Matemática I · Frente 3 · Capítulo 5 · p. 334-346 · Poliedro
Centros dos triângulos e polígonos
Os polígonos – termo que tem origem grega: póly (vários) + gonia (ângulos) – são figuras geométricas com vários ângulos.
Em placas de trânsito, estruturas de sustentação ou obras gigantescas de engenharia, por exemplo, uma montanha-russa ou uma torre de transmissão, vemos figuras que lembram polígonos. Eles estão presentes em quase tudo no dia a dia, e isso desde as civilizações mais antigas.
Neste capítulo, vamos estudar os pontos notáveis do triângulo e de alguns polígonos regulares, bem como sua importância. Vamos observar os centros, as propriedades e as simetrias dos polígonos.
Pontos notáveis do triângulo
O triângulo tem vários pontos notáveis ou centros, cada um com suas características e propriedades, alguns dos quais relacionados diretamente às cevianas (definidas no capítulo anterior).
Estudaremos a seguir o baricentro (associado às medianas), o incentro (associado às bissetrizes), o circuncentro (associado às mediatrizes) e o ortocentro (associado às alturas).
O baricentro e as medianas
Mediana
Mediana é a ceviana com extremos em um vértice e no ponto médio do lado oposto a esse vértice. Observe a seguir as três medianas de um triângulo.
Observe, por exemplo, como calcular a medida da mediana no triângulo ABC, em que temos cm, cm e ângulo de medida .
Como cm, pela lei dos cossenos aplicada ao triângulo , temos, em cm:
Baricentro
Vamos demonstrar o seguinte resultado: as três medianas de um triângulo se intersectam em um mesmo ponto, chamado de baricentro, que divide cada uma das medianas na proporção de 2 para 1; a parte que vai do vértice ao baricentro é o dobro da parte que vai do baricentro ao ponto médio.
Na figura a seguir, M, N e P são pontos médios dos lados do triângulo, e G é o baricentro.
Observação: Temos que PNED é um paralelogramo.
Exercício resolvido 1
Na figura, N e P são os pontos médios dos lados e , respectivamente. Se G é o baricentro do triângulo ABC, cm e cm, obtenha, em centímetros:
- AG.
- GP.
- BG.
- BN.
Atenção
Sobre as medianas e o baricentro, podemos afirmar:
- As três medianas de um triângulo se intersectam em um único ponto, chamado de baricentro do triângulo.
- O baricentro divide as medianas na razão .
- As medianas dividem o triângulo em seis triângulos de mesma área.
- O baricentro é o centro de massa do triângulo de densidade uniforme.
O incentro e as bissetrizes
Bissetriz
Bissetriz é a semirreta que divide um ângulo em dois de mesma medida (ao meio).
Na figura anterior, , e é comum aos triângulos OMP e ONP. Assim, esses dois triângulos são congruentes pelo caso . Desse modo, e P equidista dos lados do ângulo. O que acabamos de demonstrar é que qualquer ponto da bissetriz equidista dos lados do ângulo.
Incentro
Incentro é o centro da circunferência inscrita no triângulo, ou seja, aquela que tangencia os três lados do triângulo.
Provaremos que as bissetrizes dos ângulos internos se intersectam no incentro.
Demonstração
Sejam , e as bissetrizes internas do triângulo e I o ponto de encontro de , e . Como o ponto I pertence a , ele equidista de e ; e, como também pertence a , equidista de e . Tendo em vista as duas condições, concluímos que I equidista de e . Logo, I também pertence a . Portanto, I pertence às três bissetrizes e equidista dos três lados do triângulo, sendo o centro da circunferência inscrita.
Tangência
Dados uma circunferência e um ponto P externo a ela, vamos provar que o par de segmentos tangentes a e que passam por P tem a mesma medida.
Na figura a seguir, os triângulos e são congruentes pelo caso especial HC, pois apresentam a mesma hipotenusa ; e as medidas dos catetos e são iguais ao raio da circunferência de centro O. Assim, o par de tangentes e possui a mesma medida.
Vamos estudar uma aplicação dessa ideia simples de tangência. Na figura seguinte, temos um triângulo de lados , e e perímetro e também uma circunferência inscrita nesse triângulo.
Identificamos na figura a seguir os pares de segmentos de mesma medida tangentes à circunferência inscrita, com medidas , e .
Comparando as duas figuras, concluímos que:
Somando as equações, temos:
Assim:
Concluímos, então, que o par de segmentos tangentes à circunferência inscrita que parte de um vértice é igual à diferença entre o semiperímetro do triângulo e o lado oposto a esse vértice.
Exercício resolvido 2
Observe a figura (sem escala) a seguir e determine:
- o valor de ;
- a medida do segmento , sabendo que o perímetro do triângulo ABC é 92 cm.
Resolução
- Temos cm e cm. Logo, , ou seja, 40 cm.
Temos que . Como o perímetro do triângulo é igual a 92 cm, encontramos:
Logo, cm.
Outra aplicação das ideias de tangência aparece no cálculo do raio da circunferência inscrita em um triângulo retângulo. Veja, na figura a seguir, esse cálculo aplicado ao triângulo retângulo de hipotenusa e catetos e .
Com base na figura, temos:
Raio da circunferência inscrita
É possível calcularmos o raio da circunferência inscrita para um triângulo qualquer da seguinte maneira:
A área do triângulo ABC é a soma das áreas dos três triângulos da figura (azul, rosa e verde).
Indicando a área do triângulo ABC por e o semiperímetro por , obtemos:
Portanto, o raio da circunferência inscrita é a razão entre a área e o semiperímetro do triângulo.
Exercício resolvido 3
Determine o raio da circunferência inscrita no triângulo de lados 3, 4 e 5.
Resolução
Como o triângulo é retângulo, sua área corresponde à metade do produto dos catetos, ou seja, é . Seu semiperímetro é . Logo, o raio da circunferência inscrita é igual a .
Também poderíamos calcular o raio da circunferência inscrita fazendo:
Atenção
Sobre as bissetrizes e o incentro, podemos afirmar:
- as três bissetrizes internas de um triângulo se intersectam em um único ponto, denominado incentro;
- o incentro é o centro da circunferência inscrita no triângulo;
- o incentro equidista dos lados do triângulo;
- o raio da circunferência inscrita é a razão entre a área e o semiperímetro do triângulo.
O circuncentro e as mediatrizes
Mediatriz
Mediatriz de um segmento é a reta que passa pelo ponto médio desse segmento e é perpendicular a ele.
A mediatriz de um segmento é o lugar geométrico dos pontos do plano que equidistam dos extremos A e B.
Para demonstrar essa afirmação, marque um ponto X qualquer sobre a mediatriz de , o qual coincide ou não com o ponto médio M.
- Se o ponto X coincide com M, então . Logo, .
- Se o ponto X não coincide com M, trace e . Os triângulos AMX e BMX são congruentes pelo caso LAL.
Com base nessa congruência, podemos concluir que , isto é, todo ponto da mediatriz de equidista dos extremos A e B.
Circuncentro
As três mediatrizes dos lados de um triângulo se intersectam em um ponto chamado circuncentro, que é o centro da circunferência circunscrita ao triângulo.
Demonstração
Seja P o ponto de encontro das mediatrizes de e de . Então, P equidista de B e C por pertencer a e também equidista de A e C por pertencer a . Assim, equidista de A e B e pertence à mediatriz de .
Como P equidista dos três vértices A, B e C, ele é o centro da circunferência que passa pelos vértices, chamada de circunferência circunscrita ao triângulo.
O circuncentro pode ser:
interno, se o triângulo for acutângulo;
externo, se o triângulo for obtusângulo;
no ponto médio da hipotenusa, se o triângulo for retângulo.
O ponto médio da hipotenusa é, portanto, equidistante dos vértices e também o centro da circunferência circunscrita (circuncentro).
Atenção
Sobre as mediatrizes e o circuncentro, podemos afirmar:
- as três mediatrizes dos lados de um triângulo se intersectam em um único ponto, denominado circuncentro;
- o circuncentro é o centro da circunferência circunscrita ao triângulo;
- o circuncentro equidista dos vértices do triângulo.
O ortocentro e as alturas
Altura
Considerando um vértice do triângulo, o segmento que tem uma extremidade nesse vértice e a outra na reta suporte do lado oposto, de maneira a ser perpendicular a esse lado, é chamado de altura. Nas figuras a seguir, observamos que a altura pode ser interna ou externa ao triângulo, conforme este seja, respectivamente, acutângulo ou obtusângulo.
Ortocentro
As retas suporte das alturas de um triângulo se intersectam em um único ponto, denominado ortocentro.
Demonstração
Sejam , e as alturas do triângulo ABC.
Tracemos , e , respectivamente, passando por A, B e C, conforme a figura.
Notamos que ABMC e ABCN são paralelogramos. Logo, , o que faz com que C seja o ponto médio de . Analogamente, A é ponto médio de e B é ponto médio de . Assim, , e estão sobre as mediatrizes do triângulo MNP. Como provamos anteriormente, as mediatrizes de um triângulo concorrem em um mesmo ponto; logo, as retas suporte das alturas também.
Quanto à posição, o ortocentro pode ser:
interno, se o triângulo for acutângulo;
externo, se o triângulo for obtusângulo;
coincidente com o vértice do ângulo reto, se o triângulo for retângulo.
Triângulo órtico
Considere um triângulo não retângulo ABC e sejam D, E e F os pés das alturas de ABC. O triângulo DEF é chamado triângulo órtico do triângulo ABC.
O ortocentro H do triângulo ABC é o incentro de seu triângulo órtico DEF.
Demonstração
O quadrilátero BDHF é inscritível, pois tem dois ângulos opostos retos.
Assim, . Como e o quadrilátero CDHE é inscritível, então . Assim, está sobre a bissetriz do ângulo . Analogamente, e estão sobre as bissetrizes do triângulo DEF, e H é o incentro do triângulo DEF.
Atenção
Sobre as alturas e o ortocentro, podemos afirmar:
- as três alturas de um triângulo se intersectam em um único ponto, denominado ortocentro;
- o ortocentro de um triângulo acutângulo é interno ao triângulo, o do triângulo retângulo coincide com o vértice do ângulo reto e o do triângulo obtusângulo é externo ao triângulo.
Casos particulares
O triângulo equilátero
Considere o triângulo equilátero ABC da figura a seguir.
Seja P o ponto médio de . Os triângulos APB e CPB são congruentes pelo caso LLL. Por isso, temos . Logo, é, ao mesmo tempo, mediana, altura, mediatriz e bissetriz interna. De maneira análoga, se Q e R são pontos médios de e , respectivamente, então e também são, simultaneamente, alturas, medianas, mediatrizes e bissetrizes internas. Assim, o ponto O é, ao mesmo tempo, ortocentro, baricentro, circuncentro e incentro do triângulo, sendo seu centro de simetria.
Lembrando que a altura de um triângulo equilátero de lado L é e que o baricentro divide a mediana na proporção de , podemos calcular os raios das circunferências circunscrita e inscrita (respectivamente, R e ), aproveitando o fato de que os centros do triângulo equilátero coincidem. Assim:
e
Atenção
No triângulo equilátero, o baricentro, o incentro, o circuncentro e o ortocentro coincidem no mesmo ponto.
Sendo L a medida do lado do triângulo equilátero, o raio da circunferência inscrita e R o raio da circunscrita, temos que e .
O triângulo isósceles
Na figura a seguir, o triângulo PQR é isósceles e . O segmento é mediana, altura, mediatriz e bissetriz relativas à base . Em relação ao lado , é altura, é bissetriz, é mediana e é mediatriz. Observamos que o ortocentro (O), o incentro (I), o baricentro (B) e o circuncentro (C) estão alinhados sobre a altura .
O triângulo retângulo
No triângulo retângulo, o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa e o ortocentro coincide com o vértice do ângulo reto.
Pontos notáveis de polígonos regulares
Um polígono regular é equilátero e equiângulo. Mostraremos que:
todo polígono regular é inscritível (há uma circunferência que passa pelos seus vértices);
todo polígono regular é circunscritível (há uma circunferência que tangencia seus lados).
Na figura a seguir, desenhamos um hexágono regular. No entanto, o argumento que utilizaremos é válido para todo polígono regular.
Como é lado comum, e , os triângulos OAB e OBC são congruentes pelo caso LAL de congruência de triângulos. Como consequência, temos que e . Tendo em vista que os ângulos do polígono regular são congruentes, então .
Pelo caso LAL de congruência de triângulos, decorre que os triângulos OBC e OCD são congruentes. Prosseguindo indutivamente com o mesmo argumento anterior, concluímos que os triângulos OAB, OBC, OCD, ODE, OEF e OFA são congruentes entre si e isósceles.
O ponto O equidista dos vértices do polígono. Portanto, é centro da circunferência circunscrita ao polígono. Como os triângulos isósceles da figura são todos congruentes, suas alturas têm mesma medida e O é equidistante dos lados do polígono, sendo, então, centro da circunferência inscrita no polígono.
Elementos do polígono regular
Conforme a figura a seguir, os ângulos principais no polígono regular são o central (), o interno () e o externo ().
Vimos anteriormente que os ângulos central e externo de um polígono regular de lados são dados por e o ângulo interno por .
Consideremos, ainda, como elementos do polígono regular o raio da circunferência circunscrita e o da circunferência inscrita, chamado de apótema do polígono regular.
O raio da circunferência circunscrita (R), o apótema () e a metade do lado de um polígono regular de lados L formam um triângulo retângulo, conforme a figura a seguir.
Assim, temos: .
Área do polígono regular
Podemos calcular a área do polígono regular de duas maneiras principais:
Em função do perímetro e do apótema.
Conforme sugerido na figura, podemos determinar a área de um polígono regular de lados L, perímetro e apótema , calculando a área dos triângulos que compõem o polígono. Assim:
Ou seja, a área é igual ao produto do semiperímetro pelo apótema.
Em função do raio (R) da circunferência circunscrita e do ângulo central ().
A área de cada um dos triângulos congruentes em que fica subdividido o polígono a partir do centro é dada por:
Logo, a área do polígono é igual a .
Estudo do triângulo equilátero
Seja um triângulo equilátero de lados L, inscrito em uma circunferência de raio R e circunscrito a outra circunferência de raio (lembrando que esse raio corresponde ao apótema).
Altura:
Apótema:
Raio da circunferência circunscrita:
Estudo do quadrado
Seja um quadrado de lado L. Suas diagonais são perpendiculares entre si e os triângulos OBC e OBM da figura a seguir são retângulos e isósceles.
Apótema:
Raio da circunferência circunscrita:
Estudo do hexágono regular
Seja um hexágono regular de lado L, com apótema inscrito em uma circunferência de raio R. Sabemos que os ângulos central e externo do hexágono regular são iguais a e que o ângulo interno é dado por .
O hexágono regular fica subdividido em seis triângulos equiláteros, como mostra a figura. Seu apótema corresponde à altura de um triângulo equilátero de lado L. Assim:
Apótema:
Raio da circunferência circunscrita:
A área do hexágono regular é igual à área de seis triângulos equiláteros de lado L, ou seja, . Como para o hexágono , a área em função do raio da circunferência circunscrita é igual a .
Estudo do octógono
Os ângulos externo e central do octógono regular medem , e o ângulo interno mede .
Desse modo, temos:
A área do octógono em função do lado é:
Então, a área do octógono em função do raio R da circunferência circunscrita será:
Estudo do decágono
Na figura a seguir, considere que seja o lado do decágono regular inscrito em uma circunferência de raio R e centro O.
O triângulo ABC é isósceles de ângulos , e . O triângulo OAC tem ângulos , e e também é isósceles. Assim, e . Como os triângulos OAB e ABC são semelhantes, temos:
Assim, a razão entre o raio R e o lado de qualquer decágono regular é igual a , que é a razão áurea.
Se tomarmos o ponto médio M da base do triângulo isósceles OAC, será uma altura. No triângulo retângulo ACM, temos .
Como consequência desse resultado, encontramos:
A área do decágono regular em função do raio R é:
Estudo do pentágono
Os ângulos externo e central de um pentágono regular medem , e o ângulo interno mede .
Na figura seguinte, o pentágono regular ABCDE tem lados 1 e diagonais . O triângulo AED é isósceles de ângulos , e . Seja P o ponto de encontro das diagonais e . O triângulo AEB é congruente ao triângulo AED e, portanto, .
No triângulo AEP, e . Como é ângulo externo do triângulo EPD, temos:
Assim, .
Ainda:
Logo, o triângulo DEP é isósceles, com .
Então, .
Os triângulos AED e AEP são semelhantes (ambos têm ângulos , e ). Logo:
Isso mostra que, para todo pentágono regular, a razão entre a diagonal e o lado é igual a , chamada de razão áurea.
Já na figura a seguir, temos:
A área do pentágono em função do lado é dada por:
Já a área do pentágono em função do raio R é dada por:
Quadriláteros inscritíveis
Um quadrilátero é chamado inscritível ou cíclico quando seus quatro vértices estão sobre uma mesma circunferência. Esse tipo de quadrilátero fornece ferramentas interessantes para a resolução de alguns problemas.
Discutiremos a seguir as condições para que um quadrilátero seja inscritível.
Teorema 1: Um quadrilátero convexo é inscritível se, e somente se, os ângulos internos opostos são suplementares.
Demonstração
Provemos inicialmente que, se o quadrilátero é inscritível, a soma dos ângulos opostos é .
Seja ABCD o quadrilátero inscrito em uma circunferência de centro O. O ângulo interno de vértice A enxerga o arco e o ângulo interno de vértice C enxerga o arco .
Pelo teorema do ângulo inscrito, temos:
Assim:
Isso mostra que os ângulos opostos são suplementares.
Agora, provemos que, se os ângulos opostos são suplementares, o quadrilátero é inscritível.
Sejam:
Suponha, por absurdo, que o quadrilátero ABCD não seja inscritível. Assim, a circunferência que passa por A, B e D não passa por C. Sendo o ponto E a interseção da reta com a circunferência, como ABED é inscritível, temos que . Essa igualdade é absurda, pois, se C é interior ao segmento , é externo ao triângulo DCE e, portanto, . Todavia, se C é exterior ao segmento , é externo ao triângulo DCE. Logo, .
Concluímos, então, que, se ABCD tem ângulos opostos suplementares, ABCD é inscritível.
Teorema 2: Um quadrilátero convexo é inscritível se, e somente se, os ângulos formados entre lado e diagonal e o lado oposto e a outra diagonal têm mesma medida. (Ângulos que enxergam o mesmo lado apresentam mesma medida.)
Demonstração
Se o quadrilátero ABCD é inscritível, então , pois são ângulos inscritos que enxergam o mesmo arco.
Seja o quadrilátero ABCD tal que . Suponha, por absurdo, que ele não seja inscritível.
Nesse caso, a circunferência que passa por A, B e D não passa por C. Sendo E a interseção da reta com a circunferência, como ABED é inscritível, . Se C é interno a , temos que , o que é uma contradição. Se C é externo ao segmento , então , o que também é uma contradição.
Concluímos, então, que, se , o quadrilátero convexo ABCD é inscritível.
Exercício resolvido 4
Em um triângulo ABC, e . Seja a bissetriz de , com D sobre o lado . Prove que .
Resolução
O triângulo isósceles ABC tem ângulos tais que e . Como é bissetriz, temos .
Seja tal que . O quadrilátero ABED é inscritível, pois ; logo, e . Portanto, o triângulo ADE é isósceles com . (I)
No triângulo isósceles BED, encontramos .
O ângulo é externo ao triângulo EDC e, pelo teorema do ângulo externo, temos que . Como , resulta que . (II)
De (I) e (II), obtemos:
Quadriláteros circunscritíveis
Um quadrilátero é denominado circunscritível quando existe uma circunferência que tangencia seus quatro lados. Veremos a seguir as condições para que ele ocorra.
Teorema do quadrilátero circunscritível, ou teorema de Pitot: Um quadrilátero ABCD é circunscritível se, e somente se, as somas das medidas dos lados opostos forem iguais, ou seja:
Demonstração
Provemos que, se ABCD é circunscritível, vale . Seja ABCD circunscrito a uma circunferência e P, Q, R e S os pontos de tangência.
Temos:
Provemos agora que, se ABCD é tal que , ABCD é circunscritível.
Suponha, por absurdo, que ABCD não seja circunscritível. Existe, então, uma circunferência que tangencia , e , mas não tangencia . Veja a figura a seguir.
Sejam E, F e H os pontos de tangência de , e , respectivamente, e seja tangente à circunferência em G.
Temos:
Da hipótese, obtemos:
No triângulo CID, encontramos .
Pela desigualdade triangular em CID, temos:
o que é um absurdo. Logo, ABCD é circunscritível.
Exercício resolvido 5
ITA-SP Num trapézio retângulo circunscritível, a soma dos dois lados paralelos é igual a 18 cm e a diferença dos dois outros lados é igual a 2 cm. Se é o raio da circunferência inscrita e é o comprimento do menor lado do trapézio, então a soma (em cm) é igual a:
- 12
- 11
- 10
- 9
- 8
Resolução
Do enunciado, temos que cm. Como o trapézio é circunscritível, encontramos:
Assim:
Dessa maneira, cm. Logo, cm.
No triângulo retângulo AED, temos cm e .
Ou seja, mede 6 cm.
Assim, .
Isto é, mede 6 cm.
Portanto, .
Ou seja, 10 cm.
Resposta: alternativa C.
Questões para praticar
Questões de vestibular dos assuntos deste capítulo.
Transcrição conferida com a obra original (Matemática I, Poliedro, p. 334-346). Revisada em 07/09/2026. Encontrou um erro? Reportar erro