Matemática I · Frente 1 · Capítulo 5 · p. 68-74 · Poliedro
Função do 2º grau
O lançamento oblíquo, antenas parabólicas, espelhos de lanternas e faróis, cálculos de áreas máximas em figuras de perímetro constante são alguns dos exemplos práticos que utilizam funções do 2º grau (ou quadráticas), e sua conexão com a figura que a representa no plano cartesiano, a parábola, é imediata.
Girando uma parábola ao redor de seu eixo de simetria, obtém-se um paraboloide elíptico, uma superfície espacial com características geométricas especiais e inúmeras aplicações em nosso dia a dia. A superfície de uma antena parabólica tem esse formato, e as ondas eletromagnéticas que chegam até a superfície da antena convergem para um ponto único, chamado foco.
Neste capítulo, estudaremos a resolução de equações do 2º grau e inequações do 1º grau e como se comporta a função quadrática, suas características e aplicações a situações do nosso cotidiano.
Relembrando as equações do 1º grau
No estudo das equações e das funções do 2º grau, utilizamos muitas técnicas das equações do 1º grau. Por isso, veremos brevemente alguns conceitos.
Discussão da equação do 1º grau
Discutir uma equação é fazer uma análise sobre a quantidade de raízes dessa equação. A equação do 1º grau tem as seguintes possibilidades:
- se e , então a equação tem uma única raiz (por exemplo, ou );
- se e , então a equação tem um número infinito de raízes (). Qualquer valor real de torna a sentença verdadeira;
- se e , então a equação não tem nenhuma raiz (por exemplo, ou ). Não há valores de que tornam a sentença verdadeira.
Exercício resolvido 1
Discuta a equação .
Equações produto
Quando um produto é igual a zero? Já ouvimos essa pergunta muitas vezes, e a resposta é simples: quando um dos fatores for zero. Podemos escrever:
Estendendo isso para equações, temos:
Equação do 2º grau
As equações completas do 2º grau têm a seguinte forma: ().
As raízes dessa equação são obtidas por uma fórmula resolutiva, utilizando o discriminante . Há muita discussão entre matemáticos (principalmente brasileiros) quanto à utilização do nome “fórmula de Bháskara”, amplamente utilizado no Brasil.
Veja como resolver a equação a seguir utilizando a fórmula resolutiva.
Para , temos uma equação incompleta do 2º grau e podemos utilizar a fatoração para transformar essa equação em uma equação produto.
Exemplo:
Para , também temos uma equação incompleta do 2º grau e podemos isolar a variável da equação para resolvê-la mais rapidamente.
Exemplo:
Discussão de uma equação do 2º grau
A discussão de uma equação do 2º grau é feita analisando-se o valor do discriminante. Para a equação do tipo , com , temos:
- se , a equação tem duas raízes reais e distintas;
- se , a equação tem uma raiz dupla ou duas raízes reais e iguais;
- se , a equação não tem raízes reais.
Exemplo: Considere a equação do 2º grau , com :
- e duas raízes reais e distintas;
- uma raiz dupla (ou duas raízes reais iguais);
- nenhuma raiz real.
Outras considerações merecem atenção:
- e a equação tem formato e apresenta duas raízes reais simétricas;
- a equação tem formato e apresenta uma das raízes nula;
- e a equação apresentará duas raízes reais e distintas.
Soma e produto das raízes
Por meio dos coeficientes da equação, podemos calcular a soma e o produto de suas raízes. Sendo e , temos:
Exemplos:
Com um pouco de “treino”, podemos resolver uma equação do 2º grau apenas observando os valores da soma e do produto de suas raízes.
Faça isso para os exemplos acima e perceba que, no primeiro item, as raízes são 2 e 3 (soma 5 e produto 6). Já no segundo, as raízes são e (soma e produto 8).
Exercício resolvido 2
Sendo e as raízes da equação , calcule e .
Exercício resolvido 3
Calcule de modo que uma das raízes da equação seja o dobro da outra.
Equação do 2º grau a partir das raízes
Podemos escrever uma equação do 2º grau conhecendo a soma e o produto de suas raízes.
Exemplos:
- Se e , temos que e ; logo, uma equação que terá 1 e 3 como raízes é .
- Se e , temos que e ; logo, uma equação que terá 2 e como raízes é .
Equações redutíveis a uma equação do 2º grau
Algumas equações podem ser transformadas em equações do 2º grau pela substituição de suas variáveis.
Exemplos:
Na equação , fazendo e , temos:
Na equação , fazendo , temos:
Função do 2º grau
Uma função do 2º grau, também chamada de função quadrática, é uma função , tal que , com , e números reais e .
Exemplos:
, em que , e .
, em que , e .
, em que , e .
Gráfico
O gráfico da função do 2º grau é uma curva chamada parábola. Atribuindo valores para e calculando os correspondentes valores de , vamos construir os gráficos das funções a seguir.
0 1 2 3 3 0 0 1 2 0 3 3
Ao construir o gráfico de uma função do 2º grau, podemos observar que:
- se , a parábola tem a concavidade voltada para cima;
- se , a parábola tem a concavidade voltada para baixo.
Raízes (ou zeros)
Os valores de tais que são chamados de raízes, ou zeros, da função do 2º grau. Exemplos:
Para obter os zeros da função , fazemos:
Logo, as raízes são 1 e 1.
Para obter as raízes da função , fazemos:
Logo, as raízes são e 2.
Para obter os zeros da função , fazemos:
Como vimos anteriormente, essa equação não tem raízes reais; logo, também não tem zeros reais.
Natureza das raízes
Na representação gráfica, as raízes (ou zeros) de uma função do 2º grau são os valores de em que a parábola intersecta o eixo das abscissas. Além disso, a natureza das raízes da função do 2º grau está relacionada com o valor obtido para o discriminante .
Observe, no quadro a seguir, como essas relações podem ser indicadas.
Vértice da parábola e imagem da função do 2º grau
O vértice é o ponto de maior ou menor ordenada da parábola, dependendo da sua concavidade.
Se , a parábola tem concavidade voltada para cima e um ponto de mínimo .
Podemos observar que, a partir do valor de , é possível determinar a imagem da função. Nesse caso, ou .
Se , a parábola tem concavidade voltada para baixo e um ponto de máximo .
Podemos observar que, a partir do valor de , é possível determinar a imagem da função. Nesse caso, ou .
Coordenadas do vértice
Quando a função quadrática possui duas raízes distintas, ou seja, quando o é a média aritmética das raízes ( e ), ou seja, .
Pela relação anterior e sabendo que, em uma equação do 2º grau, a soma das raízes é dada por , temos:
Para obtermos a ordenada do vértice (), podemos substituir o valor de na função .
Exemplo:
Quais são as coordenadas do vértice do gráfico de ?
As coordenadas do vértice são:
O vértice da parábola é o ponto .
O valor da ordenada do vértice também poderia ter sido obtido por :
Eixo de simetria
Ao traçar uma reta que passe pelo vértice da parábola e seja paralela ao eixo vertical, podemos notar que a parábola é simétrica em relação a esse eixo.
No gráfico acima, vemos que o eixo de simetria passa por . Assim:
Exercício resolvido 4
Dada a função , faça o que se pede.
- Determine suas raízes.
- Obtenha o vértice.
- Construa o gráfico.
- Determine sua imagem.
Valor máximo e mínimo
Como vimos anteriormente, a parábola pode ter um ponto de máximo ou um ponto de mínimo de acordo com sua concavidade, e esse ponto é o vértice. Quando nos referimos ao valor máximo ou ao valor mínimo da função quadrática, estamos nos referindo ao valor de .
Exercício resolvido 5
Determine o valor de para que 10 seja o valor máximo da função .
Exercício resolvido 6
Quando uma loja oferece um produto a R$ 20,00, consegue vendê-lo a 80 clientes. Para cada real de aumento, perde-se um cliente. Qual deve ser o valor anunciado para que a loja obtenha a receita máxima e qual é a receita máxima?
Outras representações
A função do 2º grau pode ser escrita na sua forma fatorada. Para isso, precisamos conhecer suas raízes e e o coeficiente dominante ().
Exemplo: para escrever a função em sua forma fatorada, devemos conhecer suas raízes e e o coeficiente dominante . Assim, a forma fatorada da função será .
Também podemos escrever a função do 2º grau utilizando as coordenadas do vértice :
Estudo do sinal
Do mesmo modo que fizemos com a função do 1º grau, faremos para a função quadrática. Basicamente, devemos analisar para quais valores de temos positivo, negativo ou nulo.
Devemos notar que, quando o gráfico está:
- acima do eixo das abscissas, temos positivo;
- abaixo do eixo das abscissas, temos negativo;
- sobre o eixo das abscissas, temos .
Para fazer o estudo do sinal, basta encontrarmos as raízes e verificarmos a concavidade da parábola.
Nos exemplos a seguir, vamos analisar o sinal das funções:
Calculando as raízes, obtemos e . Como , a concavidade da parábola está voltada para cima e, assim, teremos um esboço do gráfico com as seguintes características:
Com isso, verificamos que:
Calculando as raízes, obtemos . Como , a concavidade da parábola está voltada para baixo, logo:
Assim, temos que:
Calculando as raízes, verificamos que e a função não tem raízes reais. Como , a concavidade da parábola está voltada para cima:
Portanto, observamos que para qualquer valor de temos .
Exercício resolvido 7
Determine para quais valores de o trinômio é sempre positivo.
Resolução de inequações
Inequações do 1º grau
Vamos lembrar algumas propriedades de desigualdades.
Adicionar ou subtrair números:
Multiplicar ou dividir por números positivos:
Multiplicar ou dividir por números negativos invertendo o sinal da desigualdade:
Resolver uma inequação em consiste em determinar todos os valores possíveis de que tornam aquela desigualdade verdadeira.
Exercício resolvido 8
Resolva as inequações a seguir no universo dos números reais.
Inequações do 2º grau
Para resolver uma inequação do 2º grau, podemos recorrer ao estudo do sinal da função do 2º grau.
Exercício resolvido 9
Resolva as inequações no universo dos números reais.
Questões para praticar
Questões de vestibular dos assuntos deste capítulo.
Transcrição conferida com a obra original (Matemática I, Poliedro, p. 68-74). Revisada em 07/09/2026. Encontrou um erro? Reportar erro