

  1. 2
  2. 3
  3. 4
  4. 5
  5. 6

Exercício resolvido 7

Marina, irmã de Marcos, também tomou um retângulo de seis por quatro unidades do caderno quadriculado, mas fez um traçado diferente. Partindo do vértice inferior esquerdo do retângulo, ela traçou uma linha reta sobre as diagonais dos quadrados até que essa linha atingisse um dos limites laterais do retângulo. Quando isso aconteceu, ela mudou a direção de seu traçado, mantendo-o sempre sobre as diagonais dos quadrados no interior do retângulo, até atingir outro vértice desse retângulo, como mostra a figura:

Depois que Marina terminou seu desenho, ela verificou que havia traçado as diagonais de exatamente doze quadrados da malha. Se tivesse procedido dessa forma num retângulo de quinze por vinte unidades, ela teria traçado as diagonais de exatamente:

  1. 30 quadrados da malha.
  2. 40 quadrados da malha.
  3. 45 quadrados da malha.
  4. 50 quadrados da malha.
  5. 60 quadrados da malha.

Divisão sem resto em N\mathbb{N}

Quando um número aa é múltiplo de um número bb, o resto da divisão de aa por bb é nulo. Nesse caso, pode-se representar o quociente da divisão como (a:b)(a : b).

  • aa é múltiplo de bb (a:b)N\Rightarrow (a : b) \in \mathbb{N}
  • aa não é múltiplo de bb (a:b)N\Rightarrow (a : b) \notin \mathbb{N}

Trata-se de uma operação não comutativa, pois, se a>ba > b, então bb não é múltiplo de aa, o que torna impossível o quociente (b:a)(b : a) no conjunto dos números naturais.

Também não é uma operação associativa, uma vez que a:(b:c)(a:b):ca : (b : c) \neq (a : b) : c.

As propriedades a seguir servem para contornar essa desigualdade:

  • a:b:c=(a:b):c=a:(bc)a : b : c = (a : b) : c = a : (b \cdot c)
  • a:(b:c)=(ac):ba : (b : c) = (a \cdot c) : b

A unidade funciona como elemento neutro dessa divisão apenas no lugar do divisor:

  • a:1=aa : 1 = a

A unidade também é o resultado de um número positivo dividido por ele mesmo:

  • a>0a:a=1a > 0 \Rightarrow a : a = 1

A divisão é a operação inversa da multiplicação. Isso significa que, sendo aa, bb e cc números naturais:

ab=c{a=c:bb=c:aa \cdot b = c \Rightarrow \begin{cases} a = c : b \\ b = c : a \end{cases}

Números primos e números compostos

Um número natural é considerado primo absoluto ou simplesmente número primo se, e somente se, possuir exatamente dois divisores naturais distintos. Assim:

  • O número 0 não é primo, pois possui infinitos divisores naturais. D(0)=N\mathrm{D}(0) = \mathbb{N}.
  • O número 1 também não é primo, pois possui apenas um divisor natural. D(1)={1}\mathrm{D}(1) = \{1\}.
  • O número 2 é primo, pois possui exatamente dois divisores naturais. D(2)={1,2}\mathrm{D}(2) = \{1, 2\}.
  • O número 3 também é primo, pois possui exatamente dois divisores naturais. D(3)={1,3}\mathrm{D}(3) = \{1, 3\}.
  • O número 4 não é primo, pois possui três divisores naturais. D(4)={1,2,4}\mathrm{D}(4) = \{1, 2, 4\}.
  • O número 5 é primo, pois possui exatamente dois divisores naturais. D(5)={1,5}\mathrm{D}(5) = \{1, 5\}.
  • O número 6 não é primo, pois possui quatro divisores naturais. D(6)={1,2,3,6}\mathrm{D}(6) = \{1, 2, 3, 6\}.
  • \vdots

Os números naturais que possuem mais de dois divisores são chamados de compostos. Assim, de acordo com a quantidade de divisores, os números naturais podem ser classificados em três categorias:

  • Números que não são primos nem são compostos: 0 e 1.
  • Números primos: 2, 3, 5, 7, 11, 13,
  • Números compostos: 4, 6, 8, 9, 10, 12, 14,

Se n>1n > 1, então nn é primo ou composto.

Se um número natural p>1p > 1 é primo, então seus dois únicos divisores naturais são o número 1 e o próprio número pp:

  • pp é primo D(p)={1,p}\Rightarrow \mathrm{D}(p) = \{1, p\}

Se um número natural nn é resultado do produto de dois números primos diferentes p1p_1 e p2p_2, então os divisores desse número são:

  • n=p1p2D(n)={1,p1,p2,n}n = p_1 \cdot p_2 \Rightarrow \mathrm{D}(n) = \{1, p_1, p_2, n\}

Essa e outras características dos números primos e compostos são de grande utilidade para a ciência da criptografia, tão necessária nos dias de hoje.

O teorema fundamental da Aritmética garante que todo número composto é resultado do produto de uma única combinação de números primos. É fácil perceber que 222 \cdot 2 e 232 \cdot 3 são as únicas combinações de fatores que resultam em 4 e 6, mas pense em um número maior, como 3 628 800. O fato de 2222222233335572 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 5 \cdot 5 \cdot 7 ser a única sucessão crescente de fatores primos que resulta em 3 628 800 é mais difícil de se verificar.

Critérios de divisibilidade

Em alguns casos, pode-se perceber que um número composto é divisível por um número primo, mesmo sem efetuar a divisão euclidiana.

Observando o valor do algarismo das unidades de um número natural, verifica-se se ele é divisível por 2 ou 5:

  • Números cujo último algarismo é 2, 4, 6, 8 ou 0 são divisíveis por 2.
  • Números cujo último algarismo é 5 ou 0 são divisíveis por 5.

Observando a soma dos algarismos de um número natural, verifica-se se ele é divisível por 3. Números cuja soma dos algarismos é 3, 6 ou 9 são divisíveis por 3. Se a soma dos algarismos for maior que 9, então, os algarismos do resultado devem ser somados novamente, e assim sucessivamente, até que o resultado tenha apenas um algarismo. Pode-se perceber que o número 3 628 800 é múltiplo de 3, por exemplo, pois:

3+6+2+8+8+0+0=27  e  2+7=93 + 6 + 2 + 8 + 8 + 0 + 0 = 27 \ \text{ e } \ 2 + 7 = 9

Subtraindo e somando, alternadamente e nessa ordem, os algarismos de um número natural, verifica-se se ele é divisível por 11 quando o resultado final dessas operações é zero e, caso este resultado seja maior que 9, então as operações alternadas devem ser feitas novamente, até que o resultado tenha apenas um algarismo. Exemplos:

  • 2 453 é múltiplo de 11, pois 24+53=02 - 4 + 5 - 3 = 0.
  • 64 589 não é múltiplo de 11, pois 64+58+9=86 - 4 + 5 - 8 + 9 = 8.
  • 7 092 954 é múltiplo de 11, pois 70+92+95+4=227 - 0 + 9 - 2 + 9 - 5 + 4 = 22 e 22=02 - 2 = 0.

Também é possível perceber se um número composto é divisível por outro número composto, sem efetuar a divisão euclidiana. Exemplos:

  • Números que terminam com 0 são sempre divisíveis por 10.
  • Números cuja metade termina com 2, 4, 6, 8 ou 0 são sempre divisíveis por 4.
  • Números cuja soma dos algarismos é igual a 9 são sempre divisíveis por 9. Se a soma dos algarismos for maior que 9, então os algarismos do resultado devem ser somados novamente, e assim sucessivamente, até que o resultado tenha apenas um algarismo.

Além disso, se um número natural nn é divisível por dois números aa e bb que são primos entre si, ou seja, tais que mdc(a,b)=1\operatorname{mdc}(a, b) = 1, então nn também é divisível pelo produto (ab)(a \cdot b). Exemplos:

  • Números que são divisíveis por 2 e por 3 também são divisíveis por 23=62 \cdot 3 = 6.
  • Números que são divisíveis por 3 e por 4 também são divisíveis por 34=123 \cdot 4 = 12.
  • Números que são divisíveis por 3 e por 5 também são divisíveis por 35=153 \cdot 5 = 15.
  • Números que são divisíveis por 2, por 3 e por 5 também são divisíveis por 235=302 \cdot 3 \cdot 5 = 30.

Nos casos em que mdc(a,b)>1\operatorname{mdc}(a, b) > 1, essa propriedade não se verifica. Veja o exemplo do número n=20n = 20, que é divisível por a=4a = 4 e por b=10b = 10, mas não é divisível por ab=410=40a \cdot b = 4 \cdot 10 = 40:

  • D(20)={1,2,4,5,10,20}\mathrm{D}(20) = \{1, 2, 4, 5, 10, 20\}

Decomposição em fatores primos

Todo número composto nn pode ser decomposto em fatores primos efetuando-se sucessivas divisões sem resto por cada número primo do qual seja múltiplo, tantas vezes quantas forem possíveis. O número 3 628 800, por exemplo, pode ser dividido por 2 oito vezes sucessivas. Depois, o resultado dessas divisões pode ser dividido por 5 duas vezes sucessivas, depois, por 3 mais quatro vezes e finalmente por 7, até que o quociente final seja unitário. Observe a decomposição do número 3 628 800:

Nessa decomposição, por exemplo, também pode-se efetuar as divisões por 3 antes das divisões por 5, mas o fato é que a ordem dos fatores primos não importa, pois a multiplicação é uma operação comutativa. Desse modo, podemos efetuar as divisões como preferirmos, considerando, por exemplo, uma identificação mais rápida dos critérios de divisibilidade.

O algoritmo da decomposição tem duas colunas. A coluna da esquerda começa com o número a ser decomposto e segue com os quocientes das divisões até que o resultado seja igual a 1, e na coluna da direita escrevem-se os números primos que são os divisores no algoritmo.

Como o penúltimo número da coluna da esquerda sempre será um número primo, e ele pode ser relativamente grande, é recomendável que se tenha um bom repertório de números primos memorizados.

Os números primos menores, que possuem apenas um algarismo, são 2, 3, 5 e 7.

O quadro a seguir mostra a distribuição dos números primos de dois algarismos:

Unidade 1Unidade 3Unidade 7Unidade 9
Dezena 111131719
Dezena 22329
Dezena 33137
Dezena 4414347
Dezena 55359
Dezena 66167
Dezena 7717379
Dezena 88389
Dezena 997

Exercício resolvido 8

Assinale a alternativa que apresenta um número que não pode ser obtido da soma dos algarismos de um número primo menor que 100.

  1. 5
  2. 7
  3. 11
  4. 13
  5. 15

Números fatoriais

Chamamos os números que resultam do produto entre os primeiros números naturais positivos de números fatoriais. Indica-se o fatorial de um número natural nn usando-se um ponto de exclamação (!).

Assim:

  • 1!=11! = 1
  • 2!=12=22! = 1 \cdot 2 = 2
  • 3!=123=63! = 1 \cdot 2 \cdot 3 = 6
  • 4!=1234=244! = 1 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 4 = 24
  • 5!=12345=1205! = 1 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 4 \cdot 5 = 120

E para todo n>5n > 5:

Os números fatoriais maiores que 2 tendem a possuir muitos divisores. Comparando-se dois números fatoriais diferentes, pode-se afirmar que, se a!>b!a! > b!, então:

  • a!a! é múltiplo de b!b!
  • b!b! é divisor de a!a!
  • mmc(a!,b!)=a!\operatorname{mmc}(a!, b!) = a!
  • mdc(a!,b!)=b!\operatorname{mdc}(a!, b!) = b!

Potenciação

A operação de potenciação é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da potenciação são a base e o expoente. O resultado é chamado de potência.

Sendo bb um número natural qualquer, a operação de potenciação começa a ser definida pelas seguintes proposições:

  • b0=1b^0 = 1
  • b1=bb^1 = b

A primeira sentença define que toda base elevada ao expoente zero resulta no número 1, e a segunda define que o número 1 funciona como expoente neutro.

Representando por nn' o sucessor de outro número natural nn, fica definido que:

bn=bbnb^{n'} = b \cdot b^n

Também é possível definir a potência de base bb e expoente nn como o resultado da multiplicação sucessiva do número 1 por nn fatores iguais a bb:

bn=1bbbbbbbbn fatoresb^n = 1 \cdot \underbrace{b \cdot b \cdot b \cdot b \cdot b \cdot b \cdot \ldots \cdot b \cdot b}_{n \text{ fatores}}

Exemplos:

  • 32=1332 fatores=93^2 = 1 \cdot \underbrace{3 \cdot 3}_{2 \text{ fatores}} = 9
  • 23=12223 fatores=82^3 = 1 \cdot \underbrace{2 \cdot 2 \cdot 2}_{3 \text{ fatores}} = 8

Esses exemplos mostram que a potenciação não é uma operação comutativa, ou seja, abbaa^b \neq b^a com apenas uma exceção em N\mathbb{N}: a=2a = 2 e b=4b = 4.

A potenciação tem propriedade distributiva em relação às operações de multiplicação e divisão:

  • (ab)n=anbn(a \cdot b)^n = a^n \cdot b^n
  • (a:b)n=an:bn(a : b)^n = a^n : b^n

O produto de potências de mesma base é obtido conservando-se a base e adicionando-se os expoentes:

  • bnbm=bn+mb^n \cdot b^m = b^{n + m}

O quociente de potências de mesma base é obtido conservando-se a base e subtraindo-se os expoentes:

  • bn:bm=bnmb^n : b^m = b^{n - m}

A potenciação é usada para abreviar a notação decomposta de um número natural, como 3 628 800, por exemplo, cujos fatores são 2222222233335572 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 5 \cdot 5 \cdot 7. Na forma abreviada pela potenciação, esse número fica expresso por 28345272^8 \cdot 3^4 \cdot 5^2 \cdot 7.

Exercício resolvido 9

Se a soma 20222021+20222021+20222021++202220212\,022^{2\,021} + 2\,022^{2\,021} + 2\,022^{2\,021} + \ldots + 2\,022^{2\,021} possui 2 021 parcelas, então o total é de:

  1. 2022202212\,022^{2\,022} - 1
  2. 202220222\,022^{2\,022}
  3. 2022202220222\,022^{2\,022} - 2\,022
  4. 2022202112\,022^{2\,021} - 1
  5. 20222022202220212\,022^{2\,022} - 2\,022^{2\,021}

Quadrados perfeitos e cubos perfeitos

Devido ao seu uso no cálculo de áreas e volumes, as potências de expoentes 2 e 3 são também chamadas de “quadrados” e “cubos”, respectivamente.

  • A segunda potência de uma base bb é indicada por b2b^2 e pode ser lida como “bb ao quadrado”.
  • A terceira potência de uma base bb é indicada por b3b^3 e pode ser lida como “bb ao cubo”.

Com estes termos podem ser definidos dois importantes subconjuntos dos números naturais:

  • O conjunto dos quadrados perfeitos ={n2nN}= \{n^2 \mid n \in \mathbb{N}\}
  • O conjunto dos cubos perfeitos ={n3nN}= \{n^3 \mid n \in \mathbb{N}\}

Exercício resolvido 10

O menor número inteiro que pode ser escrito como a soma de dois quadrados perfeitos, de duas formas diferentes, é o número 50.

  • 50=12+7250 = 1^2 + 7^2
  • 50=52+5250 = 5^2 + 5^2

Qual é o próximo?

  1. 58
  2. 64
  3. 85
  4. 89
  5. 92

Radiciação e logaritmos em N\mathbb{N}

A operação de radiciação ou extração de raízes é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam da radiciação são o índice do radical e o radicando. O resultado é chamado de raiz.

O índice do radical designa a ordem da radiciação, e o radicando, o número do qual será extraída a raiz.

Sendo pp e nn números naturais, a notação radical pn\sqrt[n]{p} só é possível nesse conjunto se o número pp for a nn-ésima potência de algum número natural mm, de modo que a radiciação se presta como uma das operações contrárias da potenciação:

O número 1 funciona como elemento neutro no lugar do índice do radical, de modo que a primeira raiz de um número natural é igual a ele mesmo, ou seja, p1=p\sqrt[1]{p} = p.

Quando o índice do radical é igual a 2, ele pode ser omitido, ou seja, q2=q\sqrt[2]{q} = \sqrt{q}. A segunda raiz de um número é denominada sua raiz quadrada, e os únicos números que possuem raiz quadrada natural são os quadrados perfeitos.

A terceira raiz de um número é denominada sua raiz cúbica, e os únicos números que possuem raiz cúbica natural são os cubos perfeitos.

A radiciação não é uma operação associativa e nem comutativa, mas possui propriedade distributiva em relação à multiplicação e à divisão:

  • abn=anbn\sqrt[n]{a \cdot b} = \sqrt[n]{a} \cdot \sqrt[n]{b}
  • a:bn=an:bn\sqrt[n]{a : b} = \sqrt[n]{a} : \sqrt[n]{b}

Além dessas propriedades, também é fato que:

  • pmn=pnm\sqrt[n]{\sqrt[m]{p}} = \sqrt[n \cdot m]{p}

A extração de logaritmos é aplicada a apenas dois números naturais de cada vez. Os números que participam dessa operação são o logaritmando e a base. O resultado é chamado de logaritmo.

Dada uma base bb, os únicos números do conjunto N\mathbb{N} que possuem logaritmos nessa base são as potências de bb, ou seja, os números do conjunto {1,b,b2,b3,b4,}\{1, b, b^2, b^3, b^4, \ldots\}.

O logaritmo também se presta como operação inversa da potenciação:

A extração de logaritmos não é uma operação associativa nem comutativa, mas possui uma série de propriedades importantes, que serão estudadas em outra ocasião. Veja alguns exemplos comparando resultados de potenciações às suas duas operações contrárias: a extração de raízes e de logaritmos.

Exercício resolvido 11

Se 729m=3\sqrt[m]{729} = 3 e 729n=9\sqrt[n]{729} = 9, então os índices mm e nn das raízes são tais que:

  1. m+n=729m + n = 729
  2. m=n2m = n^2
  3. m=n+9m = n + 9
  4. m=3nm = 3n
  5. m=2nm = 2n

Os números inteiros

O conjunto Z\mathbb{Z} dos números inteiros extrapola o conceito de número natural admitindo a existência de números cardinais menores que zero, denominados inteiros negativos. Com isso, os números naturais maiores que zero passam a ser chamados de inteiros positivos.

Nesse conjunto, o zero é o único número que não é positivo nem negativo. Os números inteiros negativos são obrigatoriamente precedidos pelo sinal ()(-), e os números positivos podem ser precedidos pelo sinal (+)(+) ou sem sinal algum.

Z={,4,3,2,1,0,+1,+2,+3,+4,+5,+6,}\mathbb{Z} = \{\ldots, -4, -3, -2, -1, 0, +1, +2, +3, +4, +5, +6, \ldots\}

Um dos principais subconjuntos de Z\mathbb{Z} é o conjunto dos números inteiros não nulos:

Z={,4,3,2,1,+1,+2,+3,+4,+5,+6,}\mathbb{Z}^* = \{\ldots, -4, -3, -2, -1, +1, +2, +3, +4, +5, +6, \ldots\}

Esse subconjunto dos números inteiros também apresenta características ordinais, pois não possui o zero. Desse modo, pode-se contar em dois sentidos opostos, como se faz no ocidente para numerar os séculos da história, por exemplo. Os séculos negativos são indicados por a.C., os positivos, por d.C., e não há o século zero.

Além dos inteiros não nulos, outros quatro subconjuntos de Z\mathbb{Z} merecem atenção.

  • O conjunto dos números inteiros positivos:

    Z+={+1,+2,+3,+4,+5,+6,}\mathbb{Z}^*_+ = \{+1, +2, +3, +4, +5, +6, \ldots\}
  • O conjunto dos números inteiros negativos:

    Z={1,2,3,4,5,6,}\mathbb{Z}^*_- = \{-1, -2, -3, -4, -5, -6, \ldots\}
  • O conjunto dos números inteiros não negativos:

    Z+={0,+1,+2,+3,+4,+5,+6,}\mathbb{Z}_+ = \{0, +1, +2, +3, +4, +5, +6, \ldots\}
  • O conjunto dos números inteiros não positivos:

    Z={0,1,2,3,4,5,6,}\mathbb{Z}_- = \{0, -1, -2, -3, -4, -5, -6, \ldots\}

Exercício resolvido 12

A expansão da República Romana para além da península Itálica teve seu início no século III a.C. e término em meados do século IV d.C. Em quantos séculos da nossa história podemos afirmar que houve tal expansão?

  1. 2
  2. 3
  3. 5
  4. 7
  5. 8

Oposto do número natural

Cada número inteiro negativo é concebido como o oposto, ou simétrico, de um número natural e o sinal ()(-) indica essa oposição. Assim:

  • 1-1 indica o oposto do número 1;
  • 2-2 indica o oposto do número 2;
  • 3-3 indica o oposto do número 3;
  • \vdots
  • n-n indica o oposto do número nn.

Em Z\mathbb{Z}, o único número que não possui oposto é o número zero.

A relação de oposição é dual. Isso significa não haver uma terceira opção para essa relação, de modo que os opostos dos números inteiros negativos sejam os números positivos. Assim:

  • 1 indica o oposto do número 1-1;
  • 2 indica o oposto do número 2-2;
  • 3 indica o oposto do número 3-3;
  • \vdots
  • nn indica o oposto do número n-n.

Portanto, o oposto do oposto de um número nn deve ser o próprio número nn, ou seja, (n)=n-(-n) = n. Perceba que todas essas afirmações são válidas para qualquer sinal de nn.

Orientação ordinal

Entre as contribuições proporcionadas pelo advento dos números negativos está a ampliação do aspecto ordinal do número que adquire dupla orientação em relação a uma referência original, que pode ser espacial, temporal etc.

Veja o exemplo da escala Celsius de temperatura, em que o número zero é fixado como a temperatura de congelamento da água e as temperaturas mais frias são designadas por graus negativos, enquanto as mais quentes, por graus positivos, de modo que cada grau negativo corresponda à mesma variação de temperatura que cada grau positivo, mas em outro sentido.

No conjunto Z\mathbb{Z}, o número zero é sucessor do número 1-1 que, por sua vez, é o sucessor do número 2-2, e assim por diante. Nesse conjunto todo elemento possui um sucessor e um antecessor.

Módulo de um número inteiro

Todo número ordinal nn está associado a dois números inteiros distintos, +n+n e n-n, de modo que entre eles esteja o número zero e exatamente a mesma quantidade de números positivos e negativos.

Natural ordinal (nº)Inteiro positivo (+n+n)Inteiro negativo (n-n)Inteiros entre +n+n e n-n
1º+1+11-10
2º+2+22-21,0,+1-1, 0, +1
3º+3+33-32,1,0,+1,+2-2, -1, 0, +1, +2
4º+4+44-43,2,1,0,+1,+2,+3-3, -2, -1, 0, +1, +2, +3
\vdots\vdots\vdots\vdots

Em contrapartida, eliminando a orientação positiva/negativa de dois números inteiros opostos, obtém-se sempre o mesmo número ordinal. Chamamos de módulo de um número inteiro, ou valor absoluto de um número inteiro, o número natural que se obtém ao eliminar o sinal de um número inteiro. O módulo é representado por duas barras verticais, assim, o módulo do número aa é indicado por a|a|.

  • +1=1=1|+1| = |-1| = 1
  • +2=2=2|+2| = |-2| = 2
  • +3=3=3|+3| = |-3| = 3
  • \vdots

Operações com números inteiros

O conjunto Z\mathbb{Z} é fechado em relação às operações de adição, subtração e multiplicação. Assim, sendo aa e bb dois números inteiros quaisquer:

Outras operações entre números inteiros, como a potenciação, por exemplo, podem gerar resultados que escapam desse conjunto.

Adição em Z\mathbb{Z}

No conjunto Z\mathbb{Z}, a adição admite todas as propriedades que a definem no conjunto N\mathbb{N}. A novidade é a existência de opostos aditivos, ou seja, pares de números cuja soma resulte no elemento neutro da operação: o número zero.

  • 1+1=0-1 + 1 = 0
  • 2+2=0-2 + 2 = 0
  • 3+3=0-3 + 3 = 0
  • \vdots
  • n+n=0-n + n = 0

A soma de dois números inteiros aa e bb de mesmo sinal tem o mesmo sinal das parcelas.

A soma de dois números positivos equivale à soma de dois números naturais. Exemplo:

(+3)+(+5)=3+5=8(+3) + (+5) = 3 + 5 = 8

A soma de dois números negativos é negativa, sendo que seu módulo é igual à soma dos módulos das parcelas. Exemplo:

(3)+(5)=8(-3) + (-5) = -8

Para efetuar a adição de dois números inteiros com sinais diferentes, é necessário verificar qual deles possui o maior módulo. O sinal do número de maior módulo será o sinal da soma, e o módulo da soma será igual à diferença absoluta dos módulos das parcelas. Observe:

  • (3)+(+5)=+2(-3) + (+5) = +2
  • (+3)+(5)=2(+3) + (-5) = -2
  • (5)+(+3)=2(-5) + (+3) = -2
  • (+5)+(3)=+2(+5) + (-3) = +2

Eliminando o sinal das parcelas, ficamos com os números 3 e 5, cuja diferença absoluta é de 2 unidades. Então, como 5>35 > 3, o resultado final fica com o mesmo sinal da parcela 5.

Subtração em Z\mathbb{Z}

Cada número negativo em si pode ser tomado como o resultado da subtração de minuendo zero e algum subtraendo natural. Observe que:

  • 3=03-3 = 0 - 3
  • 11=011-11 = 0 - 11

Mas, de forma prática, no conjunto Z\mathbb{Z} a subtração também pode ser interpretada como uma adição, desde que se tome para a segunda parcela o valor oposto ao subtraendo.

  • (3)(+5)=(3)+(5)=8(-3) - (+5) = (-3) + (-5) = -8
  • (+3)(5)=(+3)+(+5)=+8(+3) - (-5) = (+3) + (+5) = +8
  • (5)(+3)=(5)+(3)=8(-5) - (+3) = (-5) + (-3) = -8
  • (+5)(3)=(+5)+(+3)=+8(+5) - (-3) = (+5) + (+3) = +8

A subtração não é uma operação comutativa, por isso (ab)(a - b) é diferente de (ba)(b - a) quando aa e bb são números inteiros diferentes um do outro. Os valores de (ab)(a - b) e (ba)(b - a) são opostos, ou seja, (ab)=(ba)(a - b) = -(b - a).

Observando o fato de esses valores terem o mesmo módulo, pode-se concluir que a diferença absoluta de dois números inteiros é uma operação comutativa:

Multiplicação em Z\mathbb{Z}

A operação de multiplicação de números inteiros admite todas as propriedades que a definiram no conjunto N\mathbb{N}, além das seguintes regras de sinal:

Efetuando a multiplicação de números inteiros, observa-se que o módulo do produto é igual ao produto dos módulos dos fatores:

ab=ab|a \cdot b| = |a| \cdot |b|

E, além disso, que:

  • O produto de dois números inteiros de mesmo sinal é sempre positivo.
  • O produto de dois números inteiros de sinais contrários é sempre negativo.

Divisão sem resto em Z\mathbb{Z}

Neste conjunto numérico também acontece de um número aa ser múltiplo de um número bb. Nesse caso, o resto da divisão é nulo e pode-se representar o quociente da divisão como (a:b)(a : b), em que vale a mesma regra de sinais da multiplicação:

Máximo divisor comum (mdc) e mínimo múltiplo comum (mmc)

Com a inclusão dos números negativos, os conjuntos dos múltiplos e dos divisores de um número adquirem novos elementos.

O conjunto dos divisores de 12, por exemplo, é igual ao conjunto dos divisores de 12-12:

D(12)=D(12)={12,6,4,3,2,1,1,2,3,4,6,12}\mathrm{D}(-12) = \mathrm{D}(12) = \{-12, -6, -4, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 4, 6, 12\}

Assim como o conjunto dos divisores de 18 é igual ao conjunto dos divisores de 18-18:

D(18)=D(18)={18,9,6,3,2,1,1,2,3,6,9,18}.\mathrm{D}(-18) = \mathrm{D}(18) = \{-18, -9, -6, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 6, 9, 18\}.

O conjunto dos múltiplos de 12-12 é igual ao conjunto dos múltiplos de 12:

M(12)=M(12)={,48,36,24,12,0,12,24,36,48,}\mathrm{M}(-12) = \mathrm{M}(12) = \{\ldots, -48, -36, -24, -12, 0, 12, 24, 36, 48, \ldots\}

Assim como o conjunto dos múltiplos de 18-18 é igual ao conjunto dos múltiplos de 18:

M(18)=M(18)={,72,54,36,18,0,18,36,54,72,}\mathrm{M}(-18) = \mathrm{M}(18) = \{\ldots, -72, -54, -36, -18, 0, 18, 36, 54, 72, \ldots\}

O máximo divisor comum de dois números inteiros segue a mesma definição dada no conjunto dos números naturais, pois os números positivos são maiores que os negativos.

Por conveniência, toma-se o mínimo múltiplo comum de números inteiros como um valor positivo, quaisquer que sejam os sinais dos números envolvidos. Observe que, se os múltiplos negativos fossem incluídos como possibilidade para o mmc, a definição desta operação não encontraria resultado algum, pois o conjunto dos múltiplos inteiros de qualquer número diferente de zero decresce infinitamente.

  • mdc(18,12)=mdc(18,12)=mdc(18,12)=mdc(18,12)=+6\operatorname{mdc}(-18, -12) = \operatorname{mdc}(18, -12) = \operatorname{mdc}(-18, 12) = \operatorname{mdc}(18, 12) = +6
  • mmc(18,12)=mmc(18,12)=mmc(18,12)=mmc(18,12)=+36\operatorname{mmc}(-18, -12) = \operatorname{mmc}(18, -12) = \operatorname{mmc}(-18, 12) = \operatorname{mmc}(18, 12) = +36

Potenciação em Z\mathbb{Z}

A potenciação não é uma operação fechada em Z\mathbb{Z}, porque as potências de bases inteiras e expoentes negativos escapam desse conjunto.

  • (+5)3Z(+5)^{-3} \notin \mathbb{Z}
  • (+3)2Z(+3)^{-2} \notin \mathbb{Z}

Em relação às potências de base negativa e expoente positivo, aplica-se a regra de sinais da multiplicação, que dependerá exclusivamente da quantidade de fatores envolvidos, indicada pelo expoente da potenciação.

Assim, se o expoente for par, então a potência será positiva, mas se o expoente for ímpar a potência será negativa. Exemplos:

  • (3)2=+9(-3)^2 = +9
  • (3)3=27(-3)^3 = -27
  • (3)4=+81(-3)^4 = +81
  • (3)5=243(-3)^5 = -243
  • \vdots

As bases negativas devem ser indicadas entre parênteses, caso contrário o sinal que antecede a potenciação também será o sinal do resultado, pois, nesse caso, tem-se o inverso de uma potência de base positiva. Exemplos:

  • 32=9-3^2 = -9
  • 33=27-3^3 = -27
  • 34=81-3^4 = -81
  • 35=243-3^5 = -243
  • \vdots

Exercício resolvido 13

O número de soluções inteiras da equação xy=64x^y = 64 é:

  1. 6
  2. 5
  3. 4
  4. 3
  5. 2

Radiciação em Z\mathbb{Z}

A radiciação também não é uma operação fechada no conjunto dos números inteiros, exceto quando o radicando é unitário. Os radicais de índices negativos não pertencem a este conjunto.

  • nZ1n=1n \in \mathbb{Z}^* \Rightarrow \sqrt[n]{1} = 1
  • n<0n < 0 e p±1pnZp \neq \pm 1 \Rightarrow \sqrt[n]{p} \notin \mathbb{Z}

Além disso, se o radicando for negativo, as únicas raízes que podem gerar um resultado inteiro são aquelas cujos índices naturais não são divisíveis por 2, desde que o radicando seja uma potência adequada. Nesse caso, a raiz também será um número negativo. Exemplos:

  • 4Z\sqrt{-4} \notin \mathbb{Z}
  • 83=2\sqrt[3]{-8} = -2
  • 164Z\sqrt[4]{-16} \notin \mathbb{Z}
  • 325=2\sqrt[5]{-32} = -2
  • \vdots

Como a radiciação é uma das operações contrárias da potenciação, para resolver algumas equações também é necessário observar se o expoente é, ou não, múltiplo de 2.

PerguntaEquaçãoSolução
Qual número inteiro deve ser elevado à segunda potência para se obter o número +9+9?n2=+9n^2 = +9n=±+9n=±3\begin{array}{c} n = \pm\sqrt{+9} \\ n = \pm 3 \end{array}
Qual número inteiro deve ser elevado à segunda potência para se obter o número 9-9?n2=9n^2 = -9Não há solução.
Qual número inteiro deve ser elevado à terceira potência para se obter o número +8+8?n3=+8n^3 = +8n=+83n=+2\begin{array}{c} n = \sqrt[3]{+8} \\ n = +2 \end{array}
Qual número inteiro deve ser elevado à terceira potência para se obter o número 8-8?n3=8n^3 = -8n=83n=2\begin{array}{c} n = \sqrt[3]{-8} \\ n = -2 \end{array}

Assim, se a segunda potência de um número inteiro nn for um quadrado perfeito, por exemplo, então o valor de nn pode ser positivo ou negativo.

Divisão com resto em Z\mathbb{Z}

Neste conjunto numérico, o algoritmo da divisão euclidiana também deve produzir quociente e resto. O sinal do quociente obedece à mesma regra de sinais da multiplicação, mas o resto produzido não pode ser negativo, ele independe dos sinais do dividendo e do divisor.

ndrq{n=qd+r0r<d\begin{array}{r|l} n & d \\ \hline r & q \end{array} \quad \Rightarrow \quad \begin{cases} n = q \cdot d + r \\ 0 \leq r < |d| \end{cases}

É necessário observar que o resto rr deve representar quanto o dividendo nn ultrapassa o maior múltiplo do divisor dd que seja inferior a nn. Veja os exemplos a seguir.

  • Dividendo e divisor positivos:

    13532\begin{array}{r|l} 13 & 5 \\ \hline 3 & 2 \end{array}
  • Dividendo positivo e divisor negativo:

    13532\begin{array}{r|l} 13 & -5 \\ \hline 3 & -2 \end{array}
  • Dividendo negativo e divisor positivo:

    13523\begin{array}{r|l} -13 & 5 \\ \hline 2 & -3 \end{array}
  • Dividendo e divisor negativos:

    13523\begin{array}{r|l} -13 & -5 \\ \hline 2 & 3 \end{array}

Ideais e laterais

Todo número natural nn está associado a um conjunto de números inteiros cujos elementos são os resultados das multiplicações de todos os números inteiros por nn. Trata-se do conjunto dos múltiplos inteiros do número nn, que podemos indicar por nZn\mathbb{Z}.

Assim, se o conjunto {,52,39,26,13,0,13,26,39,52,}\{\ldots, -52, -39, -26, -13, 0, 13, 26, 39, 52, \ldots\} possui todos os múltiplos de 13, por exemplo, esse conjunto fica representado por 13Z13\mathbb{Z}.

O único conjunto finito que pode ser obtido dessa forma ocorre quando n=0n = 0, pois 0Z={0}0\mathbb{Z} = \{0\}.

Se n=1n = 1, o conjunto resultante desse processo é o próprio conjunto dos números inteiros, 1Z=Z1\mathbb{Z} = \mathbb{Z}.

Todos os outros valores de nn geram conjuntos com uma infinidade de elementos denominados múltiplos de nn:

  • 2Z={,6,4,2,0,2,4,6,8,}2\mathbb{Z} = \{\ldots, -6, -4, -2, 0, 2, 4, 6, 8, \ldots\}
  • 3Z={,9,6,3,0,3,6,9,12,}3\mathbb{Z} = \{\ldots, -9, -6, -3, 0, 3, 6, 9, 12, \ldots\}
  • 4Z={,12,8,4,0,4,8,12,16,}4\mathbb{Z} = \{\ldots, -12, -8, -4, 0, 4, 8, 12, 16, \ldots\}
  • 5Z={,15,10,5,0,5,10,15,20,}5\mathbb{Z} = \{\ldots, -15, -10, -5, 0, 5, 10, 15, 20, \ldots\}
  • \vdots

Sendo nn um número natural, os conjuntos do tipo nZn\mathbb{Z} são chamados de “ideais” por serem fechados às operações de adição, subtração e multiplicação. Assim, sendo aa e bb dois elementos de um mesmo ideal nZn\mathbb{Z}, tem-se que:

Vamos demonstrar essas afirmações:

Considerando o ideal nZn\mathbb{Z}, se x1x_1 e x2x_2 são seus elementos, então devem existir inteiros k1k_1 e k2k_2 de modo que:

x1=nk1  e  x2=nk2x_1 = n \cdot k_1 \ \text{ e } \ x_2 = n \cdot k_2

O conjunto nZn\mathbb{Z} é fechado em relação às operações de adição e subtração, pois:

x1±x2=nk1±nk2=n(k1±k2)nZx_1 \pm x_2 = n \cdot k_1 \pm n \cdot k_2 = n \cdot (k_1 \pm k_2) \in n\mathbb{Z}

O conjunto nZn\mathbb{Z} é fechado em relação à multiplicação, pois:

x1x2=nk1nk2=n(nk1k2)nZx_1 \cdot x_2 = n \cdot k_1 \cdot n \cdot k_2 = n \cdot (n \cdot k_1 \cdot k_2) \in n\mathbb{Z}

Além dessas propriedades de fechamento dos conjuntos ideais, toda potência de expoente ordinal de um elemento de nZn\mathbb{Z} também é elemento de nZn\mathbb{Z} e, em relação à divisão euclidiana, embora o quociente da divisão de aa por bb não seja, necessariamente, elemento do ideal nZn\mathbb{Z}, o resto da divisão certamente será elemento desse conjunto.

Vamos demonstrar a última afirmação.

Sendo qq o quociente da divisão de x1x_1 por x2x_2 e rr o resto dessa divisão:

x1=qx2+rnk1=qnk2+rnk1qnk2=rr=n(k1qk2)nZ\begin{align*} x_1 = q \cdot x_2 + r &\Rightarrow n \cdot k_1 = q \cdot n \cdot k_2 + r \Rightarrow \\ &\Rightarrow n \cdot k_1 - q \cdot n \cdot k_2 = r \Rightarrow r = n \cdot (k_1 - q \cdot k_2) \in n\mathbb{Z} \end{align*}

Cada ideal nZn\mathbb{Z}, com n2n \geq 2 está associado a exatamente n1n - 1 subconjuntos de Z\mathbb{Z}, denominados conjuntos “laterais”.

Particularmente, 2Z2\mathbb{Z} designa o conjunto dos números pares, cujo único conjunto lateral associado é o conjunto dos números ímpares, formado por todos os inteiros que deixam resto 1 quando divididos pelo número 2.

Os números ímpares podem ser definidos pela expressão 2k+12k + 1, com kZk \in \mathbb{Z}, e trata-se do único lateral do conjunto dos números pares, porque o número 1 também é o único resto diferente de zero que pode ser obtido da divisão de um número inteiro pelo número 2.

  • O conjunto dos números pares é {,6,4,2,0,2,4,6,8,10,12,}\{\ldots, -6, -4, -2, 0, 2, 4, 6, 8, 10, 12, \ldots\}.
  • O conjunto dos números ímpares é {,7,5,3,1,1,3,5,7,9,11,}\{\ldots, -7, -5, -3, -1, 1, 3, 5, 7, 9, 11, \ldots\}.

Quando um número inteiro é dividido por 3, os possíveis restos da divisão são os números 1 e 2, por isso o ideal 3Z3\mathbb{Z} pode ser associado a dois conjuntos laterais diferentes:

  • o conjunto dos números da forma 3k+13k + 1, que deixam resto 1 quando divididos por 3;
  • o conjunto dos números da forma 3k+23k + 2, que deixam resto 2 quando divididos por 3.

Quando um número inteiro é dividido por 4, os possíveis restos da divisão são os números 1, 2 e 3, por isso o ideal 4Z4\mathbb{Z} pode ser associado a três conjuntos laterais diferentes:

  • o conjunto dos números da forma 4k+14k + 1;
  • o conjunto dos números da forma 4k+24k + 2;
  • o conjunto dos números da forma 4k+34k + 3.

Exercício resolvido 14

Determine o menor inteiro positivo que deixa resto 7 ao ser dividido por 12 e ao ser dividido por 15.

Exercício resolvido 15

Determine o menor número inteiro positivo de três algarismos N tais que:

  • N dividido por 17 deixa resto 5; e
  • N dividido por 27 deixa resto 22.

Os números racionais

O conjunto Q\mathbb{Q} dos números racionais vem suprir a necessidade de se anotarem quantidades intermediárias entre dois números inteiros consecutivos. Os termos “dois terços”, “três quartos” e “um quinto” são alguns exemplos de numerais que designam quantidades entre zero e um.

Como entre dois números racionais aa e bb distintos quaisquer existe uma infinidade de outros números racionais, este não é um conjunto numérico discreto, pois nenhum número racional possui sucessor ou antecessor no conjunto Q\mathbb{Q}. Dizemos que o conjunto dos números racionais é “denso”.

Notação fracionária de um número racional

Juntando os sinais (+)(+) e ()(-) aos dez algarismos do sistema decimal {0,1,2,3,4,5,6,7,8,9}\{0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9\}, obtém-se símbolos suficientes para representar qualquer número inteiro. Acrescentando-se a vírgula (,) e as reticências (...) a essa coleção de símbolos, torna-se possível representar os números que não são inteiros.

Em relação à representação decimal dos números racionais, eles podem ser separados em três categorias: a dos números inteiros, que não precisam ser escritos com o uso da vírgula, a dos números que possuem quantidade finita de casas decimais após a vírgula e a dos números que apresentam infinitas casas decimais após a vírgula. Estes últimos são conhecidos como dízimas periódicas.

  • 3
  • 3,3
  • 3,3333...

Sendo X o conjunto dos números não inteiros que são representados com quantidade finita de casas decimais, e Y o conjunto das dízimas periódicas, o conjunto Q\mathbb{Q} pode ser definido como a seguinte reunião de conjuntos: Q=XYZ\mathbb{Q} = \mathrm{X} \cup \mathrm{Y} \cup \mathbb{Z}.

A forma de representação, o que todos os números racionais têm em comum, é chamada de fracionária. Todo número racional pode ser representado por uma fração de dois inteiros: o numerador e o denominador.

  • 3=313 = \dfrac{3}{1}
  • 3,3=33103{,}3 = \dfrac{33}{10}
  • 3,3333=1033{,}3333\ldots = \dfrac{10}{3}

Por poderem ser representados dessa forma, o conjunto Q\mathbb{Q} dos números racionais fica definido pela sentença Q={nd|nZ, dZ, d0}\mathbb{Q} = \left\{\dfrac{n}{d} \,\middle|\, n \in \mathbb{Z},\ d \in \mathbb{Z},\ d \neq 0\right\}.

O denominador de uma fração indica em quantas partes deve-se dividir a unidade, seja essa unidade positiva, seja negativa. O numerador indica quantas dessas partes de unidade devem ser tomadas, para se compreender o número racional que a fração expressa. Exemplos:

  1. A fração 15\dfrac{1}{5} indica a quinta parte de uma unidade, ou seja, o valor que resulta da divisão do número 1 pelo número 5. Sua forma decimal é 0,2.
  2. A fração 23\dfrac{2}{3} compreende duas das três partes iguais em que se divide uma unidade. Sua forma decimal é a dízima 0,6666....
  3. A fração 55\dfrac{5}{5} é equivalente ao número inteiro 1, pois compreende todas as cinco partes iguais de uma única unidade.

Tipos de frações

Existem muitas frações nd\dfrac{n}{d}, de diferentes numeradores nn e diferentes denominadores dd, que representam o mesmo número racional. Observe que:

=180300=90150=60100=4575=3660=3050==1830=1525=1220=915=610=35\begin{align*} \ldots = \frac{180}{300} = \frac{90}{150} = \frac{60}{100} = \frac{45}{75} = \frac{36}{60} = \frac{30}{50} = \\ = \frac{18}{30} = \frac{15}{25} = \frac{12}{20} = \frac{9}{15} = \frac{6}{10} = \frac{3}{5} \end{align*}

Para verificar que todas essas frações representam o mesmo número, basta efetuar a divisão sem resto do numerador pelo denominador de cada uma e encontrar o quociente decimal 0,6.

Frações unitárias

Chama-se fração unitária toda fração cujo numerador é o número 1. Cada uma dessas frações representa um número denominado de recíproco ou inverso de algum número natural. Exemplos:

NúmeroFração unitáriaRepresentação decimal
Recíproco de 212\dfrac{1}{2}0,5
Recíproco de 313\dfrac{1}{3}0,3333333333333333...
Recíproco de 414\dfrac{1}{4}0,25
Recíproco de 515\dfrac{1}{5}0,2
Recíproco de 616\dfrac{1}{6}0,1666666666666666...
Recíproco de 717\dfrac{1}{7}0,1428571428571428...
Recíproco de 818\dfrac{1}{8}0,125
Recíproco de 919\dfrac{1}{9}0,1111111111111111...
Recíproco de 10110\dfrac{1}{10}0,1
Recíproco de 11111\dfrac{1}{11}0,0909090909090909...
Recíproco de 12112\dfrac{1}{12}0,0833333333333333...
Recíproco de 13113\dfrac{1}{13}0,0769230769230769...
\vdots\vdots\vdots

Frações decimais

São aquelas com denominadores que são potências de 10.

Exemplos: 110\dfrac{1}{10}, 75100\dfrac{75}{100}, 1331000\dfrac{133}{1000}.

Frações próprias

São frações que apresentam o numerador menor que o denominador.

Exemplos: 12\dfrac{1}{2}, 23\dfrac{2}{3}, 24\dfrac{2}{4}, 35\dfrac{3}{5}, 56\dfrac{5}{6}.

Frações impróprias

São frações que apresentam o numerador maior que o denominador.

Exemplos: 32\dfrac{3}{2}, 53\dfrac{5}{3}, 64\dfrac{6}{4}, 125\dfrac{12}{5}, 256\dfrac{25}{6}.

Frações aparentes

São frações em que o numerador é múltiplo do denominador. Frações aparentes representam números inteiros.

Exemplos: 63=2\dfrac{6}{3} = 2, 248=3\dfrac{24}{8} = 3, 7515=5\dfrac{75}{15} = 5, 606=10\dfrac{60}{6} = 10.

Frações redutíveis

São frações que indicam razões entre múltiplos de um mesmo número natural n>1n > 1.

Exemplos:

O numerador e o denominador da fração 64\dfrac{6}{4} são múltiplos de 2 (n=2n = 2).

O numerador e o denominador da fração 2430\dfrac{24}{30} são múltiplos de 6 (n=6n = 6).

O numerador e o denominador da fração 75100\dfrac{75}{100} são múltiplos de 25 (n=25n = 25).

Frações irredutíveis

São frações formadas por dois números primos entre si, ou seja, números cujo maior divisor comum é 1.

Exemplos: 32mdc(3,2)=1\dfrac{3}{2} \to \operatorname{mdc}(3, 2) = 1; 45mdc(4,5)=1\dfrac{4}{5} \to \operatorname{mdc}(4, 5) = 1; 3245mdc(32,45)=1\dfrac{32}{45} \to \operatorname{mdc}(32, 45) = 1.

As frações redutíveis podem ser simplificadas, até sua forma irredutível, dividindo-se ambos os seus termos pelo maior divisor comum entre eles. Veja:

64=6:24:2=322430=24:630:6=4575100=75:25100:25=34\begin{gather*} \frac{6}{4} = \frac{6 : 2}{4 : 2} = \frac{3}{2} \\[4pt] \frac{24}{30} = \frac{24 : 6}{30 : 6} = \frac{4}{5} \\[4pt] \frac{75}{100} = \frac{75 : 25}{100 : 25} = \frac{3}{4} \end{gather*}

Outras notações para os números racionais

A forma fracionária de um número racional deixa bem claro como a parte desejada deve ser obtida da unidade, porém não é muito eficiente quando se deseja comparar números racionais diferentes, a fim de decidir qual deles é o maior, por exemplo. Para isso, recomendam-se as formas decimais.

Forma decimal

Para encontrar a forma decimal, partindo da fracionária, basta que se execute a divisão do numerador da fração pelo denominador dela até que o resto final seja igual a zero, ou até que os restos parciais da divisão comecem a se repetir.

Se a divisão gerar resto zero, então o quociente obtido será o representante decimal da fração, mas se o resto começar a se repetir, então o quociente terá uma infinidade de algarismos que se repetirão periodicamente.

Exercício resolvido 16

Coloque os elementos do conjunto {35,58,710,1320,3150}\left\{\dfrac{3}{5}, \dfrac{5}{8}, \dfrac{7}{10}, \dfrac{13}{20}, \dfrac{31}{50}\right\} em ordem crescente.

Mesmo não sendo necessário, na representação de um número decimal podemos escrever zeros à direita do último algarismo após a vírgula. A visualização da ordem crescente pode ficar mais clara se todos os números forem escritos com a mesma quantidade de casas decimais. Compare as colunas do seguinte quadro:

Número mínimo de casas decimaisMesmo número de casas decimais
0,60,600
0,620,620
0,6250,625
0,650,650
0,70,700

A notação monetária, por exemplo, padroniza a representação dos valores com duas casas decimais após a vírgula. Nos estudos da física e da química, muitos valores aproximados são representados com o uso de algarismos significativos. Nesse contexto, a representação 0,620 transmite uma aproximação mais precisa do que, por exemplo, a representação 0,62.

Em relação às representações periódicas dos números decimais, o uso de uma barra horizontal sobre os algarismos que se repetem à direita da vírgula é mais preciso do que o simples uso das reticências à direita do número.

Veja, por exemplo, como a cifra 0,4324... não deixa claro qual é o período da dízima que está sendo representada.

  • x=0,432444444x = 0{,}432444444\ldots \to Período: 4 (1 algarismo)
  • y=0,432424242y = 0{,}432424242\ldots \to Período: 24 (2 algarismos)
  • z=0,432432432z = 0{,}432432432\ldots \to Período: 432 (3 algarismos)

Mas, com o uso da barra horizontal, elimina-se esse tipo de ambiguidade:

  • x=0,4324x = 0{,}432\overline{4} \to Período: 4
  • y=0,4324y = 0{,}43\overline{24} \to Período: 24
  • z=0,432z = 0{,}\overline{432} \to Período: 432

Frações geratrizes

Memorizar as dízimas periódicas oriundas de frações unitárias pode agilizar o processo de obtenção das frações geratrizes de outras dízimas periódicas. Assim:

  • Saber que 0,111111111=190{,}111111111\ldots = \dfrac{1}{9} permite concluir, por exemplo, que 0,444444444=490{,}444444444\ldots = \dfrac{4}{9}.
  • Saber que 0,01010101=1990{,}01010101\ldots = \dfrac{1}{99} permite concluir, por exemplo, que 0,47474747=47990{,}47474747\ldots = \dfrac{47}{99}.
  • Saber que 0,001001001=19990{,}001001001\ldots = \dfrac{1}{999} permite concluir, por exemplo, que 0,473473473=4739990{,}473473473\ldots = \dfrac{473}{999}.

Mas também existe um processo algébrico eficiente para se encontrar as frações geratrizes de dízimas periódicas.

Sendo pp o número de algarismos do período da dízima gerada por uma fração F, o primeiro passo do processo é multiplicar a dízima por 10p10^p.

O segundo passo consiste em subtrair a dízima original do resultado obtido no primeiro passo, obtendo um resultado sem a infinidade de casas decimais da dízima.

O terceiro passo é resolver a equação obtida no segundo passo.

Observe os exemplos a seguir:

1) F=0,4444p=1\mathrm{F} = 0{,}4444\ldots \Rightarrow p = 1

Primeiro passo:

F=0,4444101F=10F=4,4444\mathrm{F} = 0{,}4444\ldots \Rightarrow 10^1 \cdot \mathrm{F} = 10 \cdot \mathrm{F} = 4{,}4444\ldots

Segundo passo:

10F=4,4444F=0,44449F=4,0000\begin{array}{rcll} 10\mathrm{F} &=& 4{,}4444\ldots & - \\ \mathrm{F} &=& 0{,}4444\ldots & \\ \hline 9\mathrm{F} &=& 4{,}0000\ldots & \end{array}

Terceiro passo:

9F=4F=499\mathrm{F} = 4 \Rightarrow \mathrm{F} = \frac{4}{9}

2) F=0,47474747p=2\mathrm{F} = 0{,}47474747\ldots \Rightarrow p = 2

Primeiro passo:

F=0,47474747102F=100F=47,47474747\begin{gather*} \mathrm{F} = 0{,}47474747\ldots \\ 10^2 \cdot \mathrm{F} = 100 \cdot \mathrm{F} = 47{,}47474747\ldots \end{gather*}

Segundo passo:

100F=47,474747F=0,47474799F=47,000000\begin{array}{rcll} 100\mathrm{F} &=& 47{,}474747\ldots & - \\ \mathrm{F} &=& 0{,}474747\ldots & \\ \hline 99\mathrm{F} &=& 47{,}000000\ldots & \end{array}

Terceiro passo:

99F=47F=479999\mathrm{F} = 47 \Rightarrow \mathrm{F} = \frac{47}{99}

3) F=0,473473473473p=3\mathrm{F} = 0{,}473473473473\ldots \Rightarrow p = 3

Primeiro passo:

F=0,473473473103F=1000F=473,473473473\begin{gather*} \mathrm{F} = 0{,}473473473\ldots \\ 10^3 \cdot \mathrm{F} = 1\,000 \cdot \mathrm{F} = 473{,}473473473\ldots \end{gather*}

Segundo passo:

1000F=473,473473473F=0,473473473999F=473,000000000\begin{array}{rcll} 1000\mathrm{F} &=& 473{,}473473473\ldots & - \\ \mathrm{F} &=& 0{,}473473473\ldots & \\ \hline 999\mathrm{F} &=& 473{,}000000000\ldots & \end{array}

Terceiro passo:

999F=473F=473999999\mathrm{F} = 473 \Rightarrow \mathrm{F} = \frac{473}{999}

Forma percentual

As frações decimais cujos denominadores são iguais a 100 também podem ser representadas na forma de porcentagem. Por exemplo, 75100\dfrac{75}{100} pode ser representado por 75%.

Forma mista

As frações impróprias também podem ser expressas na forma de números mistos. Para isso, basta efetuar a divisão com resto do numerador pelo denominador e apresentar o quociente ao lado de uma fração própria, que deve ser escrita como se fosse um algarismo à direita do quociente. O numerador dessa fração própria é o resto da divisão efetuada, e o denominador é o mesmo da fração imprópria original. Observe:

32=11253=123145=245367=517\frac{3}{2} = 1\tfrac{1}{2} \qquad \frac{5}{3} = 1\tfrac{2}{3} \qquad \frac{14}{5} = 2\tfrac{4}{5} \qquad \frac{36}{7} = 5\tfrac{1}{7}

Operações com números racionais

O conjunto dos números racionais é fechado em relação às quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação e divisão, com exceção da divisão por zero. Assim, sendo aa e bb dois números racionais quaisquer:

Além disso, nos casos em que b0b \neq 0, tem-se:

Adição e subtração em Q\mathbb{Q}

Na forma fracionária, as adições e subtrações de números racionais são executadas entre os numeradores das frações apenas quando todas as frações possuírem o mesmo denominador.

Se as frações não tiverem o mesmo denominador, elas devem ser substituídas por frações equivalentes que tenham um mesmo denominador. Para facilitar os cálculos, recomenda-se que esse denominador comum seja o mínimo múltiplo comum (mmc) dos denominadores das frações originais.

Assim, sendo aa, bb, cc e dd números inteiros tais que cd0c \cdot d \neq 0, tem-se:

Exercício resolvido 17

Considere todos os números racionais entre 3 e 6 que são representados por frações irredutíveis com denominador igual a 6 e assinale a alternativa que apresenta o valor da soma desses números.

  1. 25
  2. 26
  3. 27
  4. 28
  5. 29

Exercício resolvido 18

Unisinos-RS Uma fração unitária é uma fração da forma 1n\dfrac{1}{n}, onde nn é um número natural.

Uma fração escrita como soma de frações unitárias é denominada fração egípcia.

Por exemplo: 23=12+16\dfrac{2}{3} = \dfrac{1}{2} + \dfrac{1}{6} e 511=13+19+199\dfrac{5}{11} = \dfrac{1}{3} + \dfrac{1}{9} + \dfrac{1}{99}.

A soma 13+18+160\dfrac{1}{3} + \dfrac{1}{8} + \dfrac{1}{60} é a representação egípcia de qual fração?

  1. 71120\dfrac{71}{120}.
  2. 371\dfrac{3}{71}.
  3. 1760\dfrac{17}{60}.
  4. 1940\dfrac{19}{40}.
  5. 1730\dfrac{17}{30}.

Multiplicação em Q\mathbb{Q}

Na forma fracionária, o produto de números racionais é obtido multiplicando-se numerador por numerador e denominador por denominador de cada fração multiplicada.

Assim, sendo aa, bb, cc e dd números inteiros tais que cd0c \cdot d \neq 0, tem-se:

Divisão em Q\mathbb{Q}

A operação inversa da multiplicação é chamada de divisão, seus termos são o dividendo e o divisor. No conjunto dos números inteiros, a divisão pode produzir dois resultados: o quociente e o resto, mas no conjunto dos números racionais a divisão produz apenas um resultado: o quociente, que também costuma ser chamado de razão.

A divisão não é uma operação comutativa, como se pode observar nos exemplos a seguir:

  • A razão entre os números 3 e 5 é representada pelo número decimal 0,6.
  • A razão entre os números 5 e 3 é representada pela dízima periódica 1,66666=1,61{,}66666\ldots = 1{,}\overline{6}.

Na forma fracionária, o numerador do quociente de dois números racionais é obtido multiplicando o numerador da primeira fração pelo denominador da segunda fração, e o denominador do quociente é obtido multiplicando o denominador da primeira fração pelo numerador da segunda fração.

Assim, sendo aa, bb, cc e dd números inteiros tais que cbd0c \cdot b \cdot d \neq 0, tem-se:

Exercício resolvido 19

Multiplicar um número por 0,0125 equivale a dividi-lo por:

  1. 8
  2. 80
  3. 1,25
  4. 12,5
  5. 125

Potenciação em Q\mathbb{Q}

A potenciação não é uma operação fechada no conjunto Z\mathbb{Z}, pois bases inteiras, diferentes de 1-1, 0 e 1, com expoentes negativos geram resultados que não são inteiros.

Os resultados dessas potências formam um subconjunto de Q\mathbb{Q} ao qual pertencem todos os inversos multiplicativos ou recíprocos dos números inteiros, de modo que, para todo inteiro b0b \neq 0 e nn natural, temos:

  • b1=1bb^{-1} = \dfrac{1}{b}
  • bn=1bnb^{-n} = \dfrac{1}{b^n}

Se a base for um número racional ab\dfrac{a}{b}, com aa e bb inteiros:

  • (ab)1=ba\left(\dfrac{a}{b}\right)^{-1} = \dfrac{b}{a}
  • (ab)n=(ba)n\left(\dfrac{a}{b}\right)^{-n} = \left(\dfrac{b}{a}\right)^n

A potenciação é uma operação distributiva em relação ao numerador e ao denominador de um número racional.

Se a base for positiva e o expoente for um número racional não inteiro, as potências também poderão ser expressas como radiciações, como veremos a seguir.

Radiciação em Q\mathbb{Q}

A radiciação também é uma operação distributiva em relação ao numerador e ao denominador de um número racional.

Potências de bases positivas e expoentes que são frações unitárias exprimem radiciações, cujo índice do radical coincide com o denominador do expoente. Exemplos:

912=9=3813=83=262514=6254=59^{\frac{1}{2}} = \sqrt{9} = 3 \qquad 8^{\frac{1}{3}} = \sqrt[3]{8} = 2 \qquad 625^{\frac{1}{4}} = \sqrt[4]{625} = 5

Assim, sendo b>0b > 0 e d0d \neq 0:

Quando o expoente de uma potência de base positiva é um número racional nd\dfrac{n}{d}, com n>1n > 1, então o numerador nn do expoente permanece como expoente da raiz:

Com b>0b > 0, não importa a ordem de execução entre a potenciação e a radiciação. Assim, o expoente pode ser escrito dentro ou fora do símbolo radical:

Exercício resolvido 20

Se o volume de um cubo, em litros, é igual ao triplo da raiz quadrada de (4,33+2,880,11)(4{,}33\ldots + 2{,}88\ldots - 0{,}11), então a medida, em centímetros, da aresta desse cubo é igual a:

  1. 0,02
  2. 0,2
  3. 2
  4. 20
  5. 200

Logaritmo em Q\mathbb{Q}

Sendo aa e bb duas potências racionais de um mesmo número natural c>1c > 1, então existem inteiros nn e dd tais que a=cna = c^n e b=cdb = c^d.

Nessas condições, se d0d \neq 0, o logaritmo de aa na base bb será o número racional nd\dfrac{n}{d}.

Exemplo: log8(16)=log23(24)=43\log_8(16) = \log_{2^3}(2^4) = \dfrac{4}{3}.

Os números reais

Por muito tempo, pensou-se que o conceito de número racional era suficiente para representar qualquer quantidade, mas as grandezas métricas da Geometria Euclidiana mostraram a insuficiência desse conceito. Para a escola pitagórica tudo era número e, dessa forma, todos os comprimentos poderiam ser expressos por números.

Tudo ia bem com os números racionais até que tentaram exprimir, em alguma unidade, os comprimentos das diagonais de quadrados e cubos. Nesse ponto, os pitagóricos encontraram dificuldades. Muita tinta se gastou até verificarem ser impossível representar essas medidas por razões entre números inteiros, ou seja, por números racionais. Conclusão: existem muitos números além dos elementos do conjunto Q\mathbb{Q}.

Assim, o conjunto R\mathbb{R} dos números reais vem da necessidade geométrica de admitir, por hipótese, a continuidade numérica em suas medidas.

O conjunto R\mathbb{R} é construído acrescentando-se, ao conjunto dos números racionais, todos os números que tenham representação decimal infinita, mas não periódica. Esses números são denominados irracionais.

Números irracionais

Os números irracionais foram descobertos pela escola pitagórica pouco antes do século IV a.C. Muito tempo depois, o matemático escocês John Napier descobriu outros números irracionais estudando os logaritmos.

Embora não seja possível representar o valor exato de um número irracional usando-se apenas os algarismos e a vírgula, algumas aproximações podem ser feitas de acordo com a necessidade de se compreender a grandeza da resposta de um problema. Os números irracionais podem ser definidos como limites para sucessões de números racionais, com número cada vez maior de casas decimais.

No quadro a seguir, vemos séries decrescentes de números racionais que definem 2\sqrt{2} e log(2)\log(2):

x\boldsymbol{x}x2\boldsymbol{x^2}
24
1,52,25
1,422,0164
1,4152,002225
1,41432,00024449
1,414222,0000182084
1,4142142,000001237796
\vdots\vdots
2\sqrt{2}2,00000000000000...

  

x\boldsymbol{x}10x\boldsymbol{10^x}
110
0,42,511886431509...
0,312,041737944669...
0,3022,004472027365...
0,30112,000322407865...
0,301032,000000019968...
0,3010299962,000000001547...
\vdots\vdots
log(2)\log(2)2,000000000000...

No próximo quadro, vemos séries crescentes que definem o mesmo número:

x\boldsymbol{x}x2\boldsymbol{x^2}
11
1,41,96
1,411,9881
1,4141,999396
1,41421,99996164
1,414211,9999899241
1,4142131,999998409369
\vdots\vdots
2\sqrt{2}2,00000000000000...

  

x\boldsymbol{x}10x\boldsymbol{10^x}
01
0,31,995262314968...
0,3011,999861869632...
0,301021,999953968795...
0,3010291,999995414803...
0,30102991,999999559451...
0,301029991,999999973916...
\vdots\vdots
log(2)\log(2)2,000000000000...

Comparando as duas tabelas, é possível garantir que 1,414213 são os primeiros algarismos do número representado por 2\sqrt{2} e que 0,30102999 são os primeiros algarismos do número representado por log(2)\log(2).

A lista a seguir apresenta aproximações com dois algarismos decimais para alguns números irracionais importantes:

  • 21,41\sqrt{2} \cong 1{,}41
  • 31,73\sqrt{3} \cong 1{,}73
  • 1+521,62\dfrac{1 + \sqrt{5}}{2} \cong 1{,}62
  • log(2)0,30\log(2) \cong 0{,}30
  • log(3)0,48\log(3) \cong 0{,}48
  • π3,14\pi \cong 3{,}14
  • e2,72\mathrm{e} \cong 2{,}72

Exercício resolvido 21

Assinale a alternativa que apresenta o número inteiro mais próximo do valor da expressão:

E=613+7π111027\mathrm{E} = \frac{61}{3} + \frac{7\pi}{11} - \frac{10\sqrt{2}}{7}
  1. 20
  2. 15
  3. 10
  4. 5
  5. 2

Irracionais algébricos

Chamamos de algébricos a todos os números que são soluções de equações polinomiais com coeficientes inteiros.

Todos os irracionais algébricos oriundos de equações polinomiais de grau menor ou igual a 4 podem ser expressos por somas e produtos entre radicais e números racionais.

Exemplos:

  • O número racional 23\dfrac{2}{3} é algébrico, por ser a solução da equação 3x2=03x - 2 = 0.
  • Os números irracionais 1+52\dfrac{1 + \sqrt{5}}{2} e 152\dfrac{1 - \sqrt{5}}{2} são algébricos, por serem as soluções de x2x+1=0x^2 - x + 1 = 0.
  • O número irracional 23+43\sqrt[3]{2} + \sqrt[3]{4} é algébrico, por ser uma das soluções de x36x6=0x^3 - 6x - 6 = 0.
  • O número irracional 34\sqrt[4]{3} é algébrico, por ser uma das soluções de x43=0x^4 - 3 = 0.

Do quinto grau em diante há muitas equações polinomiais cujas soluções não admitem representações por meio de radicais.

Radicais simples e radicais duplos

Um radical simples é um número irracional algébrico que pode ser expresso por uma única operação de radiciação, em que o índice do radical é um número natural n2n \geq 2 e o radicando é um número racional. São exemplos de radicais simples: 3\sqrt{3}, 253\sqrt[3]{\dfrac{2}{5}}, 4,24-\sqrt[4]{4{,}2}.

Radicais duplos são números irracionais, também algébricos, que precisam ser expressos por uma radiciação cujo radicando seja a soma de um número racional com um radical simples. São exemplos de radicais duplos: 3+2\sqrt{3 + \sqrt{2}}, 2543\sqrt[3]{\dfrac{2 - \sqrt{5}}{4}}, 1,5+234-\sqrt[4]{1{,}5 + \sqrt[3]{2}}.

Os irracionais algébricos também podem ser representados por radicais triplos, quádruplos etc.

Operações com radicais simples

Em relação às operações aritméticas de adição e subtração, multiplicação e divisão, o conjunto R\mathbb{R} dos números reais herda todas as propriedades que são válidas para essas operações no conjunto Q\mathbb{Q} dos números racionais. Mas como os irracionais não podem ser expressos por frações de números inteiros nem por números decimais com precisão, os resultados das operações entre números racionais e números irracionais, como os radicais simples, ficam simplesmente indicados pelas próprias operações. Exemplos:

  • A soma do número racional 2 com o número irracional 3\sqrt{3} é simplesmente 2+32 + \sqrt{3}.
  • O produto do número racional 25-\dfrac{2}{5} pelo número irracional 63\sqrt[3]{6} é simplesmente 2635-\dfrac{2\sqrt[3]{6}}{5}.

Simplificações de radicais

Como a radiciação possui propriedade distributiva em relação à multiplicação, se o radicando de uma raiz nn-ésima puder ser escrito como o produto de dois números de modo que um deles seja uma nn-ésima potência, a representação do número irracional pode ser simplificada.

Simplificam-se raízes quadradas de números que são múltiplos de algum quadrado perfeito, como o número 18 que, por exemplo, é múltiplo de 9 (o quadrado do número 3).

  • 18=92=92=32\sqrt{18} = \sqrt{9 \cdot 2} = \sqrt{9} \cdot \sqrt{2} = 3\sqrt{2}

Simplificam-se raízes cúbicas de números que são múltiplos de algum cubo perfeito, como o número 40 que, por exemplo, é múltiplo de 8 (o cubo do número 2).

  • 403=853=8353=253\sqrt[3]{40} = \sqrt[3]{8 \cdot 5} = \sqrt[3]{8} \cdot \sqrt[3]{5} = 2\sqrt[3]{5}

Outro tipo de simplificação ocorre quando o radicando é uma potência cujo expoente possui fator comum com o índice do radical.

Todo radical pode ser expresso por uma potência de expoente racional e, quando os termos de uma fração racional são múltiplos de um mesmo número natural k>1k > 1, essa fração pode ser simplificada dividindo-se os termos da fração pelo número kk.

Ou seja, como and=and=an:kd:k\sqrt[d]{a^n} = a^{\frac{n}{d}} = a^{\frac{n : k}{d : k}}, para a>0a > 0, d>0d > 0 e k>0k > 0, também é correto afirmar que:

Exemplos:

  • 254=524=52:24:2=512=5\sqrt[4]{25} = \sqrt[4]{5^2} = \sqrt[4 : 2]{5^{2 : 2}} = \sqrt[2]{5^1} = \sqrt{5}
  • 1256=536=53:36:3=512=5\sqrt[6]{125} = \sqrt[6]{5^3} = \sqrt[6 : 3]{5^{3 : 3}} = \sqrt[2]{5^1} = \sqrt{5}
  • 6256=546=54:26:2=523=253\sqrt[6]{625} = \sqrt[6]{5^4} = \sqrt[6 : 2]{5^{4 : 2}} = \sqrt[3]{5^2} = \sqrt[3]{25}

Adição de radicais simples

Os radicais simples são somados apenas se possuírem o mesmo índice e o mesmo radicando. Exemplos:

  • 5+5=25\sqrt{5} + \sqrt{5} = 2\sqrt{5}
  • 23+23+23+23=423\sqrt[3]{2} + \sqrt[3]{2} + \sqrt[3]{2} + \sqrt[3]{2} = 4\sqrt[3]{2}
  • 374+674=9743\sqrt[4]{7} + 6\sqrt[4]{7} = 9\sqrt[4]{7}

Multiplicação de radicais simples

Multiplicamos radicais simples de mesmo índice dd, conservando o radical e multiplicando os radicandos.

Exemplos:

  • 23=6\sqrt{2} \cdot \sqrt{3} = \sqrt{6}
  • 5343=203\sqrt[3]{5} \cdot \sqrt[3]{4} = \sqrt[3]{20}
  • 254364=63042\sqrt[4]{5} \cdot 3\sqrt[4]{6} = 6\sqrt[4]{30}

Quando os índices dd e dd' dos radicais são diferentes, reescrevemos esses radicais usando o mínimo múltiplo comum dos índices dd e dd'. Observe o exemplo:

5426=514216=5134321262=53122212==12512412=125412=50012\begin{align*} \sqrt[4]{5} \cdot \sqrt[6]{2} &= \sqrt[4]{5^1} \cdot \sqrt[6]{2^1} = \sqrt[4 \cdot 3]{5^{1 \cdot 3}} \cdot \sqrt[6 \cdot 2]{2^{1 \cdot 2}} = \sqrt[12]{5^3} \cdot \sqrt[12]{2^2} = \\ &= \sqrt[12]{125} \cdot \sqrt[12]{4} = \sqrt[12]{125 \cdot 4} = \sqrt[12]{500} \end{align*}

No exemplo anterior: d=4d = 4, d=6d' = 6 e mmc(4,6)=12\operatorname{mmc}(4, 6) = 12.

Escrever radicais sempre com o mesmo índice permite não apenas efetuar a multiplicação, como também facilitar a comparação entre números irracionais, para saber qual é o maior ou menor.

Exercício resolvido 22

Simplificando-se corretamente a expressão 18+818+8\sqrt{18} + \sqrt{8} \cdot \sqrt{18} + \sqrt{8}, pode-se obter:

  1. 32+63\sqrt{2} + 6
  2. 11211\sqrt{2}
  3. 13313\sqrt{3}
  4. 52+125\sqrt{2} + 12
  5. 23+62\sqrt{3} + 6

Exercício resolvido 23

Considere os números irracionais x=32x = \sqrt[2]{3}, y=53y = \sqrt[3]{5} e z=104z = \sqrt[4]{10}. Assinale a alternativa que apresenta a correta relação de ordem crescente entre esses números:

  1. z<y<xz < y < x
  2. z<x<yz < x < y
  3. x<y<zx < y < z
  4. y<z<xy < z < x
  5. y<x<zy < x < z

Racionalização de denominadores

Frações que apresentam denominadores do tipo and\sqrt[d]{a^n} podem ter o numerador e o denominador multiplicados pelo termo amd\sqrt[d]{a^m}, de modo que m+n=dm + n = d. Esse termo é denominado fator racionalizante. Observe:

1and=1andamdamd=amdanamd=amdan+md=amdadd=amda\frac{1}{\sqrt[d]{a^n}} = \frac{1}{\sqrt[d]{a^n}} \cdot \frac{\sqrt[d]{a^m}}{\sqrt[d]{a^m}} = \frac{\sqrt[d]{a^m}}{\sqrt[d]{a^n \cdot a^m}} = \frac{\sqrt[d]{a^m}}{\sqrt[d]{a^{n + m}}} = \frac{\sqrt[d]{a^m}}{\sqrt[d]{a^d}} = \frac{\sqrt[d]{a^m}}{a}

Ao se fazer isso, o valor da fração não é alterado, mas sim a forma de escrevê-la, de modo que o denominador da fração equivalente obtida não é um número irracional.

Exemplos:

  • 12=1222=24=22\dfrac{1}{\sqrt{2}} = \dfrac{1}{\sqrt{2}} \cdot \dfrac{\sqrt{2}}{\sqrt{2}} = \dfrac{\sqrt{2}}{\sqrt{4}} = \dfrac{\sqrt{2}}{2}
  • 123=123223223=22383=432\dfrac{1}{\sqrt[3]{2}} = \dfrac{1}{\sqrt[3]{2}} \cdot \dfrac{\sqrt[3]{2^2}}{\sqrt[3]{2^2}} = \dfrac{\sqrt[3]{2^2}}{\sqrt[3]{8}} = \dfrac{\sqrt[3]{4}}{2}
  • 143=12232323=2383=232\dfrac{1}{\sqrt[3]{4}} = \dfrac{1}{\sqrt[3]{2^2}} \cdot \dfrac{\sqrt[3]{2}}{\sqrt[3]{2}} = \dfrac{\sqrt[3]{2}}{\sqrt[3]{8}} = \dfrac{\sqrt[3]{2}}{2}
  • 154=154534534=534544=12545\dfrac{1}{\sqrt[4]{5}} = \dfrac{1}{\sqrt[4]{5}} \cdot \dfrac{\sqrt[4]{5^3}}{\sqrt[4]{5^3}} = \dfrac{\sqrt[4]{5^3}}{\sqrt[4]{5^4}} = \dfrac{\sqrt[4]{125}}{5}
  • 145=1225235235=235255=852\dfrac{1}{\sqrt[5]{4}} = \dfrac{1}{\sqrt[5]{2^2}} \cdot \dfrac{\sqrt[5]{2^3}}{\sqrt[5]{2^3}} = \dfrac{\sqrt[5]{2^3}}{\sqrt[5]{2^5}} = \dfrac{\sqrt[5]{8}}{2}

Irracionais transcendentes

Se um número irracional não é algébrico, então esse número é denominado transcendente. Assim, se α\alpha é um número real e não existe equação polinomial de coeficientes inteiros tal que α\alpha seja uma de suas soluções, então α\alpha é um número transcendente.

Em 1844, o matemático francês Joseph Liouville encontrou o primeiro número irracional transcendente e, em 1974, o matemático alemão Georg Cantor descobriu que o conjunto dos números transcendentes é infinitamente mais amplo que o conjunto dos números algébricos.

Os principais números transcendentes estudados no Ensino Médio são a constante geométrica π\pi e a constante de Euler (e) usada como base para os logaritmos naturais. Os algarismos das casas decimais desses dois números podem ser obtidos efetuando-se as adições de séries específicas de números racionais.

π=443+4547+49411+413415+417419+421423+\pi = 4 - \frac{4}{3} + \frac{4}{5} - \frac{4}{7} + \frac{4}{9} - \frac{4}{11} + \frac{4}{13} - \frac{4}{15} + \frac{4}{17} - \frac{4}{19} + \frac{4}{21} - \frac{4}{23} + \ldots
e=2+121+1321+14321+154321++1654321+17654321+\begin{align*} \mathrm{e} = 2 + \frac{1}{2 \cdot 1} + \frac{1}{3 \cdot 2 \cdot 1} + \frac{1}{4 \cdot 3 \cdot 2 \cdot 1} + \frac{1}{5 \cdot 4 \cdot 3 \cdot 2 \cdot 1} + \\ + \frac{1}{6 \cdot 5 \cdot 4 \cdot 3 \cdot 2 \cdot 1} + \frac{1}{7 \cdot 6 \cdot 5 \cdot 4 \cdot 3 \cdot 2 \cdot 1} + \ldots \end{align*}

O eixo real

O conjunto dos números reais pode ser representado pelos pontos de uma única reta denominada reta real, ou eixo real. Para isso, basta tomar dois pontos distintos de uma reta e associá-los aos números zero e um. O ponto zero é denominado origem da reta real, e a distância do ponto zero (0) ao ponto um (1) é tomada como unidade de medida para todos os demais segmentos contidos na reta. Dessa forma, cada ponto da reta real fica associado a um único número do conjunto R\mathbb{R}.

Quando o eixo real é representado na horizontal, é comum que a unidade fique localizada à direita da origem e, assim, os pontos localizados à esquerda da origem representam os números negativos.

Propriedades das potências em R\mathbb{R}

Quando a base de uma potenciação é negativa e o expoente é uma fração própria de denominador par, a potência resultante não pertence ao conjunto dos números reais. Por exemplo (1)12=1R(-1)^{\frac{1}{2}} = \sqrt{-1} \notin \mathbb{R}.

Assim, as propriedades a seguir são válidas apenas quando as bases das potências são não negativas e os denominadores das frações não são nulos.

Para potências de mesma base a0a \geq 0 e diferentes expoentes rr e ss reais:

Para potências de mesmo expoente real nn, bases não negativas e denominadores diferentes de zero:

Particularmente, para potências de base a>0a > 0 e expoentes no conjunto {1,0,1}\{1, 0, -1\}, temos:

a1=aa0=1a1=1aa^1 = a \qquad\qquad a^0 = 1 \qquad\qquad a^{-1} = \frac{1}{a}

Para potências de base a>0a > 0 e expoentes negativos e fracionários:

an=1anand=(ad)n=anda^{-n} = \frac{1}{a^n} \qquad\qquad a^{\frac{n}{d}} = \left(\sqrt[d]{a}\right)^n = \sqrt[d]{a^n}

Exercício resolvido 24

Escreva o número 1671251016^7 \cdot 125^{10} em notação científica.

Exercício resolvido 25

Classifique as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):

  1. O produto entre dois números naturais é um número natural.
  2. O produto entre dois números inteiros negativos é um número natural.
  3. Uma potência de base e expoente naturais é um número natural.
  4. A diferença entre dois números naturais é um número natural.
  5. A razão entre dois números inteiros não nulos é um número inteiro.
  6. A razão entre dois números racionais não nulos é um número racional.
  7. A diferença entre dois números racionais pode ser um número irracional.
  8. A soma de dois números irracionais é um número irracional.
  9. Uma potência de base inteira e expoente racional é necessariamente um número real.
  10. O quociente entre dois números reais é sempre um número real.
  11. Uma potência de base real positiva e expoente real é necessariamente um número positivo.
  12. A soma de um número racional com um número irracional é sempre um número irracional.
  13. O produto entre um número racional não nulo e um número irracional é sempre um número irracional.

Teorema fundamental da Aritmética

Um enunciado possível para o teorema fundamental da Aritmética (TFA) é que, desconsiderando as permutações dos fatores de um produto, todo número natural maior que 1 possui decomposição única em fatores primos.

Para expressar algebricamente esse teorema, consideram-se duas sequências numéricas:

  • (p1,p2,p3,)\boldsymbol{(p_1, p_2, p_3, \ldots)} a sequência dos números primos positivos em ordem crescente.
  • (α1,α2,α3,)\boldsymbol{(\alpha_1, \alpha_2, \alpha_3, \ldots)} uma série de números naturais tal que existe kk para o qual αi=0\alpha_i = 0, sempre que i>ki > k.

Assim, para todo nNn \in \mathbb{N} tal que n>1n > 1, tem-se:

Nessa expressão, cada expoente α\alpha indica quantas vezes o número nn é divisível pelo número primo pp de mesmo índice ii. Também é importante observar a existência de uma constante kk que indica, em cada sequência de expoentes α\alpha, a posição a partir da qual todos os termos α\alpha são nulos.

O número 180, por exemplo, pode ser dividido pelo número:

  • 2, duas vezes sucessivas α1=2\Rightarrow \alpha_1 = 2
  • 3, duas vezes sucessivas α2=2\Rightarrow \alpha_2 = 2
  • 5, apenas uma vez α3=1\Rightarrow \alpha_3 = 1

Além disso, o número 180 não é divisível por nenhum outro número primo maior ou igual a 7 e, como esse é o 4º termo da sequência dos números primos positivos, tem-se que k=4k = 4, ou seja, α4=α5=α6=α7==0\alpha_4 = \alpha_5 = \alpha_6 = \alpha_7 = \ldots = 0.

Portanto, pelo teorema fundamental da Aritmética, a forma decomposta do número 180 é:

180=22325170110130170190230180 = \mathbf{2}^2 \cdot \mathbf{3}^2 \cdot \mathbf{5}^1 \cdot 7^0 \cdot 11^0 \cdot 13^0 \cdot 17^0 \cdot 19^0 \cdot 23^0 \cdot \ldots

Ou, de forma abreviada: 180=223251180 = \mathbf{2}^2 \cdot \mathbf{3}^2 \cdot \mathbf{5}^1.

Veja outro exemplo com o número 280, que:

  • Pode ser dividido por 2, três vezes sucessivas α1=3\Rightarrow \alpha_1 = 3
  • Não pode ser dividido por 3 α2=0\Rightarrow \alpha_2 = 0
  • Pode ser dividido por 5, apenas uma vez α3=1\Rightarrow \alpha_3 = 1
  • Pode ser dividido por 7, apenas uma vez α4=1\Rightarrow \alpha_4 = 1

Além disso, o número 280 não é divisível por nenhum outro número primo maior ou igual a 11 e, como esse é o 5º termo da sequência dos números primos positivos, tem-se que k=5k = 5, ou seja, α5=α6=α7==0\alpha_5 = \alpha_6 = \alpha_7 = \ldots = 0.

Portanto, pelo TFA, a forma decomposta do número 280 é:

280=23305171110130170190230280 = \mathbf{2}^3 \cdot 3^0 \cdot \mathbf{5}^1 \cdot \mathbf{7}^1 \cdot 11^0 \cdot 13^0 \cdot 17^0 \cdot 19^0 \cdot 23^0 \cdot \ldots

Ou, de forma abreviada: 180=235171180 = \mathbf{2}^3 \cdot \mathbf{5}^1 \cdot \mathbf{7}^1.

Observe um terceiro exemplo com o número 91, que só pode ser dividido pelos números primos 7 e 13, ambos apenas uma vez. Então, como esses são, respectivamente, o 4º e o 6º números primos, temos:

α1=α2=α3=α5=0α4=α6=1k=7α7=α8=α9==0\begin{gather*} \alpha_1 = \alpha_2 = \alpha_3 = \alpha_5 = 0 \\ \alpha_4 = \alpha_6 = 1 \\ k = 7 \Rightarrow \alpha_7 = \alpha_8 = \alpha_9 = \ldots = 0 \end{gather*}

Portanto, pelo TFA, a forma decomposta do número 91 é:

91=2030507111013117019023091=71131\begin{align*} 91 = 2^0 \cdot 3^0 \cdot 5^0 \cdot \mathbf{7}^1 \cdot 11^0 \cdot \mathbf{13}^1 \cdot 17^0 \cdot 19^0 \cdot 23^0 \cdot \ldots &\Rightarrow \\ \Rightarrow 91 = \mathbf{7}^1 \cdot \mathbf{13}^1 & \end{align*}

Como último exemplo, veja o número 17, que é o 7º número primo. Assim:

α1=α2=α3=α5=α6=0α7=1k=8α8=α9=α10==0\begin{gather*} \alpha_1 = \alpha_2 = \alpha_3 = \alpha_5 = \alpha_6 = 0 \\ \alpha_7 = 1 \\ k = 8 \Rightarrow \alpha_8 = \alpha_9 = \alpha_{10} = \ldots = 0 \end{gather*}

Portanto, pelo TFA, a forma decomposta do número 17 é:

17=2030507011013017119023017 = 2^0 \cdot 3^0 \cdot 5^0 \cdot 7^0 \cdot 11^0 \cdot 13^0 \cdot \mathbf{17}^1 \cdot 19^0 \cdot 23^0 \cdot \ldots

Demonstrado em diversos períodos da história, de Euclides a Gauss, esse teorema permite afirmar que:

  • Cada número natural positivo está associado a uma única sequência (α1,α2,α3,)(\alpha_1, \alpha_2, \alpha_3, \ldots).
  • Não há dois números naturais n=mn = m que estejam associados à mesma sequência (α1,α2,α3,)(\alpha_1, \alpha_2, \alpha_3, \ldots).

Assim, esse teorema estabelece uma correspondência biunívoca entre cada número natural positivo e uma específica série de números naturais:

180(2,2,1,0,0,0,0,0,)280(3,0,1,1,0,0,0,0,)91(0,0,0,1,0,1,0,0,)17(0,0,0,0,0,0,1,0,)\begin{gather*} 180 \leftrightarrow (2, 2, 1, 0, 0, 0, 0, 0, \ldots) \\ 280 \leftrightarrow (3, 0, 1, 1, 0, 0, 0, 0, \ldots) \\ 91 \leftrightarrow (0, 0, 0, 1, 0, 1, 0, 0, \ldots) \\ 17 \leftrightarrow (0, 0, 0, 0, 0, 0, 1, 0, \ldots) \end{gather*}

O número 1 fica associado a uma sequência nula:

1(0,0,0,0,0,0,0,0,)1 \leftrightarrow (0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, \ldots)

Recorrendo à notação de produtória (Π\Pi), pode-se escrever a expressão do TFA de maneira mais resumida:

Exercício resolvido 26

Para todo número inteiro positivo nn, indicamos por n!n! o produto de todos os números inteiros positivos menores ou iguais a nn. Assim, por exemplo, temos que 5!=12345=1205! = 1 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 4 \cdot 5 = 120.

Qual é o menor número natural pelo qual devemos dividir 10!10! a fim de obter um quociente que seja quadrado perfeito?

  1. 5
  2. 6
  3. 7
  4. 8
  5. 9

Exercício resolvido 27

A decomposição em fatores primos do produto dos 19 primeiros números naturais positivos é uma expressão do tipo 2x3y5z7w2^x \cdot 3^y \cdot 5^z \cdot 7^w \cdot \ldots, em que os expoentes xx, yy, zz e ww são todos naturais. Nela, o valor de x+y+zx + y + z é:

  1. 17
  2. 21
  3. 27
  4. 31
  5. 37

Aplicações da forma decomposta

Sendo aa e bb dois números inteiros, do TFA, têm-se que:

  • a=p1α1p2α2p3α3=Πpiαia = p_1^{\alpha_1} \cdot p_2^{\alpha_2} \cdot p_3^{\alpha_3} \cdot \ldots = \Pi\, p_i^{\alpha_i}
  • b=p1β1p2β2p3β3=Πpiβib = p_1^{\beta_1} \cdot p_2^{\beta_2} \cdot p_3^{\beta_3} \cdot \ldots = \Pi\, p_i^{\beta_i}

Comparando-se apenas as formas decompostas desses dois números, pode-se afirmar, por exemplo, que um número é múltiplo de outro se, e somente se, todos os expoentes da forma decomposta de um deles são menores ou iguais aos respectivos expoentes da forma decomposta do outro número. Assim:

  • aa é múltiplo de bb αiβi\Rightarrow \alpha_i \geq \beta_i para todo i\boldsymbol{i}.
  • aa é divisor de bb 0αiβi\Rightarrow 0 \leq \alpha_i \leq \beta_i para todo i\boldsymbol{i}.

Além disso, há muitas outras vantagens na observação das formas decompostas dos números naturais, como a possibilidade de simplificação de radicais simples, encontro de fatores para racionalização de denominadores, busca da quantidade de divisores, cálculo do mmc e do mdc, entre outras aplicações.

MMC e MDC

É possível obter o mínimo múltiplo comum de dois ou mais números de acordo com o algoritmo da decomposição em fatores primos.

Veja o exemplo do mmc(280,180)\operatorname{mmc}(280, 180):

280,1802140,90270,45235,45335,15335,557,771,1\begin{array}{rr|l} 280, & 180 & 2 \\ 140, & 90 & 2 \\ 70, & 45 & 2 \\ 35, & 45 & 3 \\ 35, & 15 & 3 \\ 35, & 5 & 5 \\ 7, & 7 & 7 \\ 1, & 1 & \end{array}
mdc(280,180)=2223357=2520\operatorname{mdc}(280, 180) = 2 \cdot 2 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 3 \cdot 5 \cdot 7 = 2\,520

Observe nessa decomposição que:

  1. Se o fator primo na última coluna não divide algum dos números de sua linha, esse número apenas é repetido na linha posterior.
  2. A decomposição é feita até que a última linha das primeiras colunas seja unitária.
  3. O mmc é dado pelo produto dos números primos postos na última coluna. Cada um deles foi posto para decompor pelo menos um dos números em sua linha.

Seguindo outras regras, também é possível obter o máximo divisor comum de dois ou mais números de acordo com o algoritmo da decomposição em fatores primos.

Veja o exemplo do mdc(280,180)\operatorname{mdc}(280, 180):

280,1802140,90270455149mdc(280,180)=225=20\begin{array}{rr|l} 280, & 180 & 2 \\ 140, & 90 & 2 \\ 70 & 45 & 5 \\ 14 & 9 & \end{array} \qquad \operatorname{mdc}(280, 180) = 2 \cdot 2 \cdot 5 = 20

Observe nessa decomposição que:

  1. Todo fator primo na última coluna deve dividir ambos os números de sua linha, nenhum número é repetido na linha posterior.
  2. A decomposição é feita somente enquanto houver número primo que seja divisor de todos os números de sua linha.
  3. O mdc é dado pelo produto dos números primos postos na última coluna. Cada um deles foi posto para decompor todos os números em sua linha.

Também é possível encontrar o mmc e o mdc de dois ou mais números naturais decompondo-os separadamente e comparando as sequências de expoentes de cada decomposição.

Assim, sendo a=Πpiαia = \Pi\, p_i^{\alpha_i} e b=Πpiβib = \Pi\, p_i^{\beta_i}, para todo ii considera-se:

  • xix_i como o maior valor entre αi\alpha_i e βi\beta_i;
  • yiy_i como o menor valor entre αi\alpha_i e βi\beta_i.

De modo que:

Este procedimento seleciona os maiores expoentes xix_i para a série de expoentes do mínimo múltiplo comum entre os números aa e bb:

Seleciona também os menores expoentes yiy_i para a série de expoentes do máximo divisor comum entre os números aa e bb:

Veja o método aplicado no cálculo do mmc e do mdc dos números 280 e 180:

180=22325170280=23305171{α1=2 e β1=3x1=3 e y1=2α2=2 e β2=0x2=2 e y2=0α3=1 e β3=1x3=1 e y3=1α4=0 e β4=1x4=1 e y4=0\begin{array}{l} 180 = 2^2 \cdot 3^2 \cdot 5^1 \cdot 7^0 \\ 280 = 2^3 \cdot 3^0 \cdot 5^1 \cdot 7^1 \end{array} \Rightarrow \begin{cases} \alpha_1 = 2 \text{ e } \beta_1 = 3 \Rightarrow x_1 = 3 \text{ e } y_1 = 2 \\ \alpha_2 = 2 \text{ e } \beta_2 = 0 \Rightarrow x_2 = 2 \text{ e } y_2 = 0 \\ \alpha_3 = 1 \text{ e } \beta_3 = 1 \Rightarrow x_3 = 1 \text{ e } y_3 = 1 \\ \alpha_4 = 0 \text{ e } \beta_4 = 1 \Rightarrow x_4 = 1 \text{ e } y_4 = 0 \end{cases}

Observando que para i5i \geq 5 os expoentes αi\alpha_i e βi\beta_i das decomposições são todos iguais a zero, conclui-se que:

  • mmc(180,280)=23325171=2520\operatorname{mmc}(180, 280) = 2^3 \cdot 3^2 \cdot 5^1 \cdot 7^1 = 2\,520
  • mdc(180,280)=22305170=20\operatorname{mdc}(180, 280) = 2^2 \cdot 3^0 \cdot 5^1 \cdot 7^0 = 20

Exercício resolvido 28

Calcule o mmc e o mdc dos números 8 400 e 1 500.

Exercício resolvido 29

Em uma estação rodoviária, partem ônibus para a cidade A de 20 em 20 minutos, para a cidade B, de meia em meia hora, e para a cidade C, de 45 em 45 minutos. Se ao meio-dia de hoje partiram ônibus para as três cidades, a que horas isto acontecerá novamente?

Quantidade de divisores

O conjunto dos múltiplos de um número inteiro é infinito, por isso não faz sentido determinar a quantidade de múltiplos de um número. Mas o conjunto dos divisores de um número inteiro não nulo é sempre finito, e a quantidade de divisores desse número pode ser facilmente expressa pelo produto dos sucessores dos termos da série de expoentes associada ao número pelo TFA.

Assim, a quantidade de divisores positivos de um número inteiro n0n \neq 0 é dada pela expressão:

E a quantidade de divisores inteiros de um número inteiro n0n \neq 0, pela expressão:

Veja, por exemplo, como obter a quantidade de divisores do número 600 a partir da sua forma decomposta em fatores primos:

  • 600=23315270110600 = 2^3 \cdot 3^1 \cdot 5^2 \cdot 7^0 \cdot 11^0 \cdot \ldots
  • A série de expoentes dessa decomposição é (3,1,2,0,0,0,)(3, 1, 2, 0, 0, 0, \ldots).
  • A série dos sucessores desses expoentes é (4,2,3,1,1,1,)(4, 2, 3, 1, 1, 1, \ldots).
  • O produto dos termos dessa última série é 423111=244 \cdot 2 \cdot 3 \cdot 1 \cdot 1 \cdot 1 \cdot \ldots = 24.

Assim, pode-se concluir que o número 600 possui 24 divisores positivos ou 48 divisores inteiros.

Uma vez determinada a quantidade de divisores de um número inteiro, o conjunto de todos esses divisores pode ser obtido multiplicando-se combinações desses fatores de todas as maneiras possíveis.

Colocando em ordem crescente o conjunto dos divisores de um número inteiro n0n \neq 0, pode-se observar que o produto dos termos equidistantes dos extremos desse conjunto é sempre igual a nn.

Com o auxílio dessa propriedade, uma vez encontrada a primeira metade dos divisores positivos de um número inteiro n0n \neq 0, a segunda metade pode ser obtida pelos quocientes de nn dividido por cada valor encontrado na primeira metade.

Se nn for um quadrado perfeito, então a quantidade de divisores positivos de nn será ímpar, sendo a raiz quadrada de nn o termo central do conjunto de seus divisores positivos.

Sistema de numeração decimal

O sistema de numeração decimal é usado corriqueiramente para indicar quantidades. O nome decimal vem do fato de que o sistema é dotado de dez algarismos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.

Cada algarismo sozinho representa uma quantidade de zero a nove, e os números maiores do que nove são representados por dois ou mais desses algarismos, de modo que os valores representados por cada algarismo dependem da posição que eles ocupam nas cifras numéricas.

Veja que, por exemplo, o número quinhentos e cinquenta e cinco é escrito com três algarismos iguais, mas cada algarismo 5 representa uma quantidade diferente desse número.

Da esquerda para a direita, na cifra 555, o primeiro algarismo 5 representa quinhentas unidades, o segundo algarismo 5 representa cinquenta unidades, e o terceiro e último algarismo 5 representa apenas cinco unidades.

Há uma conexão entre a posição ocupada pelo algarismo e a quantidade de unidades que ele representa. Essa conexão combina os aspectos ordinal e cardinal dos números naturais, e relaciona esses valores por meio das operações de adição, multiplicação e potenciação.

555{1º algarismo 5quinhentos=500=51022º algarismo 5cinquenta=50=51013º algarismo 5cinco=5=5100555 \Rightarrow \begin{cases} 1\text{\textordmasculine{} algarismo 5} \to \text{quinhentos} = 500 = 5 \cdot 10^2 \\ 2\text{\textordmasculine{} algarismo 5} \to \text{cinquenta} = 50 = 5 \cdot 10^1 \\ 3\text{\textordmasculine{} algarismo 5} \to \text{cinco} = 5 = 5 \cdot 10^0 \end{cases}

Toda cifra numérica decimal com dois ou mais algarismos representa uma sentença aritmética formada pelas operações de adição, multiplicação e potenciação, na qual os símbolos (+)(+) e ()(\cdot) bem como os expoentes das potências são todos omitidos. As normas da leitura do número cifrado já consideram essas operações.

Nessas representações decimais, todo algarismo que não ocupa a posição final de uma cifra numérica deve ser lido como um múltiplo de uma potência de base 10. Veja a nomenclatura das posições dos algarismos de uma cifra numérica decimal:

Cifras numéricas

Toda sequência de algarismos (anan1an2a3a2a1a0)b\boldsymbol{(a_n\, a_{n-1}\, a_{n-2} \ldots a_3\, a_2\, a_1\, a_0)_b} com ai{0,1,2,3,,b1}a_i \in \{0, 1, 2, 3, \ldots, b - 1\} representa o número natural obtido pelas seguintes operações:

n=anbn+an1bn1++a3b3+a2b2+a1b+a0n = a_n \cdot b^n + a_{n-1} \cdot b^{n-1} + \ldots + a_3 \cdot b^3 + a_2 \cdot b^2 + a_1 \cdot b + a_0

O sistema decimal tem a base b=10b = 10, que pode ser omitida no final da cifra:

(2345)10=2345=2103+3102+4101+5100=2000+300+40+5(2\,345)_{10} = 2\,345 = 2 \cdot 10^3 + 3 \cdot 10^2 + 4 \cdot 10^1 + 5 \cdot 10^0 = 2\,000 + 300 + 40 + 5

Assim, quando um número como, por exemplo, 2 345 é lido em voz alta, ouve-se “dois mil trezentos e quarenta e cinco”, o que indica a adição dos números 2 000, 300, 40 e 5, pois a conjunção “e” é aditiva.

No sistema decimal, pode-se usar um recurso mnemônico para cifrar números de até quatro algarismos, que é bastante útil.

As letras uu, dd, cc e mm, iniciais das palavras unidade, dezena, centena e milhar, são colocadas nos lugares dos respectivos algarismos desconhecidos na cifra de um número.

Exemplos:

(du)=10d+u(cdu)=100c+10d+u(mcdu)=1000m+100c+10d+u\begin{gather*} (du) = 10 \cdot d + u \\ (cdu) = 100 \cdot c + 10 \cdot d + u \\ (mcdu) = 1\,000 \cdot m + 100 \cdot c + 10 \cdot d + u \end{gather*}

Assim, tem-se, por exemplo:

2345{m=2c=3d=4u=52\,345 \Rightarrow \begin{cases} m = 2 \\ c = 3 \\ d = 4 \\ u = 5 \end{cases}

Exercício resolvido 30

Dividindo-se um número natural N, de dois algarismos distintos, pelo número xx, obtemos quociente yy e resto 1. Invertendo-se a ordem dos algarismos de N, formamos um número que dividido por yy gera quociente xx e resto zz. Nessas condições, pode-se afirmar que o resto da divisão do número zz pelo número 9 é igual a:

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5

Exercício resolvido 31

Determine todos os pares (X, Y) tais que X é o algarismo das centenas e Y o algarismo das unidades do número 5X4Y, sabendo que esse número é múltiplo de 19.

Em um sistema de base b=8b = 8, por exemplo, a mesma cifra representa um número bem diferente:

(2345)8=283+382+481+580==2512+364+48+51==1024+192+32+5=1253\begin{align*} (2\,345)_8 &= 2 \cdot 8^3 + 3 \cdot 8^2 + 4 \cdot 8^1 + 5 \cdot 8^0 = \\ &= 2 \cdot 512 + 3 \cdot 64 + 4 \cdot 8 + 5 \cdot 1 = \\ &= 1\,024 + 192 + 32 + 5 = 1\,253 \end{align*}

Para representar os naturais, os babilônios usavam um sistema de cifras sexagesimais. Imagine ter que memorizar 59 algarismos diferentes de zero e distintos entre si. Atualmente, além do sistema decimal, o estudo da computação faz uso do sistema hexadecimal, em que a base é b=16b = 16, para a representação de valores em linguagem de máquina.

Com 16 algarismos, esse sistema usa as letras A, B, C, D, E e F como respectivos representantes dos números dez, onze, doze, treze, quatorze e quinze.

Assim (xyz)16=x162+y16+z\boldsymbol{(xyz)_{16} = x \cdot 16^2 + y \cdot 16 + z} é uma cifra na qual xx, yy e zz são algarismos hexadecimais.

Outro sistema muito utilizado na linguagem de computadores é o sistema binário, em que a base b=2b = 2 determina que existem apenas dois algarismos para se representar em todos os números naturais. Esses algarismos são 0 e 1. Assim:

(10011101)2=127+026+025+124++123+122+021+120==128+0+0+16+8+4+0+1=157\begin{align*} \mathbf{(10011101)_2} &= \mathbf{1} \cdot 2^7 + \mathbf{0} \cdot 2^6 + \mathbf{0} \cdot 2^5 + \mathbf{1} \cdot 2^4 + \\ &+ \mathbf{1} \cdot 2^3 + \mathbf{1} \cdot 2^2 + \mathbf{0} \cdot 2^1 + \mathbf{1} \cdot 2^0 = \\ &= 128 + 0 + 0 + 16 + 8 + 4 + 0 + 1 = 157 \end{align*}

Algarismo das unidades

Na sua forma decimal, o algarismo das unidades de cada inteiro informa diretamente se o número pertence ao ideal 10Z10\mathbb{Z} ou a qualquer dos seus conjuntos laterais.

O número 280, por exemplo, pertence ao ideal 10Z10\mathbb{Z}, pois termina com zero. Já o número 2 345, por exemplo, pertence ao conjunto lateral de 10Z10\mathbb{Z}, cujos números são da forma 10k+510 \cdot k + 5, com kk inteiro, pois termina com 5.

Então, sendo uu o algarismo das unidades de um número inteiro nn qualquer, tem-se que:

n{xZx=10k+u, kZ}n \in \{x \in \mathbb{Z} \mid x = 10 \cdot k + u,\ k \in \mathbb{Z}\}

Duas propriedades importantes podem ser enunciadas para o algarismo das unidades da soma e do produto de números naturais:

  1. A unidade da soma depende apenas da soma das unidades das parcelas.

    n1+n2=(10k1+u1)+(10k2+u2)==10(k1+k2)+(u1+u2)\begin{align*} n_1 + n_2 &= (10 \cdot k_1 + u_1) + (10 \cdot k_2 + u_2) = \\ &= 10 \cdot (k_1 + k_2) + (u_1 + u_2) \end{align*}
  2. A unidade do produto depende apenas do produto das unidades dos fatores.

    n1n2=(10k1+u1)(10k2+u2)==100(k1k2)+10(k1u2+k2u1)+(u1u2)\begin{align*} n_1 \cdot n_2 &= (10 \cdot k_1 + u_1) \cdot (10 \cdot k_2 + u_2) = \\ &= 100 \cdot (k_1 \cdot k_2) + 10 \cdot (k_1 \cdot u_2 + k_2 \cdot u_1) + (u_1 \cdot u_2) \end{align*}

Questões para praticar

Questões de vestibular dos assuntos deste capítulo.

Transcrição conferida com a obra original (Matemática I, Poliedro, p. 100-131). Revisada em 07/09/2026. Encontrou um erro? Reportar erro